Preço da gasolina: entenda os reajustes da Petrobras

No dia 25 de outubro, a Petrobras anunciou o reajuste do preço da gasolina e do diesel em suas refinarias.

Assim, no texto de hoje, o BE explica tal reajuste. Ainda mais, expõe a política de preços da Petrobras e a sua influência na inflação do país.

E aí, tem interesse na leitura? Então vem comigo!

A gasolina e o reajuste

De acordo com a Petrobras, o litro da gasolina vendido pela empresa passou de R$2,98 para R$3,19. Este aumento foi de R$0,21 (por litro) ou de cerca de 7%.

Nesse sentido, a parcela do preço da gasolina que pertence à Petrobras chegou a R$2,33. Isto representa um aumento de R$0,15.

Esta variação é menor do que a primeira (do reajuste nas refinarias), pois a gasolina tem uma mistura obrigatória de 27% de etanol anidro.

Já em relação ao litro do diesel, o preço foi para R$3,34. Em uma comparação com o preço médio atual, que é de R$3,06, o aumento chega a cerca de 9%.

Nesse sentido, a Petrobras calcula um impacto adicional para o consumidor de R$0,24. Aqui, vale lembrar que o diesel tem uma mistura obrigatória de 12% de biodiesel.

Dessa maneira, neste ano, o diesel acumulou alta de 65,3%, já a gasolina subiu 73,4%.

Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), esta série de aumentos – 4ª semana consecutiva – foi responsável para que o litro chegasse a R$6,56.

Ainda de acordo com a ANP, o preço por litro mais alto foi de R$7,88, no Rio Grande do Sul. O óleo diesel, por sua vez, registrou preço médio de R$5,04, com máxima de R$6,42.

Em resumo, é possível encontrar o litro da gasolina acima de R$7,00 em postos de 13 estados:

  • Acre (R$7,300);
  • Alagoas (R$7,198);
  • Bahia (R$7,299);
  • Ceará (R$7,190);
  • Distrito Federal (R$7,199);
  • Goiás (R$7,299);
  • Mato Grosso (R$7,230);
  • Minas Gerais (R$7,479);
  • Pernambuco (R$7,439);
  • Piauí (R$7,299);
  • Rio de Janeiro (R$7,649);
  • Rio Grande do Sul (R$7,889) e;
  • Tocantins (R$7,279).

A política de preços da Petrobras

Em 2016, com o governo do presidente Michel Temer, a política de preços da Petrobras sofreu alterações.

Desse modo, o valor de sua produção foi atrelado aos preços praticados pelo mercado internacional. Em outras palavras, sujeitos à variação do dólar.

Este movimento se encontra a seguir.

O Preço de Paridade Internacional (PPI)

Uma vez sabendo que o preço praticado é correspondente àquele internacional, pode-se afirmar que, no cenário atual, esse é um dos principais fatores que levam à alta da gasolina. Isto é, relaciona-se à desvalorização do real perante o dólar. 

Em resumo, existem dois fatores principais que explicam o aumento do preço dos combustíveis. Os quais são:

  1. A cotação do petróleo e;
  2. A taxa de câmbio.

Em relação à primeira, pode-se notar que a pandemia do Covid-19 afetou duramente o preço internacional do barril de petróleo (Brent).

No início, a demanda internacional caiu de forma drástica, o que levou a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) à diminuição da produção.

Ou seja, uma vez que houve queda na demanda e levando em conta a posterior queda no preço, o intuito era manter o último em um nível que fosse, pelo menos, praticável.

Já neste ano, com os altos índices de vacinação contra o Covid-19, a reabertura e a retomada da produção dos países ao redor do globo tornaram-se possíveis.

Por conseguinte, com o aumento da demanda por petróleo, houve a elevação dos preços.

Dessa maneira, no último mês, o preço do barril fechou em US$85,53. Tal valor se mostra perto das máximas do ano de 2018.

Por outro lado, em relação ao câmbio, a moeda estadunidense – o dólar -, em 2020, foi valorizada em quase 30%. Já em 2021, em quase 9%.

Aqui, uma vez explicada a PPI, eu imagino que você entenda a relação, não é mesmo?

Para te ajudar ainda mais, o BE possui um texto que explica os efeitos do dólar na economia. Caso tenha interesse:

O ICMS congelado

No dia 29 de outubro, o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), aprovou o congelamento do chamado “preço médio ponderado ao consumidor final”, por 90 dias.

Antes de tudo, o leitor deve saber que é sobre esse preço médio que incide o imposto estadual sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Ou seja, é o imposto cobrado nas vendas de combustíveis.

Segundo o governo, a razão de tal ação é o objetivo de manter os preços dos combustíveis nos valores vigentes de 1º de novembro de 2021 a 31 de janeiro de 2022.

Vale lembrar que, em períodos de normalidade, o preço médio ponderado ao consumidor final é reajustado a cada 15 dias.

Mas afinal, o que significa esse congelamento?

A estagnação do preço médio ponderado será capaz de evitar que os aumentos da Petrobras, realizados até janeiro do próximo ano, sejam considerados na base de cálculo do ICMS.

Por conseguinte, o reajuste de preço dos combustíveis nas refinarias terá um impacto atenuado.

Mesmo assim, a nova medida não possui capacidade de controlar as variáveis que formam o preço dos combustíveis – cotação do petróleo e taxa de câmbio.

Em suma, para além do ICMS, a formação do preço dos combustíveis é composta pelo(s):

Fonte: G1
  1. Preço exercido pela Petrobras nas refinarias;
  2. Tributos federais (PIS/Pasep, Cofins e Cide);
  3. Custo de distribuição e de revenda e;
  4. Custo do etanol anidro (gasolina) e do biodiesel (diesel).

Caso se interesse pela opinião de especialistas:

O preço da gasolina e a inflação

Visto que a Petrobras é a maior produtora brasileira, responsável por 98% do refino no país, qualquer alteração nos seus valores de produção afeta toda a cadeia de preço dos combustíveis.

De uma forma simples, o preço dos combustíveis afeta a inflação no Brasil, pois o transporte dos produtos comercializados, de maneira geral, depende fortemente do meio rodoviário.

Segundo o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), contando 12 meses (até outubro), a inflação para os motoristas chega a 18,46%.

Assim, nota-se que esta não apenas disparou, como também é a maior taxa para esse grupo desde 2000.

Para além disso, de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), em 2021, o preço da gasolina acumulou alta de 27,5%.

Em relação aos últimos 12 meses, o aumento foi de 37%.

Em suma, a elevação dos preços transborda para a maioria dos setores produtivos. Nesse cenário, o custo de vida, relacionado à alimentação, ao transporte – inclusive de motoristas por aplicativo e delivery -, torna-se mais caro.

E aí, o que você achou dessa leitura?

Ainda mais, como o aumento dos combustíveis afeta o seu dia-a-dia?

Dessa maneira, deixe aqui sua opinião e envie para os amigos. Obrigada e até a próxima!

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