Queda de inscrições no ENEM e impactos econômicos

Olá, caro leitor! Talvez você tenha acordado meio mal humorado, talvez tenha os horários “às avessas”, como eu. Talvez tenha se inscrito para o Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM. São várias possibilidades, talvez, talvez. Fato é, o número de inscrições nessa importante avaliação apresentou queda. O que isso significa para o povo, população, para a economia local e nacional?

Pegue uma xícara de café ou chá, senta e acompanhe a matéria!

Fonte: GIPHY. Acesso em: 7 dez. 2021.

A informação, o número, o dado, e de onde vem a notícia!

Para começar a dialogar sobre o assunto, é extremamente importante informar a necessidade de “ouvir” vários pontos de vista! O Governo Federal é responsável, juntamente com uma equipe de profissionais especializados, pela criação do Exame!

Assim sendo, a primeira fonte escolhida é justamente aquela vinda do site do Governo Federal. A matéria foi publicada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Em suma, a notícia foi postada no dia 16 de julho de 2021. Dessa forma, é importante apontar que os dados apresentados ainda reduziram mais. Isso pois, a participação no Exame depende do pagamento da taxa. A mesma podia ser paga até o dia 19, ou seja, três dias depois da matéria publicada. No entanto, aqueles que estão isentos, já estão com a inscrição garantida.

Em suma, tendo em mente que os valores são ainda menores do que aqueles aqui apresentados, sigamos. As informações disponibilizadas pelo INEP indicam 4.0004.764 de inscrições para o Exame desse ano! Vale ressaltar que a quantia leva em conta a prova on-line e aquela feita presencialmente. O valor do boleto totalizou R$ 85. Mas será que os jovens possuem condições de pagar essa quantia?

A fome no Brasil atual

Uma matéria na CNN Brasil pode ajudar a responder a essa pergunta. De acordo com a fonte, a fome atinge 19,1 milhões de brasileiros. Nove milhões de pessoas no país não tem nada o que comer. O levantamento foi realizado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional – Rede Penssan.

Em síntese, 9% do povo passa por essa triste situação. O estudo foi realizado nos locais citadinos e rurais. Somado a isso, a pandemia da COVID-19 trouxe 116,8 milhões para algum grau de insegurança alimentar. Esse fator pode variar entre leve, moderado ou grave.

“A Rede Penssan explica que a insegurança alimentar acontece quando o indivíduo não tem acesso pleno a alimentos. Os dados da pesquisa indicam que o número corresponde a mais da metade da população brasileira, estimada em 213,6 milhões. Além disso, o montante equivale a mais de duas vezes a quantidade de habitantes da Argentina, de 45,3 milhões, segundo o Banco Mundial.”

(ROCHA, 2021).

Ainda segundo a CNN, o nordeste se destaca pela quantia de pessoas nessa situação. 7,7 milhões de nordestinos passam fome, equivalente a grave insegurança alimentar.

Por sua vez, a região Norte conta com 14,9% de pessoas sem alimento. No entanto, os estados do Norte representam apenas 7,5% da população do país. Ou seja, é alarmante o alto índice de pessoas passando fome na região.

Na última Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), relativa a 2017-2018, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estimava que 10,3 milhões de famílias moravam em domicílios com insegurança alimentar grave. Dessa forma, desse período até 2020, a quantidade de cidadãos passando fome no território nacional cresceu em 8,8 milhões.

(ROCHA, 2021).

Apenas a pandemia é a vilã? Fazer o ENEM ou comer?

Por outro lado, a BBC News Brasil aponta que o contexto pandêmico não é a única causa da fome ter crescido no país. O abandono de programas voltados a resolver o problema também contribuíram. Caro leitor, caso você não se sensibilize com o “fator humano”, temos outros pontos a considerar. Esses dados interferem também, na nossa economia! Dessa forma, essa questão social atinge como uma “bomba”, a economia do país.

Tenho certeza que você concordaria que, esses 19,1 milhões de brasileiros que passam fome têm como prioridade se alimentar. Talvez, sonhar com a universidade se torne algo ainda mais distante diante dessa situação. Assim sendo, é necessário garantir condições mínimas para essas pessoas. O aumento da fome não é só devido a pandemia. Mas é preciso pensar que o valor cobrado para a inscrição no ENEM não é acessível para parte da povo brasileiro. Você pode dizer que existe a isenção das taxas! Claro, concordo com você. Mas de acordo com o G1, foram aplicadas novas regras para obter a isenção de pagamento no Exame.

