O Banco Central anunciou na quinta feira, dia 20 de fevereiro, que iria alterar as regras dos depósitos compulsórios. Mas na verdade, o que é um depósito compulsório?

A mudança nas regras pode injetar cerca de R$135 bilhões na economia.

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Antes de mais nada, é preciso explicar como as autoridades monetárias (BC) utilizam de ferramentas para controlar a quantidade de moeda na economia. Essas são as chamadas políticas monetárias.

Nesse post vamos te mostrar o que são essas políticas, e como a ação do Banco Central pode impactar nossa vida.

O que são políticas monetárias?

Primeiramente, políticas monetárias são parte do arsenal de medidas do BC (Banco Central) para controlar a inflação e a atividade econômica. Além da monetária, existem as políticas fiscais e cambiais.

As políticas monetárias agem de maneira a controlar quantidade de moeda na economia.

Ou seja, quando uma autoridade monetária como é o BC realiza políticas fiscais, pode ser em função de combater a inflação. Ou até mesmo aumentar o volume do consumo na economia.

Inflação é quando ocorre um aumento generalizado dos preços em uma economia e a moeda corrente perde seu valor rapidamente. A inflação, na maioria dos casos, é prejudicial, por isso deve ser combatida.

Mas em alguns momentos a economia precisa ser reaquecida. É necessário que as pessoas continuem consumindo para manter o nível de atividade econômica mais próximo do pleno emprego.

Dessa forma, as políticas monetárias podem tanto frear a economia, como aquecer a atividade econômica.

Se o BC reduz a quantidade de moeda, os preços não vão diminuir, o que chamamos de uma política contracionista.

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Por outro lado, se o BC aumentar a quantidade de moeda na economia, as pessoas vão consumir mais e os preços vão aumentar. Chamamos isso de política expansionista.

Entenda como as ferramentas de política monetária funcionam clicando aqui.

O que é o depósito compulsório?

O depósito compulsório é a porcentagem que os bancos devem reter do que foi depositado pelos seus rentistas e depositar no BC.

Ou seja, é uma espécie de “seguro” que deve ser depositado no BC em casos de redução da liquidez e até mesmo crises econômicas. Além de ser uma maneira do BC de controlar o volume de moeda.

Mas como o depósito compulsório funciona na prática?

Quando alguém deposita algum valor no banco, aquele valor não vai ficar parado ali. Podemos dizer que  ele “rende” juros.

Juros para o economês básico são a remuneração pelo capital emprestado. Ou seja, você recebe uma porcentagem pelo período em que o banco fica com seu dinheiro.

Mas o que o banco faz com esse dinheiro?

Ele empresta. SIM, o banco empresta seu dinheiro para outra pessoa, e essa pessoa paga juros ao banco por ter pego esse dinheiro.

É ai que os depósitos compulsórios entram em jogo. Eles são o BC dizendo para os demais bancos o quanto eles  podem emprestar.

Digamos que você depositou no banco R$ 1.000,00 reais. Se a parcela recolhida para o depósito for de 10%, o banco deve depositar R$ 100,00 no BC e tem R$ 900,00 para emprestar.

Dessa forma, o BC ainda faz com que os bancos tenham uma “reserva” em casos de crises.

Qual a mudança de regras do BC?

O Banco Central anunciou na última quinta-feira que vai mudar as regras do compulsório para os bancos.

Em primeiro lugar, a porcentagem do depósito dos correntistas que deve ser depositado no BC vai de 31% para 25%. Essa redução entra em vigor a partir  de 16 de março.

A outra medida que passa a valer a partir de 2 de março é aumento da parcela dos recolhimentos compulsórios considerados no indicador de Liquidez de Curto Prazo (LCR).

Assim, a segunda medida reduz os “colchões” de liquidez dos próprios bancos. Ou seja, o seguro contra crises do banco, sem contar aquilo que já foi depositado no BC.

A injeção de recursos na economia não quer dizer que será o valor total estimado. Depende dos bancos decidir ou não emprestar o dinheiro.

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Segundo o diretor de política monetária do BC, Bruno Serra, o objetivo das medidas é aproximar o sistema de liquidez do Brasil do que existe no resto do mundo.

As alterações não procuram estimular diretamente a economia brasileira, mas tem por objetivo aumentar a eficácia do sistema financeiro nacional.

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