Brasil pode banir a chinesa Huawei de seu território?

Crise diplomática entre a China e o Brasil atrapalham negócios e põem em risco oferta da tecnologia 5G no país.

Assim, veja a seguir as possíveis consequências caso o Brasil escolha banir a Huawei de seu território.

Um resumo de tudo

Atualmente presenciamos uma verdadeira corrida tecnológica entre os países para o desenvolvimento da nova forma de conexão, o 5G. Desta forma, a empresa que melhor domina esta tecnologia é a chinesa Huawei, junto com a finlandesa Nokia e a sueca Ericsson.

Nos últimos anos, no entanto, dada às tensões geradas pela guerra comercial entre EUA e China, o governo dos Estados Unidos acusou a empresa chinesa de espionagem, mesmo sem provas concretas.

Como resultado, os EUA e diversos países aliados, como a Austrália e o Reino Unido, baniram os equipamentos da Huawei em suas operações. Essa aliança, portanto, chama-se “Clean Network”.

Visto isso, somada à clara aproximação ideológica do Brasil com a Casa Branca, era esperado um alinhamento junto ao país ocidental. Porém, temia-se as possíveis retaliações econômicas vindas de Pequim, caso o governo brasileiro aderisse ao banimento da Huawei.

Mas afinal, o que é a Huawei:

A  Huawei foi fundada em 1987, pelo ex-militar Ren Zhengfei, é hoje a maior empresa fornecedora de equipamentos para telecomunicações e a segunda maior fabricante de smartphones do mundo.

Segundo as diretrizes da empresa, a Huawei é uma empresa privada e pertencente a seus funcionários, o que permite a elevada taxa de investimento da empresa em novas tecnologias.

Além disso, ela é líder de mercado em diversos países da Ásia e África, possuindo um valor de mercado avaliado em US$65,084 bilhões, segundo o relatório Brand Finance Global.

No Brasil, especialmente, a empresa responsável pela construção de cerca de 40% das antenas de telecomunicações instaladas no país é a Huawei. Anualmente a empresa investe aqui R$ 140 milhões e possui duas filiais, em Sorocaba e Manaus.

Huawei – Wikipédia, a enciclopédia livre Brasil banir Huawei

Clean Network e a guerra comercial:

Agora, a chamada “Clean Network”, mais uma arma dos EUA em sua Guerra Comercial contra a China, nasceu a fim de evitar a dominância chinesa na oferta da tecnologia 5G.

A aliança conta com diversos países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e também da Europa.

Segundo o site governamental, a Clean Netwok é “uma abordagem abrangente da Administração Trump para proteger os ativos da nação, incluindo a privacidade dos cidadãos”. Esta proteção, portanto, é “contra invasões agressivas de atores malignos, como o Partido Comunista Chinês.”

O Itamaraty, por sua vez, manifestou apoio à iniciativa e disse apoiar “os princípios contidos na proposta”.

• Veja também: Huawei e o desenvolvimento do 5g na UE

Ideologia anti-China?

Não raramente, crises e hostilidades por parte do governo brasileiro contra as relações sino-brasileiras resultaram em um mal-estar diplomático entre os países.

Contudo, os fatos mais emblemáticos foram envolvendo o ex-ministro da educação, Abraham Weintraub, com postagens que ridicularizavam o povo chinês.

Assim como, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, que acusou a China de espionagem.

Desta forma, a embaixada chinesa no país cobrou retratações ao governo brasileiro em ambas as situações, que nunca vieram.

Huawei fora do Brasil?

As consequências oriundas do possível banimento da Huawei em solo brasileiro ainda são incertas. Mas, o embaixador chines, Yang Wanming, afirmou que a decisão definirá os rumos das relações entre as duas economias.

Paralelamente, a Austrália, assim como Brasil, é um grande agroexportador, onde grande parte de seus produtos são destinados à China. Contudo, os chineses impuseram restrições às exportações australianas, após ataques do governo do premiê Scott Morrison aos temas delicados para Pequim.

Assim, os agroprodutores brasileiros temem uma reação semelhante, de embargo econômico como o dos australianos, caso haja uma escalada nas tensões.

Certamente seria um duro golpe para a já fragilizada econômica brasileira, que tenta se recuperar dos estragos causados pela Covid-19.

Por outro lado, as companhias que ofertam serviços de telecomunicações em solo brasileiro, pressionam o governo pela participação da Huawei na licitação do 5G.

Segundo documento assinado pela Conexis Brasil Digital, empresa que representa as operadoras do ramo, pediu-se respeito ao princípio da livre iniciativa.

Além disso, o banimento da Huawei, que já oferece boa parte dos serviços de 4G e 3G no país, criaria uma série de dificuldades para a chegada da nova tecnologia por aqui. Entre elas,  a substituição da infraestrutura já instalada, o que poderia atrasar o uso do 5G no Brasil em até 4 anos.

Por fim, embora fosse desejável a realização do leilão de licitação do 5G ainda este ano, tudo indica que será prorrogado para o primeiro semestre de 2021. O vencedor deste leilão, no entanto, deverá garantir, além do menor preço, a segurança aos dados de seus consumidores.

• Veja também: Alta do PIB: saiba o porquê disso ter acontecido

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