5 Filmes para Entender o Brasil

Primeiramente, esse texto é para distrair um pouquinho a cabeça! Entretanto, mais do que isso, é para nos fazer refletir. Dessa forma, essa escolha de filmes é para ajudar a entender o Brasil atual!

5 Filmes para Entender o Brasil
Acesso em: 25 set. 2021.

Assim sendo, o Brasil de hoje não “se fez” da noite para o dia! Não! Existem várias características “de longa data”. Como historiadora em formação, digo que essas são as permanências. Ou seja, a história é feita de mudanças e permanências. Essa ideia de história é hoje bem aceita pela comunidade de historiadores. Por assim dizer, é como se fosse uma coisa que quase todo historiador, na atualidade, prega em seu post-it.

5 Filmes para Entender o Brasil
Acesso em: 25 set. 2021.

Dividirei o texto por períodos da história brasileira. Mas atenção, muito da realidade brasileira de hoje, possui direta relação com a Colônia, por exemplo. São as nossas permanências na história.

Ao passo em que você assiste os filmes, reflita! Será que somos tão diferentes dessas pessoas que vieram à Terra antes de nós? O que nós mudamos? De que forma as nossas heranças históricas estão presentes no nosso cotidiano e pensamentos?

Como nós avançamos na nossa democracia? Quais avanços e retrocessos? De onde vem a nossa desigualdade social? Como traçar possíveis soluções para a situação atual do país? Por onde começar? Como o povo, o cidadão, pode atuar nesse processo? Como isso auxiliaria a economia?

Brasis, Histórias, Memórias, Identidades

Outro ponto importante: precisamos de falar no plural! Como assim, Francine? Como minha grande amiga, historiadora, Sara Martins Silva Pinto, me sugeriu vos lembrar, são Brasis. A graduanda em Letras pela PUC Minas, me pediu para comentar com vocês que: não existe um Brasil no singular. São várias realidades dentro desse território! Conforme essa ideia, este país possui vários contrastes. Um Brasil plural, são também, vários Brasis.

São Memórias, Identidades, visões de mundo. Essas todas, por vezes, se chocam! Por assim dizer, tratam-se de disputas por espaços e poderes. Algumas dessas Memórias e Identidades não estão escritas nos livros didáticos.

Os quilombolas, indígenas, o povo, o pobre, o trabalhador, o jovem, a mulher, entre outros, são, em vários momentos, esquecidos. A Memória Oficial os oculta. Em suma, em certas situações, esquecemos suas contribuições para a nossa ciência, história, seus saberes, possibilidades. Por assim dizer, esse apagamento é, em algumas situações, proposital.

Certas percepções do mundo são contrárias umas das outras. Elas “brigam” para se tornar: Memória oficial. Algumas Memórias e Identidades não são oficiais, esquecidas, resistem, são chamadas de contra-hegemônicas.

Todos esses conceitos são trabalhados por Michel Pollak. Esse sociólogo fala da “Memória, Esquecimento e Silêncio“. Artigo esse, presente em revista acadêmica ligada a FGV. Outro texto base é o de Barros. José D’ Assunção Barros é historiador, doutor em História pela UFF.

O Cinema, Economia, Questões Sociais

O cinema, de maneira geral, acaba falando desses assuntos. Quem produz um filme, está inserido em um Espaço e Tempo, como Barros lembra. Logo, uma produção cinematográfica pode trazer as questões do tempo de quem o confecciona. Por exemplo, pode trazer a discussão do papel da mulher na nossa sociedade atual. E talvez, a intenção desse filme nem seja essa, mas falar de um tempo “lá atrás”! Em certas situações, nem é intencional que esse presente do produtor apareça!

Em resumo, um filme pode ser uma Fonte Histórica. Isso pois, como é produzido por alguém, deixa escapar vestígios, pistas sobre aquele determinado tempo. Esses assuntos são trabalhados pelos historiadores: Kalina Silva e Maciel Silva, em seu dicionário. Em síntese, um “Dicionário de Conceitos Históricos” é um pouquinho diferente daquele que as pessoas estão acostumadas.

5 Filmes para Entender o Brasil
Acesso em: 25 set. 2021.

Precisamos tratar dessas questões sociais. Ao passo em que não as resolvemos, elas interferem no desenvolvimento atual. Aliás, afetando a economia, saúde, escolaridade, cultura, entre outros pontos do nosso país.

Por assim dizer, existem várias realidades ainda não exploradas, escondidas. Em resumo, como dito antes, em certas ocasiões, esquecidas propositalmente. Para quem esse tipo de esquecimento é interessante? “Tá aí” uma questão para você pensar, caro amigo!

