Desde o início do século 21, muito se fala sobre a desindustrialização brasileira. Este fenômeno vem preocupando economistas de todas as vertentes ao redor do país.

Por isso, hoje o Boletim resolveu te contar o que é a desindustrialização brasileira e porque este assunto importa tanto. Porém, antes de falarmos da desindustrialização, precisamos entender o que é a industrialização.

O que é industrialização?

Antes de mais nada, industrialização é um processo de desenvolvimento econômico. Embora o conceito exista desde os primórdios, atualmente ele é usado para conceituar algo específico.

Sendo assim, nesse cenário a industrialização passa a ser o processo pelo qual a indústria se torna a fonte primária de uma economia.

Acima de tudo, vale ressaltar que a indústria é formada por bens industrializados ou, ainda, manufaturados. Desse modo, quando um país não é industrializado, sua principal fonte econômica são as commodities.

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O que é desindustrialização?

A desindustrialização é o processo contrário ao explicado acima. Sendo assim, nesse fenômeno os países que estavam conseguindo se industrializar começam a perder investimentos, desenvolvimento e lucros no setor industrial.

Quais fatores podem levar à desindustrialização?

Muitos fatores podem contribuir com este fenômeno. Dentre eles, estão:

  • Inflação: com a alta dos preços, os equipamentos e maquinários demandados pela indústria ficam mais caros;
  • Taxa de câmbio muito valorizada: os produtos internacionais ficam mais baratos e as pessoas passam a importar em vez de comprar nacionalmente, o que prejudica também o balanço de pagamentos;
  • Doença holandesa: com a alta das commodities, o país passa a receber muita moeda estrangeira e sua taxa de câmbio valoriza. Assim, as commodities passam a ser mais importantes para a economia, e a indústria sofre com a falta de investimentos e incentivos;
  • Abertura comercial: quando a abertura comercial é mal feita e planejada, as indústrias exteriores podem destruir a indústria nacional;
  • Aumento de renda das famílias: quanto mais renda as famílias possuem, mais elas gastarão em serviços que em bens (industrializados).

Como vem ocorrendo este fenômeno no Brasil?

Nos últimos anos, muitos economistas têm se preocupado com a queda da indústria no Brasil.

Os números mostram que ao longo da última década, principalmente, os investimentos na indústria brasileira caiu consideravelmente.

Segundo o professor de economia Uallace Moreira, a crise na indústria se acentuou, principalmente, em 2019. É o que mostram os números coletados pelo Banco Central.

De acordo com o BC, entre 2011 e 2018 a indústria brasileira arrecadava 34,6% do total de investimento direto externo do país. Entre 2019 e junho de 2020, esse número caiu para 22,7%.

A desindustrialização brasileiraFonte: Banco Central do Brasil

Qual a participação da indústria na economia brasileira?

Nas últimas duas décadas, a participação da indústria brasileira representou cerca de 20% da atividade econômica, sempre se mantendo acima dos 15%. Em 1970, este número já era de 21,4%.

Segundo o gráfico do El País, em 2005 a indústria brasileira possuiu seu maior porcentual desde 2000, chegando a 28,5%.

Indústria brasileira pibFonte: El País Brasil

No entanto, em 2019 a indústria representou apenas 11% da atividade econômica no Brasil. 

Ainda mais, a desindustrialização brasileira foi a terceira maior entre 30 grandes economias no mundo desde 1970. Segundo o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial, a participação do setor industrial no PIB brasileiro caiu de 21,4% para 12,6% nos últimos 50 anos.

Com isso, o país teve a terceira maior retração industrial do mundo, ficando atrás apenas de Austrália e Reino Unido.

Quais os motivos da desindustrialização?

Os economistas ainda divergem muito sobre as causas da desindustrialização brasileira. No entanto, alguns apontam fatores como os choques econômicos vividos pelo mercado nacional nos anos 1980 e a abertura comercial nos anos 1990.

Ainda mais, pode-se citar também o abandono das políticas econômicas voltadas para o desenvolvimento e a utilização da taxa de câmbio para deter a inflação nos anos 1990, durante o Plano Real. A taxa de câmbio só deixou de ser utilizada para este fim com o início do tripé macroeconômico no Brasil.

Além disso, na década de 2000 o Brasil teve um aumento súbito nas vendas de commodities, dado o boom de commodities que fez com que estes produtos ficassem em alta durante muitos anos.

Já na década de 2010, o Brasil passou a enfrentar uma grave crise econômica, que diminuiu os investimentos externos no país, fazendo com que fosse ainda mais difícil recuperar sua indústria.

Vale notar, também, que o Brasil é um país primário-exportador. Desse modo, o agronegócio (e as commodities, principalmente), comandam a pauta exportadora do país. No entanto, agronegócio e commodities não se dão bem com a indústria, como foi mostrado ao longo do texto.

Agronegócio

Existem, porém, países que possuíam economia predominantemente agroexportadora, mas que conseguiram se industrializar. O caso de mais sucesso é a Coreia do Sul. Atualmente, a indústria representa 35,1% do PIB sul-coreano, e emprega quase 30% dos trabalhadores sul-coreanos.

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