Em meio ao surto do coronavírus, vemos, além de notícias sobre a pandemia, anúncios da crise econômica que será consequência da doença e das medidas restritivas para a contenção desta.

Assim, nesse post, discutiremos sobre a postura que os governos vêm adotando quanto a essa crise financeira e a sua inspiração no Plano Marshall para a solução.

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Dessa forma, será abordado o que foi o Plano Marshall e porque e como ele é ressuscitado na crise causada pela pandemia.

O que foi o Plano Marshall

Após o fim da 2ª Guerra Mundial, em 1945, os países europeus encontravam-se devastados. Além do grande número de mortes, muitos dos seus parques industriais haviam sido destruídos por inteiro, abalando severamente sua capacidade produtiva.

Nesse contexto, foi criado, pelos EUA, o Plano Marshall que visava reavivar a economia e trazer estabilidade social à Europa por meio de uma ajuda financeira.

Doutrina truman

Essa ajuda dos Estados Unidos veio em forma de uma ação governamental planejada que garantiu uma contribuição estável para 17 países.

Como resultado, a economia europeia pôde ser reaquecida. E o mais importante é que esse plano, por meio da disponibilidade de recursos, garantiu que esses países não entrassem em uma disputa destrutiva por fundos.

O Plano Marshall e o Coronavírus

Todavia, apesar de o cenário atual não ser o de o fim de uma guerra mundial, os casos de coronavírus alastrados pelo o mundo todo também têm destruído a economia de muitos países.

Isso se dá principalmente por causa das medidas restritivas para conter a proliferação da doença, além do próprio risco que o Coronavírus traz à saúde.

Essas medidas implicam na baixa circulação de pessoas e produção das fábricas, o que desacelera a economia do mundo.

Já escrevemos sobre as consequências econômicas do coronavírus aqui no Boletim Econômico, para saber mais, clique aqui.

Assim, em meio a essa crise, o Plano Marshall tem sido lembrado e ressuscitado em dois aspectos como solução para a crise financeira que já acontece e irá piorar ainda mais.

1. OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico)

Em referência a ação governamental coordenada que foi o Plano Marshall, o secretário geral da OCDE, Ángel Guírria, aconselhou que países também adotem essa ação que coordena os gastos do governo nos diferentes setores para amortecer os impactos negativos da pandemia.

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Por consequência, diversos países têm implementado em sua política programas de estímulo à economia com pacotes para a saúde, negócios e trabalhadores.

Dessa maneira, veremos o exemplo das ações que os EUA e o Brasil vêm adotando.

Estados Unidos 

Nesta terça feira (24), o Congresso dos Estados Unidos e a Casa Branca anunciaram o pacote de US$ 2 trilhões para o socorro de sua economia

Esse pacote é o maior já visto na história no país, e assim, organizamos aqui o fluxo de capital planejado para cada setor:

Brasil

Além dos Estados Unidos, a OCDE sugeriu ao Brasil que expandisse também os seus  gastos públicos para sair da crise.

Por meio da carta enviada ao Brasil, a organização apontou que é necessário uma resposta fiscal (de aumento de gastos) “ousada, abrangente e transfronteiriça”.

Portanto, o país é aconselhado a injetar dinheiro na sua economia. Do mesmo modo, a facilitar os prazos de pagamentos para as empresas, famílias, bancos, médios e pequenos negócios, que são o motor da economia.

O Brasil já anunciou um empréstimo para as empresas do país, e já escrevemos sobre isso aqui.

Assim, esses setores não terão que se preocupar tanto assim com o pagamento de suas dívidas, impostos, hipotecas, finanças e outros, por exemplo.

Nessa quarta feira (24), governo anunciou o auxílio de R$ 600 para trabalhadores autônomos. Já escrevemos sobre isso, clique aqui.

2. A ONU 

O Plano Marshall além de ser referência para os gastos organizados na economia vistos acima, também inspira a estratégia solidária que ONU planejou.

Assim, por meio de um relatório da UNCTAD (órgão da ONU para comércio e desenvolvimento), essa organização pediu um pacote de US$ 2,5 trilhões para ajudar os países em desenvolvimento nessa crise de saúde e econômica.

Nesse relatório, revelou que dois terços da população mundial, tirando a China, mora nesses países, além de ressaltar os impactos da crise nestes, como:

  • Aumento de juros dos títulos públicos;
  • Declínio das receitas do turismo;
  • Depreciação da moeda;
  • Fuga de capitais;
  • Perdas nos ganhos com exportações;
  • Queda do preço de commodities.

ajuda-financeira - Projeto DSD

Por conseguinte, a ONU propõe uma estratégia, com o apoio do G20, para que essa ajuda possa ser posta em prática com as demandas abaixo.

A estratégia 

  • Injeção de liquidez de US$ 1 trilhão por meio da realocação de direito de saque já existente no FMI (Fundo Monetário Internacional) para que os países mais afetados sejam prioridade.
  • Congelamento no pagamento da dívida desses países.
  • Plano Marshall para a recuperação da saúde. Financiada pela assistência ao desenvolvimento (ADO), esse plano prevê a doação de US$ 500 bilhões adicionais, com a maior parte na forma de subsídios para serviços de emergência em saúde e programas de ajuda social.
  • Controle de capital para deter as quedas nos preços das moedas e ativos.

Com isso a ONU reafirma a fragilidade e incapacidade financeira dos países em desenvolvimento quanto a crise econômica que cresce no mundo todo. Por outro lado, coloca a ação de solidariedade como uma “ação efetiva”.

Assim, o Plano Marshall pode ser ressuscitado com o coronavírus?

Vimos, então, que atualmente os países mais avançados têm feito ações governamentais de expansão e planejamento dos gastos para estimular a economia.

Em contrapartida, a ONU procura ajudar os mais sensíveis com um pacote econômico, dessa forma dois aspectos essenciais do que foi o plano, estão sim sendo relembrados no mundo.

Assim, a crise do coronavírus deixará grandes marcas na economia mundial, e você, agora já entendeu a ação que os governos e as organizações têm tomado quanto a isso.

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