Em vários momentos, andamos nas ruas, vemos pessoas em situação de rua. Não raro, passamos por elas. Fingimos que nada disso é com a gente. Dessa forma, não estaríamos nos tornando cada vez mais egoístas e cheios de individualismo?

Cinema Brasileiro e um “Pássaro na Janela”

Por vezes, como em um diário semanal, conto algumas coisas para vocês! Assim, aponto que tenho ouvido muitos pássaros de manhã quando acordo. Escrevo ainda em total isolamento.

Não saio de casa desde o início da pandemia. Pergunto aos amigos, em especial, à historiadora em formação pela PUC Minas, Gabrielle Lorrane Vaz, sobre o mundo “lá fora”. Por conseguinte, ela me conta sobre o barulho das ruas, sobre o transporte lotado. Conta tudo e mais um pouco!

Apenas vi o mundo lá fora umas duas vezes após a pandemia começar. Algumas pessoas não têm esse privilégio. Dedico esse texto a todos os que precisaram e precisam sair de casa para ter o pão de cada dia. Assim, reflita, se divirta, se distraia, use esse momento para pensar e se perguntar sobre as questões dos filmes!

Caro leitor, escrevo olhando para uma janela lateral. Tem grades. Dessa forma, isso me faz lembrar dos pássaros que ouço de manhã. No final das contas, eles são livres, sem grades, é como se voassem conhecendo o Brasil. Por conseguinte, que voemos juntinhos deles e conheçamos um pouco sobre esses Brasis, diversos, intrigantes. Por meio dessa lista de filmes, vamos tentando conhecer esse país, por vezes, contraditório.

Sobretudo, grande parte das minhas contribuições são devidas à “Disciplina do Grupo Temático II – Cinema e Artes Visuais”. Em resumo, ela foi dada pela Celisa Carolina Alvares Marinho. A professora da PUC Minas possui mestrado em Comunicação e Semiótica pela PUC SP. É doutora em Teoria Literária e Literatura Comparada pela PUC SP.

Em primeiro lugar, a ordem das escolha dos filmes não é por relevância. Não são os mais queridinhos! A ordem é cronológica. Mas como falei acima, um filme pode também falar sobre o tempo em que foi feito. Verifique a classificação indicativa das obras!

Brasil Colônia e “Desmundo”

Acesso em: 24 set. 2021.

De antemão, podemos dizer que “Desmundo” trata da situação da mulher na Colônia. Assim, ele discute a questão do lugar da mulher na sociedade. No entanto, mais do que isso, ele fala sobre a resistência. Como resultado, trata sobre como o território foi invadido. A obra retrata uma Colônia ainda pouco conhecida e explorada, repleta de judeus e cristãos novos.

Essa produção audiovisual mostra um território ainda sem casas bem montadas. Não haviam caminhos, as matas ainda estavam em abundância. Em resumo, a igreja ainda supria, na Colônia, uma ausência dos representantes da Metrópole. Assim sendo, “Desmundo” trabalha com a ideia de uma terra, depois chamada de Brasil, que é o fim do mundo, o paraíso, o fantástico, o que ainda precisa ser explorado.

Além disso, a obra fala sobre como os povos indígenas são vistos. Por fim, a produção lançada em 2002, aborda os casamentos, sexualidade, religião, religiosidade, liberdade e visão da época sobre a mulher.

Em suma, ele nos leva a refletir sobre a nossa relação com a natureza e o processo de extermínio da população indígena. Ou seja, as terras hoje reivindicadas pelos povos indígenas, não seriam antes, deles? Quais as contribuições dos povos indígenas na nossa história?

Quais os seus saberes? Qual o lugar da mulher na sociedade e no mundo do trabalho? Por quais razões elas, em grande parte, recebem menor quantia que os homens? Será que encontramos permanências na história das mulheres?

Disponível completo disponível no YouTube, com duração de uma hora e trinta e oito minutos.

Brasil Império e “Mauá – O Imperador e o Rei”

Acesso em: 24 set. 2021.

Antes de mais nada, “Mauá – O Imperador e o Rei”, é um filme que aborda muitas questões. Lançado em 1999, a produção cinematográfica discute a economia no Império. Somado a isso, aborda as diferentes concepções de Brasis.

Por um lado, os donos de terras e escravocratas tinham planos para o Brasil. Por assim dizer, suas ideias eram voltadas para um Império que deveria exportar matéria-prima. Assim, a nação deveria ocupar na economia, um local de dependência das grandes potências da Europa.

Na chamada Divisão Internacional do Trabalho, o país deveria possuir forte dependência das indústrias. Sob o mesmo ponto de vista, elas deveriam transformar os produtos nas fábricas. Por fim, as nações dependentes comprariam esses produtos acabados, sob um maior preço!

