A queda de braço entre dois dos maiores produtores de petróleo do mundo, Arábia Saudita e Rússia, gerou instabilidade nos mercados de ações e crise nos preços do petróleo.

Vamos conversar um pouco mais sobre isso?

Coronavírus e a inundação de petróleo

Desde já, sabemos que a pandemia de COVID-19 tem resultado uma desaceleração econômica global.

Devido às paralisações na produção e na queda da demanda por commodities, principalmente o petróleo.

No dia 6 de março, a Organização dos Países Produtores de Petróleo e seus aliados (OPEP) e a Rússia, reuniram-se a fim negociar um freio na produção, cerca de 1,5% da oferta global.

Mas, surpreendentemente, a Rússia recusou os cortes na produção de petróleo sugeridos pela OPEP. Isto, pois, o corte não vantajoso para o país, visto que o petróleo alto propicia a concorrência com os produtores do óleo de xisto na América do Norte, conhecida por sua exploração cara e poluente.

O petróleo corresponde a 65% das exportações russas e cerca de 40% do orçamento federal são originarias dos royalties vindos da produção.

Em contrapartida, a Arábia Saudita reagiu aumentando a sua produção e ofertando óleo bruto com desconto. Assim, a Arábia pretende exportar mais como forma de compensar os baixos preços.

O país é o maior exportador da commodity do mundo e produz cerca de 9,7 milhões de barris por dia (mbd), abaixo da capacidade máxima de  12 mbd.

A China, entretanto, o maior importador mundial de petróleo, tem comprado petróleo a preços baratos para estocagem para uso futuro, quando os preços subirem.

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Consequências nas ações das petrolíferas:

Na segunda (9), primordialmente, o óleo Brent abriu o pregão em queda de mais de 30%, derrubando o preço para perto de  30 dólares por barril.

Foi a maior desvalorização desde a guerra do golfo, em 1991.

Já o óleo natural WTI, negociado em Nova York, caiu 24,4%, para US$ 20,37 por barril, a menor em 18 anos.

Com queda acumulada de 56%, a cotação americana acumula a pior sequência de dez dias desde o início das negociações do contrato, em 1983.

O índice de petróleo e gás, dois índices da Europa, caíram 7,3%, com os preços da commodity em queda livre depois da Arábia Saudita ter iniciado uma guerra de preços.

As ações da Saudi Aramco na bolsa Tadawul de Riad estão sendo negociadas abaixo de US $ 8,50 por ação.

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No ano, o petróleo teve uma desvalorização de quase 50%

Fonte: Bloomberg

Petrobrás e o preço para o consumidor:

Desde já, todo esse caos global, tem sido extremamente prejudicial à saúde financeira da maior empresa estatal do país, Petrobrás.

Ainda mais, o preço das ações da empresa (PETR3 e PETR4) na Bolsa de São Paulo vem sofrendo continuas quedas ao longo deste ano, chegando a 57% de retração.

Para além do mercado financeiro, esta queda global no preço do barril de petróleo é, também, prejudicial à economia do estado brasileiro, caso ela seja prolongada.

Como resultado, tem-se a redução da arrecadação de tributos dos Estados e Municípios, que fazem suas receitas com o dinheiro vindo do ICMS. Em especial, o Rio de Janeiro perde na coleta de royalties vindos da Petrobras. Assim, podendo agravar ainda mais a crise no Estado.

Enquanto isso, a Petrobras já repassou às refinarias oito reduções de preços consecutivas neste primeiro trimestre do ano, acumulando uma queda de 40,05%.

Porém, preço médio nacional do combustível teve redução apenas de 2,1%, mantendo-se em R$4,486, uma redução de apenas R$0,10 em comparação com janeiro.

Portanto, o repasse para o consumidor não é imediato, diversos fatores podem manter o preço atual, como consumo de estoques, impostos e mistura de biocombustíveis.

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