Por que as Universidades Federais estão em crise?

Com certeza você ouviu falar, nas últimas semanas, sobre o momento delicado que as Universidades Federais brasileiras estão vivendo.

Com o maior corte de verbas em décadas, muitas não terão recursos suficientes para se manter.

Quer entender melhor sobre isso? Então fica com a gente até o final dessa matéria.

MEC anuncia repasse de quase R$ 200 milhões a universidades federais —  Português (Brasil)

Universidades Públicas no Brasil

Primeiramente, é importante que todos conheçam os diferentes tipos de Universidades Públicas do país.

Em suma, a principal diferença está em quem fornece as verbas de funcionamento.

Ou seja, enquanto os estados disponibilizam as verbas que mantêm as Universidades Estaduais, o Governo Federal é responsável por fornecer recursos às Universidades Federais.

Vale ressaltar, também, as universidades e instituições municipais, que sobrevivem por meio do próprio munícipio. Porém, muitas cobram mensalidades, pois, por lei, não precisam investir na educação superior.

Universidades Federais

Atualmente, as universidades mantidas pelo Governo Federal vêm sofrendo um intenso processo de precarização.

Iniciado em 2015, com a crise econômica, esse processo se intensificou com a pandemia do coronavírus e as políticas do atual governo.

Para entender mais sobre as duas crises:

Assim, os recursos financeiros recebidos pelas universidades federais vêm sendo cada vez menores. Diante dessa tentativa de diminuir os gastos, as instituições enfrentam seu pior momento dos últimos anos.

O corte de verbas imposto pela Lei Orçamentária Anual 2021 (LOA) comprometeu o funcionamento das 69 instituições mantidas pela União.

O orçamento aprovado foi de 4,5 bilhões de reais. O que significa uma queda de 18% em relação a 2020, uma quantia estimada em 1 bilhão de reais. Sem considerarmos a correção da inflação.

Impactos causados

Devido à menor verba disponibilizada em décadas. As universidades dizem que não é possível manter compromissos com o ensino, a pesquisa, a extensão e a assistência estudantil, neste ano.

Isso afetará cerca de 1,3 milhão de alunos que estudam em uma dessas instituições. Junto de milhares de funcionários, com diferentes cargos. Ambos fundamentais para o funcionamento de cada uma delas.

Estudantes de baixa renda

Mas, o problema vai muito além da questão da quantidade de pessoas vinculadas. Pois, dentre elas, existem muitos que precisam de ajuda financeira.

Nos últimos anos, houve um grande avanço das políticas sociais. O que deu oportunidade à muitas pessoas, que não possuem condições, a cursar o ensino superior.

Dessa forma, uma diminuição nas verbas atinge diretamente esses estudantes. Pois, é necessário um valor suficiente para bancar diferentes auxílios. Como na moradia e na alimentação.

Assim, dentro do corte de 1 bilhão de reais, a assistência estudantil deixará de receber 177 milhões. Afetando a permanência desses estudantes na universidade.

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Pesquisas Científicas

Ademais, a produção de pesquisas científicas também será diretamente afetada.

A princípio, devido à falta de dinheiro para contas de energia e água. O que dificulta para estudantes e professores manterem suas pesquisas em laboratórios.

Além disso, a falta de verbas causaria um alto corte nas bolsas estudantis.

Para se ter uma ideia da importância das pesquisas, as Universidades Federais do RJ, PR e MG estão, nesse momento, em fase de teste para a produção de uma vacina contra a COVID-19.

Assim, a falta de recursos para as universidades não afeta somente os que estão em contato direto com ela. Mas, todo um país que necessita de um desenvolvimento na ciência e na tecnologia.

Universidade Federal do Rio de Janeiro

A UFRJ, maior universidade federal do país, afirmou que corre o risco de fechar as portas, a partir do meio do ano.

Além do impacto da inflação, houve um aumento de vagas e da estrutura da universidade. Ou seja, em vez de um corte, seria necessário um aumento do orçamento.

De acordo com a reitora Denise Pires e seu vice Carlos Frederico Leão Rocha, a instituição vai encerrar suas atividades por não conseguir pagar contas de segurança, eletricidade, água e limpeza.

Tudo isso gerou uma grande revolta em pessoas do Brasil todo. O que fez com que muitos colaborassem em uma vaquinha virtual para a universidade.

Dessa forma, com o risco de suspender as atividades, o governo federal liberou 152 milhões de reais para a UFRJ. Os recursos são suficientes para mantê-la pelo menos até setembro.

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Além da maior federal do Brasil, outras universidades, como a UFSCar e a UFPE já disseram não possuir os recursos necessários para uma eventual volta das aulas presenciais.

Justificativa do Governo

Nesse meio tempo, o governo se justificou sobre a redução do orçamento.

Segundo o ministro da educação, Milton Ribeiro, o corte das verbas serve para adiar projetos de obras nas instituições de ensino. Desse modo, as universidades devem focar somente no que for essencial.

Para o ministro, essa é a realidade em que o lockdown e a crise deixaram o país, diminuindo a arrecadação de impostos. Assim, se houver um aumento na arrecadação, as verbas voltam a crescer.

Milton Ribeiro toma posse como novo ministro da Educação — Português  (Brasil) Universidades federais

Em suma, estamos vivendo momentos complicados. Os reflexos da crise da pandemia têm sido cruéis com a grande maioria da população.

Por outro lado, será que o corte de verbas nas universidades federais é o melhor caminho para conter os gastos?

Investir em educação pode parecer caro, mas o custo de não tê-la sempre se mostrou muito maior.

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