Economia do Nordeste: Ontem x Hoje

Hoje vamos analisar a economia do Nordeste, comparando o ontem x o hoje.

Sabemos que ela é a base histórica para a economia brasileira no Brasil desde a colônia, o pau-brasil e o cultivo da cana-de-açúcar dominaram a região Nordeste até o século XVIII.

Nesse período ela era a região mais rica do país, e berço da nossa economia.

Após o século XVIII a economia do Nordeste associou-se ao problema das secas, e isso reduziu seu espaço no cenário nacional.

Vem com a gente conhecer um pouco dessa história!

Contexto Histórico

Crise social e política

Antes de mais nada, para entender os fatores que levaram a criação da SUDENE, vamos entender a formação do complexo econômico nordestino desde a colônia.

Ao passo que o mercantilismo europeu avança sob as colônias, a exploração da cana-de-açúcar e do trabalho escravo, assim como o algodão e o café se tornam negócios lucrativos.

Assim toda a renda da produção se concentra na região Nordeste, o que nos dias atuais ainda é a base da dominação das elites regionais vigentes.

Esse é um dos fatores que impede o acesso de grandes massas ao consumo e à terra. Como efeito vemos o aumento do desgaste no processo de urbanização e o desenvolvimento econômico regional.

Esses fatores econômicos estão entre os principais motivos da piora na crise social e política da região Nordeste. Isso se dá pois precisamos entender que a colônia era, a princípio, uma extensão e não concorrente da economia do velho mundo europeu.

Ou seja, o que existia era uma relação entre polo metropolitano e colônia como um sistema de subordinação e dependência vigente. Assim o Nordeste era um tipo de periferia da economia capitalista, ou uma espécie de produtor marginal.

Economia açucareira

Usina de Cana-de-Açúcar

Sobretudo na atividade açucareira não houve grandes mudanças nos modelos de produção, levando a um ambiente de crises periódicas relativas a queda de preço nas regiões metropolitanas do Brasil.

Dessa forma as ações externas em relação à economia açucareira se mostravam diferentes daquelas do café, onde os produtores tinham mais autonomia. Nesse sentido no caso do açúcar se dava menos atenção as remunerações do trabalho, ao contrário da economia cafeeira.

Conforme Wilson Cano, professor doutor em Economia pela UNICAMP, esse seria um dos motivos para o Nordeste não ter expandido sua economia ou acumulado seu capital no período pós-escravidão.

O declínio dos preços das exportações e as difícil busca pelo mercado nacional, formaram um “exército de mão-de-obra”, que se ampliou naquela região.

Todavia é óbvio afirmar que o Nordeste não superou seus traços herdados do período colonial até metade do século XIX.

Modernização

Nessa época, ocorre um surto na exportação de produtos novos e antigos. A chegada de usinas e do sistema de ferrovias, por meio de ações do governo, amplia as atividades de produção.

Além disso nas décadas finais do século XIX houve uma crise nas exportações que mudou o foco da produção para o mercado interno ( que antes era focada toda no mercado externo).

Os números são grandes, saindo de uma média de 10,5 mil toneladas anuais no período 1866-70 para 78 mil toneladas/ano de 1902 a 1917 e para 185 mil de 1926 a 1928.

Por outro lado o algodão, surge como principal produto voltado ao consumo interno e como inovação da indústria têxtil.

Dessa forma até pelo menos 1915, 70% insumos das fábricas de São Paulo era originado do Nordeste. A esse ponto, o Sudeste já era o maior mercado para a região Nordeste.

Século XX

Logo no ínicio do século XX o cenário se inverte, com a expansão da indústria e o aumento da competição entre diferentes regiões. A indústria paulista se torna a maior e o Nordeste perde cada vez mais seu ambiente de negócios.

Sobretudo, depois da crise de 1929, o Estado investiu de forma incessante, no avanço da atividade industrial em especial no eixo São Paulo – Rio. Isso fez o Nordeste registrar déficits na sua balança, devido as perdas.

Aliado a isso o ideário moderno do Nordeste se constrói também devido aos efeitos das secas, em especial após o que ficou conhecido como a “grande seca” de 1877.

Autores como Albuquerque Júnior, definem que a partir desse momento histórico, surge o discurso de que a pobreza e o atraso da região estariam ligados as suas condições climáticas.

A SUDENE, então, surge para alterar esse paradigma construído sobre a região.

SUDENE

A Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste surge nesse contexto e busca encontrar novos mercados no âmbito interno.

Durante todo sua de existência, foi vista como um divisor de águas na história da economia do Nordeste. Através dela se resgata a ideia da economia do Nordeste como um bloco único.

Em suma, até mesmo nos anos após a extinção do órgão, a região Nordeste retorna ao crescimento, com um resultado superior à própria média nacional.

Antigo prédio da SUDENE em Recife – PE

Além disso ela propiciou um crescimento mais rápido dos indicadores sociais em relação as outras regiões do país. Isso mostra uma tendência natural de nivelamento entre as regiões com a média nacional.

Assim, o Nordeste pós-SUDENE se mostrou apto a conviver com o problema das estiagens e esse foi um fator crucia na mudança de antigos estigmas da região.

Nordeste recente

Por fim temos no contexto da economia do Nordeste: ontem x hoje, temos Nordeste recente.

No intervalo entre os anos 2000 e 2015, a economia da região mostra sua completa conexão com a economia nacional.

Inclusive o que vemos no gráfico abaixo é que as taxas médias anuais do Nordeste superam as nacionais em 13 dos 16 anos da série:

Taxa de crescimento – Brasil e Nordeste – 2000-2015
Fonte: Contas Regionais 2002-2015IBGE, 2017.

Devido a isso vemos que o PIB da região cresceu a uma média anual de 3,3%, enquanto o País obteve taxas médias de 2,9%.

Além disso podemos notar os avanços econômicos da região ao analisar o PIB nordestino no que sobe de 13,1% para 14,2% .

Em 2014, o Banco do Nordeste trouxe um estudo que chamou de “Nordeste 2022”, feito por economistas como Leonardo Guimarães, Tânia Bacelar e Juliana Bacelar, que mostra a retomada do crescimento do Nordeste no período pós-SUDENE.

Avanços

Vemos tais avanços ao estudar os seguintes aspectos

  • ampliação das exportações, em especial a exportação de commodities;
  • expansão do mercado consumidor interno, devido ao aumento da geração de empregos formais, da política de valorização do salário mínimo e da concessão de créditos advindas das políticas de transferências diretas de renda;
  • retomada dos investimentos públicos e privados (BNB, 2014, p.43).

Então, o que achou da matéria? Conta pra gente nos comentários e até a próxima!

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