Crises Econômicas no Brasil: Quais as semelhancas e diferenças entre 2015 e 2020?

Antes de começarmos a falar sobre as crises econômicas no Brasil, nós do Boletim Econômico nos solidarizamos com todas as famílias que foram e vêm sendo afetadas de forma direta ou indireta pelo coronavírus. Desejamos muita força em um momento tão delicado.

A vida sempre será o maior de todos os objetivos.

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O Brasil e o mundo vivem um momento econômico muito delicado e isso não é novidade para ninguém.

Mas, você já parou pra pensar que essa é a segunda grande crise que nós brasileiros passamos em menos de uma década?

Como dizem por aí, nosso país não é para amadores.

Quer entender um pouco mais sobre tudo isso?

Então vem com a gente! Que vamos resumir e comparar essas duas grandes crises econômicas brasileiras para você.

Crises econômicas no Brasil

Crise de 2015

Antes de mais nada, não existe apenas um fator responsável por tamanha crise no Brasil. Iniciada por volta de 2014, a recessão de 2015 é consequência de muitos motivos.

O PT e a economia

A princípio, para entendermos melhor, tudo se inicia com uma mudança na política econômica brasileira, a partir da entrada do Partido dos Trabalhadores no poder, com os dois mandatos de Lula.

Dessa forma, a ideia era desenvolver o país junto a um aumento na renda das classes mais baixas, incentivando o consumo da população e do governo.

Como resultado, as condições de trabalho melhoraram e a demanda interna aumentou, o que causou um crescimento do PIB, a partir de 2002.

Para mais detalhes sobre as políticas econômicas dos governos do PT:

Durante a crise mundial de 2008, o Brasil continuou com suas políticas de aumento do consumo interno, o que garantiu um alto crescimento em 2010.

Porém, quanto mais a renda das classes baixas aumentava, somada a uma falta de estímulo estatal na produção, mais cara a mão de obra se tornava.

Afinal, o que isso quer dizer?

Quer dizer que, cada vez mais, produzir no Brasil se tornava mais caro, diminuindo as parcelas de lucro das empresas.

O que, com certeza, desagradou muita gente.

Governos Dilma

Logo depois, quando Dilma Rousseff substituiu Lula , a partir de 2011, a política econômica se manteve, com algumas alterações para tentar incentivar a produção e o investimento.

Entretanto, a estratégia não funcionou, a produção brasileira diminuía cada vez mais e, como consequência, a economia do país desacelerava.

Em 2014, ocorre o fim da alta nos preços das commodities, além do início da Operação Lava-Jato. Assim, a situação ficaria ainda mais agravada, levando a uma maior diminuição dos investimentos por parte dos investidores e da produção nacional.

Desse modo, é nesse contexto, em 2015, que o Estado adota políticas de contração da economia, aumentando a taxa de juros, desvalorizando a moeda e diminuindo as despesas públicas. A fim de tentar conter uma crise inevitável.

Você pode imaginar o que aconteceu em um cenário tão conturbado?

Como resultado, a inflação disparou, ficando em 10,67% naquele ano, e o desemprego foi se tornando cada vez maior.

Assim, estava pronta a receita para a maior das crises econômicas no Brasil desde a década de 30 (até 2020), com uma queda de 3,5% do PIB em 2015 e 3,3% em 2016.

Diante desse caos econômico e político, muitas coisas ainda aconteceriam, pautadas por diversos tipos de interesses.

Logo, o fim dessa história todos nós já sabemos…

Crises Econômicas no Brasil

Crise de 2020

Agora, chegou a hora de falarmos sobre o cenário atual, a crise econômica no Brasil, e que também atinge o mundo todo, causada por um fator biológico com impacto direto na área da saúde.

Ou seja, falar sobre aquele momento histórico que ninguém mais suporta viver.

Coronavírus e sua problemática

Em primeiro lugar, a crise econômica causada pela pandemia do coronavírus, que atinge o mundo todo, tem algumas particularidades que vão além da esfera da economia.

O medo de um possível colapso do sistema de saúde faz com que o governo necessite tomar medidas que busquem conter a disseminação do vírus.

E quais os impactos dessas decisões?

Como resultado, muitas indústrias tem sua produção interrompida. Além disso, a maioria dos trabalhadores informais e dos pequenos negócios não conseguem renda suficiente para sobreviver.

Juntamente com o impacto na produção, outra questão particular é a interdependência imposta pela globalização. Ou seja, alterações econômicas em outros países também afetarão a economia brasileira.