Enfim, Mauá, extremamente rico, apostava na tecnologia na intenção de despontar a economia da nação. Em suma, o filme nos ajuda a pensar sobre o processo de ocupação do território, a questão da escravidão no país, os interesses internacionais. Pensa-se assim, que tipo de Brasil estamos almejando na atualidade.

Quais as possibilidades econômicas para a nossa nação? Como funciona a divisão de terras no país? Existem mudanças ou permanências em relação ao Império e Colônia? Qual o lugar do sujeito escravizado na sociedade? E atenção, usa-se esse termo, ao invés de escravo, na intenção de enfatizar que se tratavam de pessoas, seres humanos.

Para entender um pouco mais sobre o Barão de Mauá e a economia da época:

O drama está disponível no YouTube, com duração duas horas e dezoito minutos.

Brasil República e “Batismo de Sangue”

Acesso em: 24 set. 2021.

Primeiramente, essa obra trabalha o período após o Golpe Civil Militar. Em síntese, uso aqui o professor que ministra na cadeira de “Brasil Republicano: de 1945 aos dias atuais”, na PUC Minas. Conforme Edison Gomes, alguns teóricos dizem que o golpe contou com o apoio de empresários.

Em suma, esse período traumático da história, em vários momentos, é interpretado de maneira errada. Em contrapartida, mesmo a História sendo uma ciência, muitas pessoas se sentem a vontade para dizer, sem base alguma, que o período ditatorial foi benéfico para o país.

Por fim, o filme explica sobre a perseguição, censura, tortura, religião e religiosidade no período. Além disso, trata a visão internacional, dos outros países, em relação aos acontecimentos internos. A obra nos faz refletir sobre qual o papel do cidadão, os limites da liberdade e o aspecto psicológico. O filme possui cenas fortes!

Ele é contado a partir do livro de Frei Betto, um dominicano. O livro recebeu o prêmio Jabuti. Quais heranças esse período nos trouxe? Quais características econômicas, sociais e psicológicas ainda guardamos devido ao período?

O premiado filme está disponível na Amazon Prime Video e YouTube, lançado em 2006, possui uma hora e cinquenta minutos.

Brasil República e “Que Horas Ela Volta”?

Acesso em: 24 set. 2021.

“Que Horas Ela Volta?” conta a história de uma empregada doméstica. Esse filme foi ganhador de inúmeros prêmios nacionais e internacionais. Em suma, discute o lugar social do povo.

Do mesmo modo, trata do acesso aos pobres na universidade. Aspecto esse, que pode mudar o mercado de trabalho e economia. Para além disso, existem debates e discussões geracionais! Como os olhares e falas aparentemente inocentes, revelam os nossos preconceitos. Em conclusão visões essas, vindas de um passado colonial.

Por fim, lançado em 2015, o drama possui uma hora e cinquenta minutos. Disponível no Globoplay e YouTube.

Brasil República e “Hoje eu Quero Voltar Sozinho”

Acesso em: 25 set. 2021.

A princípio, pode ser que você não acredite que esse filme possa ter relação com a economia. Isso pois a obra cinematográfica conta a história de um adolescente deficiente visual. Contudo, de maneira sutil, o premiado drama/romance, surpreende.

Internacionalmente reconhecido, aborda a “redoma de vidro” enfrentada pelo jovem cego. Assim, mostrando a segregação, dificuldade de oportunidades, demonstra os problemas educacionais no processo de inclusão. Aliás, a produção vem, antes, de um curta! Esse último, encontra-se disponível no YouTube!

Em resumo, essa obra nos faz pensar sobre a homofobia e os desafios da inclusão. Por sua vez, tais pontos se relacionam com o mercado de trabalho. Em síntese, as empresas estão aptas a receber os funcionários deficientes? São cidadãos, deve-se respeitar a Constituição Federativa do Brasil de 1988. É necessário gerar condições de ir e vir, saúde e educação de qualidade para esse grupo diverso.

Um time de funcionários mais variado proporciona melhores desempenhos. Ou seja, “várias cabeças diferentes” podem traçar soluções distintas para problemas reais. Sob o mesmo ponto de vista, esses cidadãos possuem muito a contribuir para a nossa economia, cultura, política, entre outros pontos da sociedade.

Lançado em 2014, está disponível na Netflix, possui uma hora e trinta e seis minutos.

Em síntese, espero que essa lista te ajude a “voar por aí”, conhecer de maneira mais profunda, os nossos Brasis! Desejo reflexão e uma boa pipoca para o leitor. Por fim, já assistiu algum dos filmes listados? Conta “pra gente” nos comentários!
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