Após longas negociações a Argentina finalmente fechou um acordo para quitar suas dividas com credores estrangeiros, gerando uma economia de US$37 bilhões.

O anúncio ocorreu na madrugada da terça-feira (04), depois de mais de 30 horas ininterruptas de reunião, já as negociações haviam acontecendo desde fevereiro.

Desta forma, o acordo final foi considerado razoável para ambas as partes, pois tantos os credores quanto a Argentina tiveram que ceder suas posições iniciais.

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Um acordo que dá fôlego

Inicialmente, o Ministro da Economia argentino Martín Guzmán havia proposto aos investidores uma carência de três anos. Além disso, passado os três anos os cofres argentinos passariam a pagar US$ 0,35 a cada US$ 1 da dívida, porém esse acordo foi recusado.

No entanto, a contraproposta concedeu uma carência de apenas um ano, após este período a Argentina passará a pagar US$ 0,54 por dólar.

Assim, o valor total do acordo é US$ 64,8 bilhões, e espera-se que o pagamento seja finalizado em 10 anos.

A proposta, por sua vez, foi encaminhada à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos para a oficialização do acordo da reestruturação da dívida.

Ademais, tem sido considerado o primeiro grande feito político do presidente Alberto Fernández, evitando o que seria a nona moratória (ato de atrasar ou suspender algo que havia sido acordado) do país.

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Histórico da dívida

Assim como outros países emergentes, a economia da Argentina sofre com a volatilidade nos preços das commodities e está refém do cenário financeiro internacional.

Juntamente com as recorrentes crises econômicas domésticas, a dolarização do Peso Argentino se tornou um grave problema para a economia do país.

Por este motivo, a desvalorização do peso frente ao dólar é considerada um dos principais motivos do crescimento da dívida, atualmente 1 dólar corresponde a 70 pesos.

Além disso, 80 % dos títulos governamentais emitidos são em moeda estrangeira, dificultando o pagamento.

Os indicadores econômicos de nossos vizinhos são preocupantes, com a inflação na casa dos 40% e uma crescente taxa de pobreza da população.

Mas de fato, este acordo  traz um alívio maior aos argentinos, que tenta se recuperar dos estragos causados pela pandemia do coronavírus. É esperado uma retração do PIB na casa dos 10% este ano.

No entanto, o próximo desafio para Fernández e seu Ministro da Economia é o refinanciamento da dívida de US$ 49 bilhões junto ao FMI, em empréstimos contraídos entre 2018 e 2019.

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