Depois de quase uma semana de espera, Joe Biden foi eleito o novo Presidente dos Estados Unidos.

Diante disso, é importante entender como esse resultado impacta o Brasil e sua política externa.

Para mais, nota-se que essa eleição pode também afetar as eleições de 2022 no país. Portanto, se quiser saber mais sobre o tema, continue lendo!

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Este artigo faz parte de uma série de artigos sobre as eleições nos EUA. Para ler os outros, clique aqui.

Biden e Brasil: quais as mudanças?

As eleições para presidente dos EUA geralmente não chamam tanta atenção no Brasil.

Todavia, no atual governo de Jair Bolsonaro, as coisas mudaram. Isso ocorre, pois, o brasileiro fez do alinhamento com Donald Trump uma peça central de sua política externa.

Em vista disso, a vitória de Biden pode impactar de diversas formas o Brasil. Tendo em vista que o democrata possui opiniões contrárias aos de Trump e Bolsonaro.

Em primeiro lugar, talvez nem tudo mude, uma vez que o Biden entende que o contato com o Brasil é importante para a guerra tecnológica emergente entre Washington e Pequim.

Já tratamos várias vezes sobre o conflito entre EUA e China. Para ler mais sobre, clique no botão abaixo:

Para mais, os esforços para facilitar os laços comerciais entre os dois países podem continuar sob um governo Biden.

Porém, comparada às principais questões da política externa dos Estados Unidos, a política do Brasil não está entre as pautas mais cruciais. 

Sendo assim, o Brasil pode ficar bem longe na lista de prioridades do novo governo dos EUA.

Todavia, no que diz respeito às mudanças climáticas, os dois governos podem vir a ter conflitos, pois esse é um tópico que Biden tem como prioridade.

Portanto, a agenda da Amazônia pode vir a se tornar mais relevante no cenário internacional, por exemplo.

Com Biden eleito, o esperado é que surja um novo começo para as relações EUA-América Latina, como acontece com a maioria das outras questões de política externa.

Dessa forma, ele pode vir a mudar o curso da política de Cuba. Ainda mais, revisar a forte política de imigração dos Estados Unidos, proposta pro Trump.

Assim sendo, essas ações podem vir a provocar fragilidades na relação com Jair Bolsonaro. 

Do mesmo modo, a eleição de Biden pode abrir espaço para que o Brasil volte a praticar o multilateralismo. Ou seja, estabelecer relações internacionais com vários países, conforme nossos interesses.

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A eleição de Biden pode impactar as eleições de 2022 no Brasil?

Nos últimos anos, a politica internacional foi marcada por uma onda de partidos e eleitores de direita.

Clique no botão abaixo para ler nosso texto sobre as principais diferenças entre direita e esquerda!

Nesse contexto, Trump e Bolsonaro foram eleitos com pautas muitas vezes baseadas em discursos afins. Como a forte repressão a imigrantes ilegais, a exploração de recursos naturais pela economia e posições contra a China.

Com isso, alguns tópicos começaram a ocupar posições secundárias. Direitos Humanos, questões ambientas, pautas LGBTQI+, movimentos sociais, são exemplos disso.

Todavia, com a eleição de Biden, esse cenário pode vir a ser alterado, visto que o atual presidente possui pautas que mais progressistas e coletivistas.

No passado, Biden já posicionou a preservação da Amazônia como pauta prioritária de sua política externa, por exemplo.

Dessa forma, pode ser que partidos e eleitores de esquerda voltem a ganhar força no Brasil.

Porém, ressalta-se que Biden não é de esquerda. Ele continua sendo de direita, apenas com pautas mais voltadas para o social-liberalismo.

Sendo assim, é necessário ter em mente que os EUA se caracterizam como uma grande potência, que se preocupa majoritariamente com os seus próprios ganhos.

Para mais, também é um país marcado pelo seu caráter expansionista, ou seja, toda ação deriva de algum interesse, seja ele econômico ou politico.

O que podemos esperar?

Portanto, conclui-se que a relação EUA-Brasil não será rompida ou sofrerá alterações drásticas.

Todavia, Biden possui fortes compromissos assumidos de defesa de direitos humanos, meio ambiente, igualdade de gênero.

De olho na eleição, governo brasileiro já tenta se aproximar de Joe Biden |  Exame

Por outro lado, Jair Bolsonaro não possui muitas pautas voltadas para esses temas. Isso ocorre uma vez que a prioridade do governo hoje é a economia.

Com isso, é possível que ocorram mudanças, que de certa forma, sejam significativas.

Ou seja, essas diferenças podem impactar nessa relação que vinha sendo construída por Trump e Bolsonaro. Ainda mais, é possível que, em prol dessas pautas, Biden não concorde 100% com os laços comerciais estabelecidos entre o Brasil e os EUA.

Por isso, é preciso ficar de olho nas relações comerciais entre ambos governos. Da mesma forma, como elas podem afetar nosso balanço de pagamentos e o preço do dólar.

Ainda mais, é preciso ficar de olho nas próprias eleições, que devem se estender por mais algumas semanas. Isso, porque Trump decidiu pedir uma recontagem dos votos. Dessa forma, a justiça deverá ser envolver na recontagem.

Isso já aconteceu antes, em 2000, quando George W. Bush foi eleito.

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