Todos sabemos que na última semana, após o Chile, mais um país da América Latina entrou em crise. Mas você sabe o motivo de todo o caos na Bolívia? Viemos te contar o que está acontecendo com nosso vizinho.

Em primeiro lugar, é preciso entender quem é Evo Morales e que tipo de presidente ele tem sido para a Bolívia. Evo assumiu a presidência boliviana em 2006, e foi o primeiro presidente indígena a presidir o país.

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Em 2009, a Bolívia aprovou uma lei que permitia a reeleição por duas vezes. Dessa forma, Evo poderia se reeleger em 2010, e mais uma vez em 2014, o que aconteceu.

Porém, em 2016, o presidente boliviano realizou um plebiscito. O povo boliviano deveria decidir se o Tribunal Constitucional mudaria as regras eleitorais e deixaria Evo se candidatar mais uma vez. O NÃO venceu.

Um ano depois, Evo conseguiu que o Tribunal Constitucional da Bolívia o liberasse para se candidatar novamente. Assim, Evo Morales concorreu em 2019 ao seu quarto mandato, o que daria ao então presidente 16 anos no poder.

Quando a Bolívia começou a se revoltar?

Logo depois da decisão do tribunal, os movimentos contra Evo começaram a tomar força. Durante a época de propaganda política seus adversários já diziam que o presidente havia agido de forma inconstitucional.

Porém, as coisas pioraram de fato na noite das eleições. Logo após a apuração de 83% das urnas, quando os votos estabeleciam um segundo turno entre Evo Morales e Carlos Mesa, os órgãos eleitorais da Bolívia anunciaram uma pausa, e que contariam os votos restantes de forma privada.

Quando as autoridades eleitorais voltaram a público, imediatamente declararam Evo Morales presidente eleito da Bolívia em primeiro turno. Só que ninguém entendeu o que de fato aconteceu.

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Em seguida, vários opositores de Evo Morales se revoltaram, alegando que a estranha pausa das autoridades eleitorais abria uma suspeita de fraude nas eleições.

Liderados por Luis Fernando Camacho, o grupo de pessoas contra Morales foi às ruas, exigindo uma recontagem dos votos. Outros exigiam novas eleições. Foi aí que entrou a Organização dos Estados Americanos.

Após grande pressão do povo contra Evo, o presidente boliviano permitiu que a OEA refizesse a contagem dos votos.

O que fez Evo renunciar?

A OEA recontou os votos, e a conclusão foi de que houveram sérias irregularidades nas eleições da Bolívia. Ainda mais, a OEA recomendou que novas eleições fossem feitas, e que todas as autoridades eleitorais do tribunal fossem substituídas por novas.

Evo Morales acatou o resultado, e decidiu convocar novas eleições, além de mudar os membros do Tribunal Eleitoral.

Porém, a população contra Morales, que buscava novas eleições sem a participação dele como candidato, ainda se revoltava. O líder da oposição, Luis Fernando Camacho, continuava liderando seus grupos contra Evo, além de buscar apoio nas milícias e nas forças armadas da Bolívia.

Após isso, o comandante das Forças Armadas da Bolívia anunciou que a saída de Morales da presidência era essencial para restabelecer novas votações de forma justa.

Dias depois de protestos e ameaças, Evo Morales renunciou a presidência da Bolívia. Assim, ex-presidente alegou que a oposição o perseguia violentamente, e até fogo na casa de sua irmã os grupos haviam colocado. Seu vice também abdicou o cargo.

O que acontece agora?

No dia 12 de novembro a senadora Jeanine Añez entrou no senado boliviano e se auto-declarou presidente da Bolívia, enquanto brandava a Bíblia nas mãos, preenchendo o vácuo deixado por Morales.

A senadora afirmou que “A Bolívia precisa ser livre, pacificada e democrática. Minha prioridade é convocar eleições o mais cedo possível.”

No entanto, Jeanine não era a sucessora constitucional na fila para a presidência, e grupos bolivianos protestam contra ela desde então.

Antes de mais nada, a prioridade da Bolívia é aliviar os protestos de ambos lados. Os apoiadores dos militares asseguram que Evo tentou dar um golpe nas eleições. Por outro lado, o partido e os defensores de Evo Morales afirmam que o Exército deu o golpe, ameaçando o ex-presidente.

Os entusiastas de Morales afirmam que o golpe aconteceu pois, até janeiro de 2020, Evo Morales ainda é o presidente da Bolívia. Dessa forma, apenas ele poderia convocar novas eleições.

Como resultado, os protestos na Bolívia têm se tornado cada vez mais agressivos. 

Na última sexta-feira (15 de novembro) oito pessoas foram mortas nas ruas. Elas protestavam por Evo Morales, e o governo temporário respondeu com repressão policial.

A alta-comissária de Direitos Humanos da ONU se pronunciou. Michelle Bachelet (ex-presidente do Chile) pediu aos novos governantes da Bolívia estimativas sobre mortes, prisões e pessoas feridas.

Até então, os manifestantes continuam nas ruas, contra o governo de transição e por novas eleições na Bolívia.

Evo Morales está abrigado no México, aguardando as resoluções do caos boliviano.

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