Ciclos econômicos: O que foi o ciclo do Pau-Brasil?

CICLOS ECONÔMICOS: O QUE FOI O CICLO DO PAU-BRASIL? (15/07)

Em primeiro lugar, pode ser que você não saiba identificar o que é um pau-Brasil! Talvez o leitor nunca tenha visto um “ao vivo e a cores”!

Eu diria que é esse o nosso pontapé inicial com a Europa! Quais os benefícios econômicos trazidos por esse ciclo econômico? Benefícios para quem? Quanto tempo durou e como funcionava? ‘Simbora‘ refletir sobre isso!

CICLOS ECONÔMICOS: O QUE FOI O CICLO DO PAU-BRASIL?
Acesso em: 10 jul. 2021.

A TERRA DE “SANTA CRUZ”

Primordialmente, usei alguns teóricos consagrados para construir esse texto. Mafalda Zemella foi professora da disciplina de “História da Civilização Brasileira. Quando trabalhava na Universidade de São Paulo, escreveu “Os ciclos do pau-Brasil e do Açúcar“.

O texto se inicia contextualizando o leitor. Assim, prosseguirei da mesma forma. A expansão marítima, para a autora, é uma reflexo do desenvolvimento comercial da época.

Aliás, os navegadores possuíam forte papel nessas trocas e compras. Dessa forma, devido a disputas territoriais, os europeus precisavam de outras rotas comerciais.

Do mesmo modo, estamos falando do Período Moderno. Por conseguinte, o homem já fazia comércio em busca de mercadorias. Em conclusão, as especiarias eram de desejo dessa Europa que estava se desenvolvendo.

Muito se discute se o Brasil foi encontrado por acaso. Afinal, os portugueses procuravam caminhos para as Índias. Acidente ou não, chegou-se até a “Terra de Santa Cruz”!

O QUE QUER “QUEM VEM DE LÁ”?

Segundo a autora, os navegantes queriam marfim, escravos e especiarias. O nosso clima era favorável para produzir aquilo que não se adaptava ao clima frio. Em resumo, a historiadora cita uma série de produtos, desde o anil até algodão.

O seu texto é escrito na década de 1950. Assim sendo, sabemos hoje em dia, não se tratou de uma descoberta do Brasil. Utilizaremos o termo invasão. Da mesma maneira, discorda-se aqui, da sua colocação quanto ao número de indígenas.

O texto apresenta certos pontos a se questionar. Mas quanto ao ciclo do pau-brasil, nos dá algumas pistas.

pau-brasil

O “PAU-BRASIL”

Se você é do grupo que nunca viu pau-Brasil na vida, talvez não saiba o seu uso. Naquele período, o mundo estava se transformando, se tornando veloz! O comércio se intensificava, usavam-se barcos para manter relações de comércio.

Além disso, trocas culturais ocorriam! Como diz o professor da Universidade do Porto, António Barros Cardoso, “é no porto que se troca cultura e produtos”.

Segundo Zamella, o ciclo do pau-Brasil começa após o contato entre portugueses e as terras encontradas. Em resumo, é da madeira dessa árvore que se retira um tipo de corante.

Ainda mais, estamos falando de um período em que a indústria têxtil ‘estava bombando’! Portanto, já que não conhecíamos os corantes artificiais que hoje usamos, precisávamos do produto. O pau-Brasil era encontrado na área do litoral. Na época, chamada de “Brasilis”, “terra do pau-Brasil”, “Santa Cruz”.

Pau-Brasil. Acesso em: 11 jul. 2021.
Acesso em: 11 jul. 2021.

Com isso, se tornou um monopólio da Coroa portuguesa. Por assim dizer, Fernão de Noronha foi o primeiro “inquilino”. Arrendava a terra. Também conhecido como Loronha, extraía e obteve lucro no ciclo do pau-Brasil.

UM CICLO: COMEÇO, MEIO E FIM!

Acima de tudo, não somente Portugal se interessou pelo produto. Corsários franceses traficavam o pau-Brasil. De acordo com a autora, até o século XVI isso ocorreu. Com o passar do tempo, o ciclo entrou em decadência. Assim sendo, a extração da madeira continuou, ultrapassando 200 anos!

