O que é crise hídrica e como afeta a economia?

Com a chegada do período de estiagem na maior parte do país, os reservatórios de água que concentram algumas das principais hidrelétricas sofrem. Por isso, a produção energética do país se torna mais difícil e cara. Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a escassez de chuvas no país para a geração de energia é a pior em 91 anos.

Mas você sabe o que é, de fato, uma crise hídrica? Dê uma olhada:

O que é crise hídrica e como piorou?

Algumas das principais reservas para a produção energética do país, localizados no Centro-Oeste e no Sudeste, estão no pior nível em 22 anos. São eles: Marimbondo e Água Vermelha, em São Paulo e Minas Gerais, na bacia do rio Grande; Nova Ponte (MG); Itumbiara e São Simão, no rio Parnaíba, entre Goiás e Minas Gerais.

Marcelo Seluchi, meteorologista do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), explica sobre esse recorde de escassez. Ele afirma que o nível de chuvas vem diminuindo ano após ano. Ainda mais, que outro grande problema que contribui para o baixo nível nos reservatórios, é a falta de chuva, especificamente nas bacias dos rios.

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O SNM emitiu, no dia 28 de maio, um alerta entre junho e setembro em cinco estados. Sendo assim, entre eles está Minas Gerais. O último período chuvoso, que acabou em abril deste ano, foi o mais seco das últimas décadas.

Por isso, as reservas receberam o menor volume de águas em 91 anos. O Sudeste, onde a situação dos reservatórios é pior, é responsável por cerca de 70% da produção de energia hidrelétrica do país.

Usinas termelétricas?

Desse modo, com o nível baixo de reservas, o governo precisa acionar mais usinas termelétricas. Por outro lado, elas são de produção mais cara e poluente. No entanto, podem ajudar a garantir o fornecimento de energia limpa e constante.

Também estão em alerta os seguintes estados: Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná. Além da questão energética, a seca tem provocado quebra de safra de importantes regiões produtoras de alimentos e pode se tornar uma crise de abastecimento de água para a população.

O pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz em Minas Gerais e professor voluntário da UFMG, Leo Heller, explica o que é uma crise hídrica. O professor fez uma diferenciação entre estiagem e escassez, caracterizando a primeira como um processo natural de vazão baixa nos mananciais aquosos e a segunda como um fenômeno social em que as pessoas perdem o acesso à água e à energia.

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De acordo com o pesquisador, essa falha na distribuição de água tem raízes no planejamento e nas políticas públicas de abastecimento da população.

“O que me parece imperdoável é não colocar na equação do planejamento seja da energia, da irrigação, mas principalmente da água para consumo humano, a variável das mudanças climáticas. Não é mais permitido que os planejadores sejam pegos de surpresa pelas mudanças climáticas” avaliou.

Ele ainda frisou a preocupação com a tendência atual de privatização dos sistemas de abastecimento hídrico e chamou a atenção para o alto gasto e desperdício de água no setor agrícola, o que, segundo Heller, não sustenta a abordagem de responsabilizar o consumo doméstico pela crise de abastecimento.

Energia mais cara?

O aumento da conta de energia para os consumidores se deve também à dependência do Brasil das matrizes de energia hidrelétricas. Cerca de 63% dos recursos energéticos são provenientes dessas matrizes, além disso, a utilização de outras fontes de energia a curto prazo são opções mais caras, resultando em preços mais altos nas contas.

Isso porque, com a falta de água, é preciso concentrar a produção em usinas termelétricas para atender a demanda do país. Elas são mais caras e funcionam com base na queima de combustíveis.

O Ministério de Minas e Energia estima que, este ano, o acionamento de termelétricas resultará em um custo de R$ 9 bilhões ao consumidor, que deverá ser repassado no ano que vem, com um aumento de 5% no total da tarifa de luz.

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“É mais um peso nas costas do cidadão e do setor produtivo. O resultado recai sobre o consumidor brasileiro, que paga uma taxa cara de energia. Soma-se o aumento da inflação, preços altos do gás e da gasolina, mais uma notícia ruim para a economia”, analisa Riezo Almeida, coordenador de graduação em economia, gestão pública e financeira no Iesb.

Outras alternativas?

Para o economista e pesquisador da Unicamp Felipe Queiroz falta, ainda, uma mentalidade de investimento em alternativas viáveis à geração de energia por meio de hidrelétricas, para evitar crises como esta.

“A alternativa, depois que a crise está instalada, é quase como enxugar gelo. Por isso, devemos questionar qual é, realmente, a verdadeira alternativa. É preciso ter planejamento energético e mudança da matriz elétrica brasileira, com investimentos em energia limpa, com a energia solar e a energia eólica”, pontuou.

Por fim, falamos aqui no BE sobre as novas alternativas mais “limpas” para a economia e como elas podem nos ajudar no futuro. Sendo assim, este parece ser mais um caso onde a situação atual demanda uma nova resposta da economia.

Ainda mais, talvez sejam uma chance para evitar uma futura crise hídrica.

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