Restrições na isenção das taxas de inscrição do ENEM

Ainda de acordo com o G1, a notícia acompanha casos de estudantes reais. Segundo a matéria, os grupos mais pobres, com essa restrição do pedido de isenção de taxa, ficaram de fora na disputa para o ingresso nas Universidades. Uma das condições novas é que não poderiam ter faltado à edição anterior sem justificativa. Até acharia justa essa ideia em outros momentos da nossa história recente.

No entanto, precisamos pensar que o ano anterior também foi pandêmico. Por essa razão, muitos temeram o contágio com a doença. Talvez alguns convivam com pessoas do grupo de risco, ou estavam devastados psicologicamente devido ao contexto pandêmico. São muitas opções.

Segundo o G1, 2,8 milhões candidatos perderam o direito de pedido de isenção. Acrescento aqui que, muitos estudantes são designados para fazerem as provas em locais precários e distantes de suas casas. É necessário então, pagar o transporte para chegar até lá! Mas além disso, precisamos refletir que o transporte público no contexto pandêmico também está ainda mais precário que o usual.

Somado a isso, é preciso alimentação para conseguir fazer essa exaustiva prova. Assim sendo, o custo disso tudo não sai barato. Talvez você, leitor, tenha essas condições. Mas será que aqueles 19,1 milhões de brasileiros também possuem? Mesmo caso o cidadão consiga a isenção, ainda precisa pagar todas essas coisas ditas! E o contexto não ajuda nada.

Acesso aos computadores na pandemia

Pode ser que você pense na seguinte solução! ‘Plin’, uma lâmpada se acendeu na sua cabeça! Essas pessoas poderiam realizar o ENEM de forma virtual. ‘Bacana’!

Fonte: GIPHY. Dyan Jong. Acesso em: 7 dez. 2021.

No entanto, venho atuando em um programa do governo federal em uma escola pública de Minas Gerais. Nesse contexto, venho trabalhando com ações educativas na área de História. O Programa Residência Pedagógica me possibilitou ver de perto a situação da educação pública brasileira. Além disso, dou aulas particulares na cidade de Belo Horizonte.

Em suma, parte dos alunos não possuem acesso a celulares ou computadores. Outros, dividem os aparelhos com pessoas da família. Para não dizer que estou falando só de uma realidade local, a Folha de S. Paulo divulgou uma interessante matéria. Segue a manchete:

“Segundo IBGE, 4,3 milhões de estudantes brasileiros entraram na pandemia sem acesso à internet. Dado do instituto reforça desigualdade no ensino a distância entre estudantes das redes pública e privada”

(PAMPLONA, 2021).

Bom, como observável, a “coisa se complica”! Talvez você possa afirmar que muitas pessoas não tinham acesso a esses aparelhos antes do contexto pandêmico. Mas que essa situação talvez tenha mudado. Por outro lado, não pude observar essa sua possível hipótese. Aliás, os dados sobre a fome mostram justamente o contrário. Certamente, quem passa fome muito provavelmente não “desfila por aí” com um escritório home office bem equipado para lidar com as demandas do regime remoto escolar ou de trabalho.

Do mesmo modo, precisamos pensar no aumento dos preços dos microprocessadores devido ao contexto pandêmico. Eles são necessários para a criação dos equipamentos. Se temos poucos, o valor sobe. Por conseguinte, esses aparelhos que dependem dele se tornam mais caros para o consumidor. Para entender sobre o assunto,

O ENEM e o abismo social brasileiro

Em suma, parte da população pobre não consegue realizar a prova de maneira virtual ou presencial. Acrescenta-se ainda, que o ensino remoto é uma “piada”. Desculpa, eu definitivamente posso observar isso “de pertinho”. Digo aqui, como exemplo, os Planos de Estudos Tutorados – PET’s produzidos para Minas Gerais. Em síntese, são mal feitos, rasos, por vezes, até sem sentido. Caso você não acredite, veja você mesmo, aqui. Somado a isso, os alunos deveriam assistir as aulas pela TV, o chamado programa: Se Liga na Educação. Aulas de vinte minutos, insuficientes.

