Novo boom das commodities: o que está acontecendo e como nos afeta?

Na década de 2000, um fenômeno econômico beneficiou todo o mundo. O “boom das commodities”, ou “superciclo das commodities” foi um acontecimento na economia global que enriqueceu países e salvou economias até meados de 2011.

Falamos mais dele aqui.

Atualmente, em 2021, alguns dizem que esse fenômeno pode estar de volta. Mas como ele está voltando? Ainda mais, como ele pode afetar o Brasil?

Nosso texto de hoje te conta isso!

O que são commodities?

Antes de mais nada, é preciso entender o que são as commodities. Se você não está muito por dentro desse assunto, não se preocupe! O BE fez um texto explicando exatamente esse termo. Para ler, clique no botão abaixo.

Em resumo, commodities são produtos brutos, não trabalhados e ainda não-industrializados. Por exemplo:

  • Petróleo
  • Ouro
  • Minério de ferro
  • Soja e produtos agrícolas no geral

Desse modo, embora sejam produtos menos valorizados, também são muito procurados em todo o mundo. Isso, porque são as matérias-primas das manufaturas.

petróleo

Novo boom em 2021?

Em 2020 o mundo começou a passar por uma crise global. Desse modo, a pandemia de coronavírus trouxe problemas para vários países. Ainda mais, a renda mundial diminuiu, o que afetou a demanda de muitos mercados. Muitos deles, mercados de matérias-primas.

Como já falamos anteriormente, quando a demanda cai e a oferta “sobra”, o preço dos produtos tende a diminuir. Para entender melhor essa relação, você pode clicar aqui.

Por isso, em 2020 o preço das commodities caiu, puxado pela queda da demanda. Com isso, a produção também diminuiu e a oferta nos estoques sofreu baixas. Em resumo: por causa da crise, a oferta desses produtos no mercado diminuiu muito.

soja

Mas se a situação estava ruim, o que está acontecendo?

Em 2000, o efeito foi puxado pela China. O país mais populoso do mundo (cerca de 1,4 bilhões de habitantes) precisava alimentar muitas famílias, além de captar insumos para suas indústrias.

Hoje, o que está acontecendo, mundialmente, é a vacina contra a COVID-19. A rápida vacinação por parte de alguns países (como Israel, que começou uma super campanha de vacinação), deixou o mercado otimista.

Sendo assim, os efeitos das campanhas de vacinação em alguns países já podem ser sentidos na economia internacional. Desse modo, com a volta da plena atividade econômica em alguns locais, a renda tende a aumentar. E o aumento da atividade da economia está ligado ao aumento da renda e da demanda.

Ou seja, em 2021, muitos mercados voltaram à ativa. A demanda por commodities está voltando em grande escala.

O problema? Em 2020, a oferta caiu. E agora temos muito mais demanda de commodities com uma oferta restrita para atendê-la, o que causa uma supervalorização dos preços. O que causa um novo boom de commodities.

Por que a supervalorização dos preços é boa?

Com a supervalorização dos preços, países que vendem matérias-primas passam a vendê-las a preços mais caros, e ganham maior lucro em cima dessa venda (já que os custos de produção tendem a continuar no mesmo nível de antes).

Ainda mais, como a maioria desses mercados é negociada em dólar, os países que exportam commodities podem aumentar seus níveis de reservas e melhorar a situação de seus balanços de pagamentos.

commodities

Geralmente, países mais desenvolvidos focam muito em produtos manufaturados. Dessa forma, os países mais dependentes de commodities são os países emergentes (ou em desenvolvimento).

Por isso, na década de 2000, países emergentes como o Brasil conseguiram obter sucesso com esse boom de commodities.

Ou seja, países emergentes podem ganhar muito com essa situação.

Por outro lado, existem efeitos ruins também. O primeiro deles ocorre no bolso do consumidor. Já que os preços do petróleo por exemplo tendem a ficar mais altos, o combustível certamente sofrerá pressão para aumentar, também. O mesmo ocorre com a soja e outros alimentos.

No longo prazo, no entanto, com o dólar abaixando perante o real, isso pode mudar.

Como o Brasil pode se beneficiar disso?

O Brasil é um dos maiores exportadores de petróleo bruto no mundo. Ainda mais, nossa economia sobrevive do agronegócio e, principalmente, da soja.

De acordo com o Atlas of Economic Complexity, em 2018, antes da crise, os mercados de commodities brasileiros estavam bem estabelecidos. Ainda mais, como é possível ver no gráfico, os grãos de soja corresponderam a 11,71% das exportações totais do Brasil nesse ano. Já o petróleo bruto, a 8,99% das exportações. O minério de ferro representou 8,07%.

Desse modo, apenas 3 commodities formaram 28,77% das exportações totais do Brasil em um ano. Quase 1/3 das nossas vendas para o exterior são apenas desses insumos.

Sendo assim, é possível que o Brasil surfe nessa nova onda global, o que pode gerar riquezas para o país e maior renda. Além, é claro, de diminuir o preço do dólar em relação ao real. Falamos mais disso aqui.

Quais problemas o Brasil pode enfrentar?

O maior problema que o Brasil pode enfrentar é o do risco político e econômico.

Dentre todos os países do mundo, o Brasil foi um dos que menos vacinou por % populacional até agora. Até o dia 18/03, segundo a base de dados “COVID-19 no Brasil”, que reúne dados oficiais, o Brasil vacinou 10.7 milhões de pessoas. Isso equivale a 5,08% da população total, de 209.5 milhões de pessoas.

Você pode conferir mais sobre os dados clicando aqui.

Desse modo, embora seja um dos que mais vacinou em números absolutos, a % perante a população ainda é muito baixa. E, por isso, muitos analistas financeiros classificam o risco Brasil como alto. Ou seja: fazer negócios com o Brasil no momento é perigoso.

commodities

O motivo? A instabilidade da crise sanitária, política e econômica do país.

Desse modo, nesse primeiro momento é esperado que o Brasil arrecade menos dólares com o boom de commodities que o possível. A esperança é de que, conforme a vacinação avance, a situação melhore e os investidores fiquem otimistas.

Sendo assim, embora o ciclo atual não seja previsto para ter impactos tão grandes quanto o impulsionado pela China em meados de 2000, os analistas esperam números positivos.

E aí, entendeu o que está acontecendo? Se gostou do texto mande ele para os seus amigos. E claro, deixe sua opinião aqui em baixo!

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