Em março de 2019 Jair Bolsonaro esteve nos Estados Unidos para sua primeira viagem oficial ao país. Na viagem, o presidente brasileiro conversou com Donald Trump sobre maior abertura econômica brasileira, a ascensão da nova direita conservadora e a entrada do Brasil na OCDE.

O Boletim Econômico te explica o desenrolar dessa história. Vem comigo!

Encontro de Bolsonaro e Trump

Desde sua campanha em 2018, Bolsonaro já falava primordialmente da futura parceria com o país norte-americano em seu governo.

Logo após sua eleição, o presidente brasileiro planejou viagens de negócios. A primeira delas firmou, verbalmente, acordos entre os dois países.

Entre estes acordos estavam, por exemplo, a permissão para que os EUA utilizassem o centro de lançamento de foguetes de Alcântara, no Maranhão.

Além disso, o Brasil precisou abrir mão do status de nação em desenvolvimento na Organização Mundial do Comércio (OMC), que garantia regras mais flexíveis.

Simultaneamente, os Estados Unidos, em contrapartida, prometeram apoio à entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O clube dos ricos: afinal, o que é a OCDE?

A Organização para a Cooperação de Desenvolvimento (The Organisation for Economic Co-operation and Development – OECD) é uma organização internacional que visa o apoio e cooperação entre países.

Os países da OCDE concordam em admitir países contanto que estes possuam um sistema político de democracia representativa e uma economia de mercado aberto.

Os objetivos da OCDE são, entre outros:

  • apoiar o crescimento econômico dos países-membros;

  • aumentar o IDH e PIB dos países-membros;

  • desenvolver os níveis de emprego;

  • contribuir para o comércio mundial entre todos os países.

Dentre a lista de países que fazem parte da organização, a maioria é situada como economias desenvolvidas. Os membros da OCDE são conhecidos como “o clube dos ricos“.

Os membros da organização atualmente são:

Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, Chile, Coréia, Dinamarca, Eslovênia, Espanha, Estados Unidos, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Irlanda, Islândia, Israel, Itália, Japão, Letônia, Luxemburgo, México, Noruega, Nova Zelândia, Países Baixos, Peru, Polônia, Portugal e Reino Unido.

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Atualmente, seis países solicitam a entrada na organização. Argentina, Brasil, Bulgária, Croácia, Peru e Romênia esperam conseguir uma vaga entre o clube dos ricos.

Quais seriam as vantagens da OCDE para o Brasil?

A maior das vantagens é certamente o ganho de reputação e confiança para o Brasil.

Além de atrair a atenção de investidores especulativos e diretos, o país teria maior credibilidade ao requisitar empréstimos e financiamentos internacionais.

Alem disso, conseguir firmar acordos econômicos com outros membros com maior facilidade. Do mesmo modo, ao aderir à OCDE o Brasil teria, eventualmente, maior compromisso com a transparência e responsabilidade econômica.

Seriam os EUA um empecilho para o Brasil?

Nos últimos dias, porém, um novo fator foi adicionado à jornada brasileira rumo à OCDE. Fontes americanas divulgaram a existência de uma carta americana ao secretário geral da OCDE.

Nela, Mike Pompeo, secretário de Estado dos Estados Unidos, apoiava apenas o ingresso da Argentina e da Romênia na organização.  Nenhuma menção ao Brasil foi feita.

Imediatamente ao vazamento das informações, o presidente americano Donald Trump, em seu Twitter, reafirmou o apoio ao Brasil, bem como afirmou que as alegações eram “fake news”.

Tradução: “A declaração conjunta divulgada com o presidente Bolsonaro em março deixa absolutamente claro que apoio o Brasil iniciando o processo de adesão plena à OCDE. Os Estados Unidos defendem essa afirmação e defendem @jairbolsonaro. Este artigo é FAKE NEWS!

Porém, ao mesmo tempo, os EUA que já se envolvem em denúncias na OMC devido à Guerra Comercial com a China, discutem também com a Europa sobre os novos membros da OCDE.

A discussão ocorre devido à forma como os novos membros devem ser analisados e aceitos na organização.

EUA x Europa: qual o motivo da discordância?

Os EUA temem que uma organização muito ampla, com mais membros, dificultaria a tomada de decisões.

Em nova nota, fica explícito que a prioridade dos EUA não é expandir a organização. Para os Estados Unidos, a prioridade é debater sobre os futuros caminhos que a entidade tomará.

Dessa forma, o governo americano prefere avaliar os países em pares, não considerando todos os seis analisados ao mesmo tempo.

De acordo com a carta enviada por Pompeo, os Estados Unidos reafirmam a ideia:

Os EUA continuam a preferir a ampliação a um ritmo contido que leve em conta a necessidade de pressionar por planos de governança e sucessão.

Ainda mais, os americanos debatem sobre o paralelismo praticado pela organização. Isto significa que, quando um país não-europeu ingressa na OCDE, um europeu deve entrar.

Da mesma forma, a Europa defende sua visão para a instituição. Os países europeus visam uma OCDE expandida, aceitando cada vez mais membros. Para estes, os seis casos devem ser examinados juntos.

Consequentemente, a carta dos Estados Unidos indicando apenas Argentina e Romênia foi rejeitada pelos países. A rejeição aconteceu devido à prioridade europeia de aceitar todos os seis países.

As delegações que fazem parte da OCDE se reúnem mensalmente. Atualmente, o governo brasileiro espera a próxima reunião para saber se poderá se tornar o terceiro país da América do Sul no clube dos ricos. O primeiro foi o Chile. Logo depois a Colômbia, que ainda está em processo de adesão.

Qual o cenário para o Brasil atualmente?

A expectativa atual é de que os Estados Unidos avancem no apoio ao Brasil na OCDE. Com a confirmação de Trump em seu Twitter, o governo brasileiro se vê otimista quanto ao futuro. Agora, resta esperar pelo fim do conflito de interesses entre Europa e Estados Unidos.

Para o Brasil, o melhor cenário continua sendo aquele no qual os seis países aderem à organização em conjunto, defendido pela Europa.

E você, o que acha desse conflito de interesses? Deixe nos comentários sua opinião.

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