Nos últimos dias viralizou uma série de publicações nas redes sociais aqui no Brasil, onde glorificavam o Ministro da Economia, Paulo Guedes, por uma jogada de mestre realizada por ele.

Tudo isso tem a ver com a desvalorização do real, as reservas internacionais do Banco Central, e um pouco da crise do Coronavírus.

Ficou interessado? Vem comigo que eu te explico tudo!

Lei de equalização cambial

Antes de mais nada, temos que voltar um pouco no tempo e entender a lei de equalização cambial. Essa lei foi instituída em 2008, e ela se resume na seguinte troca.

O Banco Central do Brasil, ou Bacen, constituí de uma reserva de moeda internacional. Dessa forma, com a volatilidade do nosso câmbio, essa reserva pode ser mais valorizada ou menos valorizada.

Mas, como assim?

Vamos supor que o Bacen tem uma reserva de 100 bilhões de dólares. Quando o dólar está valendo 1 real, essa reserva também vale 100 bilhões de reais. Por outro lado, quando o dólar vale 5 reais, essa reserva vale 500 bilhões de reais.

E foi isso que aconteceu, o dólar está a 4,85 reais, e começou o semestre valendo mais ou menos 4,00 reais.

Dessa forma, até maio de 2019, todo semestre que essa volatilidade aumentava as reservas do Banco Central, ou seja, quando o real desvalorizava, o Bacen passava esse “lucro” para a União através do Tesouro Nacional.

Porém, a recíproca é verdadeira, quando as reservas do Bacen diminuía, o Tesouro “pagava” esse “prejuízo” para o Banco Central.

Dessa forma, isso aconteceu entre 2008 até 2019, quando o governo Bolsonaro passou uma lei, na qual todo o lucro dessas reservas do Bacen não iria mais para o tesouro, e sim ficaria em uma reserva do próprio Banco.

bank GIF by South Park Brasil

Banco Central prestes a se tornar independente?

Como então o dinheiro será usado?

Porém, por que o pessoal está falando que o Guedes ganhou para o Brasil 500 bilhões com essa flutuação de câmbio, sendo que ele teoricamente não pode usar esse dinheiro?

É ai que entra uma brecha dessa mesma lei passada pelo governo. Essa tem um artigo na qual o Tesouro poderia resgatar a reserva quando “severas restrições nas condições de liquidez afetarem de forma significativa o seu refinanciamento.” 

Dessa forma, vamos entender o que é esse refinanciamento. “De vez em quando” o governo não consegue pagar suas despesas com o que foi arrecadado. E para pagar tudo ele emite títulos da dívida pública.

Porém, o governo tem que pagar essa dívida e, caso ele não tenha recursos para pagar ele pega um empréstimo, trocando uma dívida antiga por uma nova, esse é o refinanciamento.

Quem decide se o Tesouro pode pegar ou não essa reserva do Bacen é o Conselho Monetário Nacional. Ele é composto pelo Ministro da Economia, e também é composto pelo Secretário da Fazendo e o presidente do Banco Central.

Ou seja, teoricamente é o próprio Paulo Guedes que decide se vai usar o dinheiro ou não, mas é claro que ele deve dar uma justificativa.

CMN passará a ter nova composição durante governo Bolsonaro ...

Os prós e os contras do juros baixo

Paulo Guedes “operou” o mercado?

Não consigo te afirmar se ele operou ou não o mercado financeiro. Porém, por mais que uma injeção de 500 bilhões no Tesouro seja animador, temos que pensar que isso não é função de um Ministro da Economia, e nem do Banco Central.

Se fosse tão fácil assim, era só o país desvalorizar a moeda sempre que essas reservas de dinheiro sempre irão aumentar.

Do mesmo modo, instabilidade da moeda pode ser um dos motivos de uma grande crise econômica, e, não pense que isso só prejudica quem compra dólar para viajar para fora não.

Se você quiser saber como o dólar influencia no seu dia a dia, clique no botão abaixo

Ou seja, poderia ser uma irresponsabilidade sem tamanho aumentar o dólar apenas para conseguir uma grana extra.

Também não podemos negar que uma grana extra nesse momento de crise econômica e sanitária cairia muito bem no Brasil, não é mesmo?

Compartilhe com seus amigos para eles entenderem essa possível jogada do Ministro da Economia!