Mas a partir do momento em que desenvolvemos anilinas sintéticas, o pau-Brasil ficou “mais esquecido”. Olha a modernidade que eu havia dito no começo do texto!

Ainda de acordo com a autora, esse ciclo trazia somente a coleta simples. Em resumo, usou-se a mão-de-obra indígena. Os últimos, recebiam produtos relativamente inúteis para os europeus.

A autora lista panos coloridos, facas, missangas. Entretanto, realizando observações, eram produtos aos quais os nativos não conheciam.

CONSEQUÊNCIAS DO CICLO DO PAU-BRASIL

Se o pau-Brasil estava no litoral, essa área passou a ser conhecida. Assim, facilitaria os próximos passos da colonização, além de deixar vários europeus ricos. Em suma, auxiliou a indústria têxtil europeia, mas deu-se início a um processo cada vez mais violento entre portugueses e indígenas.

Diante disso, foram construídos locais para armazenar o pau-Brasil. O produto eram cortado, arrastado e levado até o litoral. Após amontoados, levados pela embarcação.

A historiadora cita Roberto Simonsen. Esse, estima que os lucros foram de 120.000 contos. Mas atenção, 30.000 eram da Coroa portuguesa. Já o resto, dos traficantes. Simonsen, economista, entende que eram 300 toneladas por ano! Agora pensa comigo, esses números se mantiveram por 30 anos.

ciclos econômicos

Dessa forma, após o ápice, temos o declínio! O lucro passou a não valer a pena. Afinal, guerras de corso, disputas com franceses, eram um desgaste. Se tornou arriscado, perigoso.

Em suma, tratava-se de um monopólio onde não queriam mais alugar! O ciclo do pau-Brasil trouxe feitorias. Mas parte delas foram atacadas por indígenas e franceses.

Acabou-se um ciclo, a terra permaneceu com o nome! Se “Terra de Santa Cruz” remetia a questão religiosa, “Brasil”, dizia respeito a um lucrativo comércio! Nesse caso, o espírito mercantil ganhou!

Pickel diz que até o poeta Camões lamentava a vitória do lado econômico em relação ao nome do local. Atenção, não podemos aqui chamar de país, era uma Colônia! Segundo o investigador, o famoso poeta não foi o único.

A COLÔNIA E O PAU-BRASIL

Essa árvore da madeira vermelha possuía o nome de “ibirapitinga”. Do tupi, de acordo com Bento Jose Pickel, significa pau vermelho. O autor cita vários nomes dados à terra invadida. Segundo a conferência do estudioso, quem extraía o pau-Brasil era chamado de “brasileiro”.

Em síntese, a botânica estudou sobre o pau-Brasil ainda no período do ciclo! Segundo o estudioso, o pau era entregue em toras! Por sua vez, transformados em raspas na Holanda.

As casas de detenção realizavam esse corte, encaminhado às tinturarias. Em casos raros, usadas em obras. O pesquisador cita a aplicabilidade em marcenaria de luxo e arcos de violino.

Ainda mais, Pickel aponta que D. Manuel pediu ao Capitão André Gonçalves para estudar sobre a Colônia. Ou seja, perguntava-se logo no início a utilidade do território. Não chamando inicialmente atenção, Fernão de Noronha era responsável pela extração.

Segundo o autor, o produto das Américas era de melhor qualidade do que o asiático. Noronha extraía mil toneladas por ano! Assim, o ciclo do pau-Brasil deixou europeus ricos, sob a exploração do povo indígena. Atenção, precisamos pensar que os povos indígenas não eram dóceis, resistiram quando se sentiram explorados.

Por fim, o último carregamento de pau-Brasil foi no ano de 1875. Nesse meio tempo, entre cerca de 1555 até 1875, temos o primeiro ciclo econômico da terra chamada “Brasil”.

Gostou do texto? Conta aqui nos comentários! O texto de Pickel, estudioso da botânica conta outros detalhes! Dá uma olhadinha!

Caso queira ler mais textos sobre história econômica, clique aqui!

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