Você sabe o que foi a crise da dívida da América Latina? Esse acontecimento foi um dos mais importantes para a história econômica do continente e, também do neoliberalismo. Mas por quê?

Hoje, o Boletim vem explicar um pouco mais sobre este fato tão importante da economia mundial.

Como era a economia mundial até os anos 70?

Antes de mais nada, para entendermos a crise é preciso que entendamos como era a economia mundial há mais de 50 anos. 

Após a Segunda Guerra Mundial, a Europa estava quebrada e o resto do mundo havia gastado muito em esforços de guerra, o que deixou toda a economia mundial instável.

Por isso, os países mais afetados se reuniram em Bretton Woods, para fechar um acordo econômico histórico. Deste modo, mais de 40 países concordaram com medidas que regularizavam o mercado, o comércio e o investimento.

Acordo de Bretton Woods

Porém, nos anos 70, muitas coisas aconteceram. Os Estados Unidos estavam com um déficit gigante em sua Balança de Pagamentos, pois importavam muito mais que exportavam. 

Com isso, no fim dos anos 70, o presidente americano Nixon decidiu aumentar as taxas de juros dos EUA a níveis muito altos. 

O que as taxas de juros dos EUA tem a ver com a América Latina?

Durante os anos 60 e 70 os países da América Latina tomaram muitos empréstimos com os bancos americanos e, sobretudo, com Wall Street.

Este dinheiro era usado para financiar, principalmente, a infraestrutura urbana, como no caso do Brasil, que gastou bilhões com obras públicas durante essas décadas.

O grande problema é que o dinheiro foi muito depositado em obras públicas, e pouco deste atingiu o setor produtivo. Como resultado, os países não possuíam produção suficiente para cobrir os empréstimos.

Dessa forma, quando os Estados Unidos aumentaram sua taxa de juros, a dívida dos países latinos com Wall Street se tornou uma bola de neve gigante.

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Consequentemente, os juros e os dividendos em si eram tão altos que, em 1982, o México decretou moratória da dívida, caso contrário, o país quebraria.

“Moratória” é o termo usado para quando uma dívida é suspensa. Assim sendo, a parte devedora decreta que não tem condições de pagar, não sabe se pagará nem quando pagará. 

Crise da dívida, América Latina

Dessa forma, grande parte dos países da América Latina se tornaram extremamente endividados com os Estados Unidos.

O Brasil possuía uma dívida tão alta que nenhum economista conseguiu planejar ações efetivas para resolver a questão, e o governo da época estava sem alternativas.

Consenso de Washington: como a crise foi resolvida?

Em 1989 vários líderes de países se encontraram em Washington, nos Estados Unidos, para conversar sobre a crise, no que ficou conhecido como o Consenso de Washington.

Além disso, a reunião foi promovida pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), e seus agentes eram mediadores do debate.

Eventualmente, os países chegaram a um consenso, e foram estipuladas 10 medidas para a quitação da dívida. São elas:

  1. Ajuste fiscal, redução de gastos do governo;
  2. Retirar subsídios das empresas;
  3. Reforma fiscal e tributária;
  4. Taxa de juros regulada pelo mercado;
  5. Taxa de câmbio flexível;
  6. Liberalização do comércio;
  7. Investimento Direto Externo como prioridade;
  8. Estimulação das privatizações;
  9. Desregulamentação do mercado;
  10. Direito de propriedade.

Com isso, após o Consenso de Washington os governos teriam sua dívida diminuída e renegociada pelos investidores de Wall Street, e poderiam lidar com os juros exorbitantes.

Dessa forma, vários países, incluindo o Brasil, tomaram medidas desregulatórias e que ajudaram seus governos a quitar a dívida, diminuindo a crise e voltando a crescer no fim dos anos 90 e início dos anos 2000.

Ainda mais, as medidas ajudaram a dar início a uma nova era econômica, conhecida como “neoliberalismo”, que se difere do liberalismo clássico em alguns pontos. 

Os fluxos de comércio, os investimentos financeiros e o investimento direto externo, então, foram liberalizados e colocados nas mãos do mercado. Dessa forma, nasceu o neoliberalismo na América Latina.

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