Índices dos mercados de ações da China reagem positivamente, com sinalização de recuperação econômica do país, mesmo após divulgação de queda do PIB.

A China através do NBS (Escritório Nacional de Estatísticas), divulgou na ultima quinta-feira (16),  números referentes ao desempenho econômico no país durante o primeiro trimestre de 2020.

A segunda maior economia do mundo sofreu uma queda de 6,8% do PIB, consequência direta da pandemia de COVID-19.

O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de tudo que um país produz de bens e serviços em um determinado período, usado para medir o ritmo da atividade econômica do local. Também podemos nos referir ao PIB como “renda” ou “demanda agregada

Contudo, a China viu ocorrer um encolhimento do seu PIB entre janeiro e março, em comparação com o mesmo período do ano passado.

Portanto, essa queda põe fim a uma sequência de crescimento que durava décadas, desde 1992, quando o país começou a  divulgar dados trimestrais oficiais do PIB.

A economia foi forçada a paralisar no final de janeiro, quando a epidemia iniciada em Wuhan se espalhou por todo o país. Porém, o país permaneceu fechado por boa parte de fevereiro, com fábricas e lojas fechadas e trabalhadores presos em casa.

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Números do PIB em queda:

De acordo com as estimativas, o PIB da China, após acentuada queda, manteve-se em 2,9 trilhões de dólares no primeiro trimestre de 2020.

Exclusivamente, o valor agregado do setor primário (agricultura, mineração) teve uma queda de 3,2%. Em seguida, o secundário (indústria) de 9,6%, e o setor terciário (serviços, comércio) registrou recuo de 5,2%.

Ainda, a produção industrial caiu 8,4% no primeiro trimestre. Em março, registrou queda de 1,1%, sinalizando uma otimista recuperação.

O investimento em ativos fixos da China caiu 16,1%, cerca de 1,19 trilhão de dólares no primeiro trimestre. Isto é, o capital gasto em infraestrutura, propriedades, máquinas e outros ativos físicos.

Igualmente, as vendas no varejo caíram 19% no primeiro trimestre. As vendas de bens de consumo caíram 15,8% em março, enquanto as vendas on-line de bens físicos aumentaram 5,9%.

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O choque da demanda interna foi enorme. Mostra que, mesmo após os bloqueios terem sido suspensos, as pessoas são cautelosas em consumir.

O país está enfrentando novas dificuldades e desafios na retomada do trabalho e da produção. Positivamente, a taxa de desemprego pesquisada declinou em março, para 5,9%, ante o recorde de 6,2% de fevereiro.

No entanto, a atividade comercial ainda não voltou ao normal, especialmente nos setores de serviços. Quase todas as grandes empresas industriais retomaram o trabalho. Enquanto isso, a taxa de retorno ao trabalho para pequenas empresas superou 80%.

Recuperação do PIB como objetivo

O governo chinês intensificará políticas macroeconômicas para compensar o impacto da pandemia de coronavírus dado que sua economia enfrenta desafios sem precedentes.

Juntamente com tornar a política monetária prudente mais flexível e a política fiscal proativa mais eficaz, de acordo com a reunião presidida pelo presidente Xi Jinping.

Para apoiar a “economia real”, especialmente as pequenas e médias empresas, o governo usará ferramentas como cortes na taxa de compulsório, cortes nas taxas de juros e re-empréstimos.

O principal planejador econômico aprovou oito projetos de investimento em ativos fixos, com um investimento total de cerca de 11 bilhões de dólares em março. Os projetos foram principalmente em indústrias de energia e transportes.

Além disso, o mercado de ações adicionou 1,89 milhão de novas contas de negociação em março. Apesar do coronavírus causar volatilidade do mercado, foi a maior adição este ano.

Do mesmo modo, o Banco Central continuará apoiando as instituições financeiras na emissão de títulos de capital, melhorando a adequação do capital do setor bancário e aumentando sua capacidade de concessão de crédito, em uma tentativa de facilitar o acesso à economia real.

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Com a falta de demanda externa, é necessário estimular o potencial de consumo interno estimulando os gastos dos consumidores e aumentando os gastos públicos.

Mercados esperançosos

De antemão, os investidores se mostram aliviados com a sinalização de uma recuperação apoiada pelo Estado, vindo no segundo trimestre, de acordo que a ordem social é restaurada aos poucos.

As ações do país fecharam em alta na sexta-feira (17), o índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, avançou 0,98%, enquanto o índice de Xangai teve alta de 0,66%.

Assim, em contrapartida, durante o ano, as ações chinesas sofreram consecutivas quedas, causadas pelos impactos do coronavírus, em Xangai recuo foi de 9,8% no primeiro trimestre, enquanto o CSI300 caiu 10% no trimestre.

Ainda, uma pesquisa realizada pela Reuters, mostrou que o crescimento do PIB anual da China deve desacelerar acentuadamente para 2,5% em 2020, frente aos 6,1% em 2019.

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Participação da China no PIB Mundial

Atualmente, o país é o principal importador de commodities (bens com pouco valor agregado) no mundo. Economias de países exportadores como o Brasil, são sensíveis à queda do PIB da China.

Entre janeiro e fevereiro, a queda nas importações chinesas foi de 4% em relação ao mesmo bimestre em 2019

Já as exportações, despencaram 17,2% nos meses de janeiro e fevereiro de 2020. A disseminação do vírus no exterior levou a uma queda na demanda pelas exportações da China.

A China é a maior exportadora do mundo, tendo seu foco em itens manufaturados, prontos ou em peças além de outras tecnologias.

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