Você já ouviu o termo “contabilidade criativa”? Em 2016, este termo rodou os principais jornais do Brasil por causa de Dilma Rousseff. Atualmente, Paulo Guedes pode lançar mão da mesma ação econômica que a antiga presidente.

Hoje, o BE explica o que é a contabilidade criativa e para que é usada. Continue lendo!

O que é contabilidade criativa?

Contabilidade criativa é o termo utilizado por contadores e economistas para descrever uma maquiagem nas contas de uma empresa ou um governo. 

Com isso, a contabilidade criativa pode ser feita de várias formas. O intuito dela, ao fim, é sempre alterar os números finais de uma gestão e “maquiar” a real situação da empresa ou governo.

Dessa forma, entende-se essa atitude como uma forma de mudar os resultados reais.

Como isso é feito?

Primeiramente, é importante ressaltar que os governos lançam mão da contabilidade criativa quando suas contas públicas estão com problemas.

Desse modo, poremos citar vários motivos pelos quais a maquiagem de contas acontece.

Anteriormente, em 2016, Dilma Rousseff utilizou duas dessas medidas. A primeira, conhecida como “pedaladas fiscais”, foi o uso de dinheiro de bancos públicos para financiar o governo. 

Logo após, Dilma utilizou uma medida que ficou em segundo plano nos noticiários, mas não passou despercebida pelos economistas.

Dilma, contabilidade criativa e pedaladas fiscais

Naquele ano, com a alta do dólar, o Brasil exportou mais. Desse modo, os cofres do Banco Central receberam um alto volume de dólares, muito acima da expectativa primária.

Com isso, o governo decidiu pegar o excedente de dólares e depositar no tesouro nacional. Consequentemente, as contas do governo ficariam mais equilibradas.

Ainda mais, os investidores não desconfiariam de um atraso nos pagamentos da dívida pública e da dívida externa do Brasil, e o mercado poderia se acalmar, uma vez que a dívida é financiada por investidores que compram esses títulos e esperam juros de longo prazo.

  • Anteriormente falamos mais sobre dívida externa, moratória e América latina. Para ler mais sobre, clique aqui.

Paulo Guedes pode repetir essa ação?

Em 2020, devido a vários fatores, o real voltou a desvalorizar. Além disso, se tornou a moeda mais desvalorizada do mundo neste ano.

Ainda mais, o Brasil, que mesmo antes da pandemia de coronavírus já enfrentava uma crise econômica, tem expectativa de déficit enorme.

Em maio já era previsto que o déficit nominal brasileiro chegasse a, pelo menos, 1 trilhão. Com isso, o governo se encontra em maus bocados. 

Por este motivo, notícias dizem que Paulo Guedes já pensa em transferir o dinheiro do Banco Central. Até maio, o BACEN lucrou mais de 500 bilhões em dólares além do previsto, e este dinheiro é um excedente.

Por isso, poderia ir para o tesouro nacional, e seria utilizado para pagar títulos de dívida, quitar contas públicas e, além disso, financiar o auxílio emergencial.

Seria crime em 2020?

Diferentemente de 2016, em 2020 a atitude não seria um crime. Em 2019, foi aprovada a  Lei 13.820, que possui um artigo sobre isso. Desse modo, o artigo da lei prevê que em tempos de crise e dificuldade de liquidez, o lucro cambial do BACEN poderá ser usado para quitar a dívida pública.

Por isso, embora em 2016 a ação governamental tenha sido classificada como ilegal, em 2020 o governo poderá exercê-la livremente.

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