Em determinadas escolas estaduais de Minas Gerais, os professores foram até proibidos de abrirem conferências para dar aulas. Além disso, os docentes foram atolados de tarefas dos alunos para corrigir.

Bom, uma dica! Talvez seja interessante a Secretaria de Educação do Estado “x” ou “y”, ouvir os professores para construir algo que funcione. Quem melhor pode dizer o que funciona é quem vive dentro daquela dinâmica.

Com o retorno das aulas, o que fazer com os alunos que precisaram trabalhar para ajudar em casa? E com aqueles que não possuem dinheiro para o deslocamento?

O ENEM e a economia

No outro lado da moeda, as escolas particulares funcionam “a todo vapor”. Por conseguinte, se antes, a diferença entre os resultados das escolas públicas e particulares no ENEM era grande, imagina agora? Assim, fecham-se as portas para o povo pobre e integrante das escolas públicas. O resultado disso? Possivelmente menos pessoas pobres entrarão no Ensino Superior. Mas afinal, como isso afeta a economia da nação?

Primeiramente, quando alguém escolhe um curso de graduação, possivelmente irá atuar futuramente nesse mercado de trabalho. No entanto, vamos supor que poucas pessoas façam o ENEM. Aliás, segundo o G1, o atual ENEM conta com o menor número de inscritos desde 2010. Ocorreu uma queda de 7% em relação à 2018. Observe os dados abaixo:

Fonte: INEP. Acesso em: 7 dez. 2021.

Em síntese, caso poucas pessoas façam o ENEM, poucas terão a oportunidade de ingressar o ensino superior. Além disso, com a exclusão do povo pobre, haverá pouca mobilidade social. Os índices de pobreza e violência subirão! Somado a isso, esse caos poderá gerar na população que é formada e que compõe a elite intelectual brasileira, mão de obra qualificada, o interesse de imigrar para outros países.

Assim, perde-se os grupos que poderiam produzir e auxiliar no aquecimento da economia nacional. Esse processo é conhecido como: fuga de cérebros. E aliás, várias universidades europeias estão abrindo as portas para os universitários brasileiros. Em suma, quem irá ocupar esses lugares ociosos no mercado de trabalho brasileiro? Se o restante da população não tem acesso à Universidade, como serão desenvolvidas tecnologias nacionais? Ficaremos reféns de empresas internacionais que só querem lucrar? Aliás, empresas essas que levam seu lucro para o país de origem.

Consequências e mais consequências

Afinal, qual o nosso lugar na chamada “Divisão Internacional do Trabalho”? O termo diz respeito à divisão entre os países, que por sua vez, reforça a desigualdade entre as nações. Nessa lógica, as nações pobres devem vender matéria-prima de forma barata.

As nações industrializadas e com tecnologia, devem transformar essa matéria-prima. E os países pouco desenvolvidos ou em desenvolvimento, compram esses produtos. Porém, pagando mais caro.

Em conclusão, as nações ricas permanecem ricos, dominando o mercado internacional, lucrando com a sua economia. Os países que ainda não possuem plena indústria e tecnologia, ficam refém dessa situação.

Tais contribuições foram possíveis a partir de discussões nos encontros virtuais do Grupo de Estudos de História das Mulheres: a identidade latino-americana caribenha.

Os encontros são livres para participação externa, mesmo que seja ligado à PUC Minas. Basta mandar DM no Instagram desse grupo de estudos.

Em suma, a economia não se transforma positivamente, não investimos em indústrias de ponta, não teremos mão de obra para essas áreas de mercados de trabalho. Seremos assim, ainda dependentes de outras nações. Afinal, quem diria que poucas inscrições no ENEM poderiam gerar tantas consequências econômicas a curto, médio e longo prazo?

Em resumo, tal situação “é nota 0, parabéns”. Como crítica enquanto professora, historiadora e pesquisadora em formação, aponto a necessidade urgente de criar políticas públicas para resolver esse abismo. Mas será mesmo que não é intencional que as desigualdades continuem e cresçam tanto no atual momento? ‘Forte abracinho’ e bom café!
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