O sistema de Bretton Woods, como ficou conhecido um dos maiores acordos econômicos da história, foi muito importante para a economia. Mas você sabe como se formou o acordo, o que ele propunha e como acabou?

Hoje, o Boletim Econômico te conta em 6 pontos um pouco mais sobre este momento essencial para o século XX. 

A recessão econômica da Europa no pós-guerra

Antes de mais nada, para entender o acordo é preciso que lembremos do cenário no qual a Europa se encontrava após a Segunda Guerra Mundial. 

Ao fim da guerra, 45 milhões de vidas foram sacrificadas e 413,25 bilhões de libras tinham sido gastas nos esforços do conflito.

Diante disso, muitos economistas se propuseram a formular planos que conseguissem reerguer a economia da Europa.

Ao mesmo tempo, dois nomes de peso do pensamento econômico trabalhavam e divergiam sobre ideias para Bretton Woods. Harry Dexter White e John Maynard Keynes (conhecido como pai da macroeconomia) tentavam estabelecer os melhores mecanismos para a retomada do mundo.

6 pontos para entender o que foi Bretton Woods e sua importância econômica

1. O acordo de Bretton Woods

Acima de tudo, o intuito do plano era fornecer estabilidade para o sistema econômico internacional. Por isso, era essencial o controle de preços internos (inflação) e preços externos (taxa de câmbio).

Com isso, os países poderiam planejar seu futuro sem grandes turbulências.

Assim, 44 países aliados (e os Estados Unidos) se reuniram antes do final da guerra, em 1944, na intenção de reconstruir o capitalismo mundial. A reunião aconteceu na cidade de Bretton Woods, nos Estados Unidos.

6 pontos para entender o que foi Bretton Woods e sua importância econômica

Deste modo, ao fim das conferências, as ferramentas de funcionamento do plano foram definidas em 3 bases:

  • Câmbio fixo 💸
  • Controle de capitais 📊
  • Criação do FMI e do BM 🏢

2. Padrão ouro-dólar: o câmbio fixo mundial

Primeiramente, países precisavam de estabilidade monetária para consertar suas balanças comerciais e a inflação.

Logo, para resolver este problema, o plano estabeleceu o padrão ouro-dólar.

O câmbio fixo mundial estabelecia que todos os países precisavam fixar sua taxa de câmbio a 3,75 para 1 em paridade ao dólar dos Estados Unidos. Como resultado, poderia-se controlar os balanços de pagamento de cada país, que estavam instáveis e no limite após a guerra.

Simultaneamente, os Estados Unidos deveriam seguir o padrão ouro-dólar. Deste modo, toda a moeda emitida pelos EUA deveria ser lastreada em ouro, e o país só poderia emitir uma quantia X em dólares se possuísse a mesma quantia X de ouro.

Consequentemente, os Estados Unidos ganharam amplitude global, se tornando uma potência ainda maior.

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3. Bretton Woods e os fluxos de capitais

Em seguida, os países discutiram sobre os fluxos de capitais, aqueles que são aplicados em bolsas de valores. A grande questão era: para se controlar a taxa de câmbio, os capitais também precisavam ser controlados.

Isto ocorre, pois, a movimentação desses capitais, além de ser um fator de crise em certas situações, também afeta a quantidade de dólares que um país possui.

Em condições normais de mercado, a entrada ou saída de capitais pode afetar a taxa de câmbio.

Por isso, foram determinados impostos de entrada de capitais em todos os 44 países. Ainda, foram estabelecidas regras sobre quais setores poderiam receber este fluxo e o quanto receberiam.

controle de capitais, fluxo de capitais e bretton woods

4. Retomada do comércio em Bretton Woods

Em primeiro lugar, é preciso entender que, durante conflitos internacionais, os países tendem a aumentar suas barreiras tarifárias, fazendo políticas protecionistas.

Ainda, as taxas de câmbio de todo o mundo eram instáveis. Por isso, o comércio global diminuiu bruscamente.

Por isso, os países estipularam rodadas de comércio.

Com isso, os países promoveriam rodadas de negociação entre si, de forma que o comércio voltasse a se desenvolver e as barreiras tarifárias fossem, aos poucos, caindo. As rodadas aconteciam a cada dois anos.

Comércio internacional e Bretton Woods

5. Criação do Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial

Logo após decidir sobre o comércio, os países concordaram com a criação de outras duas organizações internacionais: o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM).

A princípio, o FMI funcionaria como um estabilizador do sistema de Bretton Woods, emprestando dinheiro para os países que precisassem de reservas internacionais (dólares) para controlar o regime de câmbio fixo.

Ainda, o FMI fiscalizaria as taxas cambiais dos países, assegurando que todos eles desvalorizassem gradualmente e a paridade em dólar fosse respeitada.

Por outro lado, o Banco Mundial era uma instituição financeira que tinha como objetivo a recuperação da Europa, que se encontrava em condições econômicas precárias no pós-guerra.

Desta forma, os Estados Unidos depositaram recursos no FMI e um nível ainda maior de no BM, na expectativa de colher retornos de uma Europa recuperada.

fundo monetário internacional e bretton woods

6. O fim de Bretton Woods

Duas décadas e meia depois, em 1971, o acordo de Bretton Woods acabou. O motivo da decisão é mais simples que parece:

Após a recuperação europeia, os países do continente passaram a exportar muito, devido a sua taxa de câmbio desvalorizada. Com isso, os EUA exportavam menos e importavam mais, e sua balança comercial começava a registrar déficits.

Diante disso, saíam mais dólares que entravam no país norte-americano, e, para resolver o problema, o governo estadunidense precisaria emitir mais moeda.

Mas como emitir mais moeda quando a quantidade emitida precisa ser exatamente igual à quantidade de ouro existente no país?

O lastreamento em ouro se tornou, então, uma amarra que impedia o desenvolvimento econômico dos EUA, o que fez o país deixar o padrão ouro-dólar de lado e acabar com o acordo de Bretton Woods.bretton woods e o dólar fixo

Logo após, o controle de capitais foi desfeito e a maioria dos países começou a liberalizar seus fluxos, além de desfixarem a taxa de câmbio, ficando nas mãos do mercado. Este foi o fim do sistema.

💸 O Boletim Econômico é uma iniciativa de estudantes para estudantes. Gostou do post? Compartilhe com seus amigos e deixe-nos saber!