Bem como o impacto na oferta, causado pela queda da produção, também ocorre um choque na demanda, devido ao desemprego, a limitação da circulação e ao medo de falência.

Intervenção do Governo

Dessa forma, a economia brasileira não tem forças para se manter sozinha. O que faz com que o Estado necessite intervir de alguma forma.

Nesse contexto, surgem diversas políticas que buscam diminuir os impactos da crise, como o auxílio emergencial, uma tentativa de suprir as necessidade da população mais necessitada e de impulsionar o consumo.

Para mais detalhes sobre as medidas voltadas para a redução dos impactos da Covid-19:

Mas, é importante ressaltar, que as instabilidades no governo, como o vai e vem de ministros da saúde, só pioram a situação e deixam o Brasil ainda mais vulnerável aos efeitos da crise.

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Resultados da crise em 2020

Diante de tantos problemas internos e externos, a recessão causada pela pandemia já é uma das maiores crises econômicas no Brasil, o que refletiu em índices muito alarmantes em 2020.

Desse modo, a taxa de desemprego foi de 13,5%, o que representa 13,4 milhões de brasileiros à procura de um trabalho.

Além disso, a inflação fechou o ano com alta de 4,52%, a maior desde 2016.

Em suma, o Brasil apresentou sua pior redução no PIB nos últimos 30 anos, superando 2015, com uma queda de 4,1%.

Ainda não sabemos como serão os próximos capítulos desse momento histórico, que parece interminável.

Porém, é fato que a única forma de recuperação total da economia é através do controle da situação sanitária. Assim, a vacinação, já iniciada em nosso país, passa a ser a grande esperança de colocar um fim nesse caos que vai muito além da questão econômica.

Talvez, 2021 ainda nos reserve algumas surpresas.

Vamos esperar para ver e fazer nossa parte! Sairemos dessa!

Fique em casa, se puder.

Semelhanças entre as crises

De antemão, a maioria das crises econômicas possuem semelhanças em suas consequências para a população.

Nesse caso, em específico, por mais que 2015 e 2020 tenham sido crises completamente distintas, em seus motivos e causas, ambas causaram dificuldades parecidas na economia.

Como, os altos índices de inflação, o grande número de pessoas desempregadas, além de empresas e pequenos negócios decretando falência.

Dessa forma, a produção, a demanda e a renda são afetadas, o que causa uma diminuição do PIB e uma inevitável desaceleração econômica, reprimindo o desenvolvimento do país como um todo.

Diferenças entre as crises

As principais distinções entre as duas crises econômicas no Brasil, dessa década, estão relacionadas à forma com que elas surgiram no país.

Em 2015, uma série de fatores foram responsáveis pela queda no investimento e pela desaceleração produtiva, com destaque para a diminuição da mão de obra e dos lucros. Além de ter sido consequência de decisões econômicas e políticas internas.

em 2020, a recessão ocorre devido a uma crise na área da saúde, que atingiu o mundo todo, em que a única forma de conter a disseminação do vírus possuía um impacto direto na produção e, consequentemente, na oferta de empregos e na demanda. Ademais, as relações econômicas internacionais e globalizadas e a instabilidade do governo intensificaram ainda mais o problema.

Além da questão das duas diferentes origens, os desafios para superar cada uma delas também possuem um processo bastante distinto. Assim, diferentes políticas e estratégias foram e continuam sendo tomadas.

Fato é que o Brasil vem passando por anos difíceis. Enquanto ainda tentávamos nos recuperar de 2015, algo ainda pior veio 5 anos depois.

Assim, estamos vivendo uma história que será contada pelo resto da existência dos brasileiros. Uma história de duas grandes crises econômicas no Brasil.

E ela sempre ressaltará a ideia…

De que o Brasil não é, e nunca será, para amadores.

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6 comentários
  1. Texto fantástico! Relato direto e reto de um pequeno período do contexto socioeconômico o qual nós, brasileiros, estamos inseridos. Gostaria de parabenizar o autor pela escolha de um linguajar dinâmico com linguagens verbais e não verbais, tornaram a leitura prazerosa.
    Esperançoso para que o futuro se torne próspero e possamos sair desta atual crise.

    1. Que bom que gostou da matéria, Dennis!
      É comum, para quem está acostumado com textos acadêmicos e artigos, sentir falta do texto justificado, mas para plataformas online acabamos utilizando ele dessa forma, para uma melhor dinâmica visual.

    1. Muito obrigado, Clara!
      Nossa ideia é exatamente essa, tornar informações sobre economia algo fácil para todos que quiserem entender e tirar suas próprias conclusões.

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