Em 2016, o Peru elegeu Martín Vizcarra vice-presidente. Vizcarra fazia parte da chapa encabeçada por Pedro Pablo Kuczynski, pelo partido “Peruanos por el Kambio“. Em 2018, Vizcarra tomou a posse presidencial após a renúncia de seu colega de chapa.

Logo depois de tomar posse, o político foi acusado de receber propinas em 2013 e 2014 pela Promotoria peruana. Com isso, no dia 9 de novembro de 2020, o Congresso do Peru decidiu a favor do impeachment de Martín Vizcarra, pelo crime de “incapacidade moral permanente”.

Como se deu o início da crise política no Peru?

Logo após a destituição de Vizcarra, o chefe do Congresso, Manuel Merino, assumiu como presidente interino do Peru.

O novo presidente interino tomou lugar sendo aclamado por alguns, e chamado de “golpista” por vários outros, que defendiam o ex-presidente.

Ainda mais, os defensores de Vizcarra gritavam que o que ocorria era um “golpe de estado disfarçado”. Algo parecido ocorreu na Bolívia, em 2019. Para ler mais sobre, clique aqui.

Desse modo, o impeachment de Vizcarra foi o estopim para que o Peru entrasse em crise. Uma crise, até então, sem precedentes.

Peru

Vários apoiadores do ex-presidente foram às ruas. Os protestos tomaram os bairros e as cidades do Peru. Dessa forma, os policiais foram acionados e, pouco tempo depois, a violência de agravou.

De acordo com o jornal El País, entre os dias 10 e 15 de novembro, duas pessoas morreram e dezenas ficaram gravemente feridas. 

A situação no sábado (14) se agravou de modo que o novo chefe do Congresso, Luis Valdez, pediu a renúncia do presidente interino Merino. Sendo assim, de acordo com Valdez, se Merino não se afastasse, o Congresso estudaria também o seu impeachment.

Mais uma renúncia?

Após o pedido do Congresso, no dia 15 de novembro, o Peru sofreu mais uma renúncia. Desse modo, o ex-presidente interino Manuel Merino renunciou ao cargo. 

O anúncio surpreendeu os apoiadores de Merino, que temiam um agravamento da crise política.

política no peru
Michel Temer em 2017, que ao contrário de Merino, não renunciou

Embora Merino fosse considerado legítimo pelo Congresso nos primeiros dias, a população peruana foi contra sua posse. A sociedade civil considerou Manuel Merino ilegítimo.

Da mesma forma, o mundo não reconheceu a posse. As organizações internacionais se distanciaram do governo interino, e não o aprovaram.

Desse modo, o Peru retirou do cargo, em menos de uma semana, 2 presidentes. 

Novo presidente interino e futuro do Peru

Com a posse de Merino, o Peru passou mais de 24 horas sem um presidente. 

Durante esse dia inteiro, o país passou por protestos e violência nas ruas. O povo clamava por uma opção que fosse ao menos mais aceita que Merino. 

Sendo assim, depois de longas discussões no Congresso durante mais de um dia, um novo interino foi aprovado. 

Francisco Sagasti – Wikipédia, a enciclopédia livre
Francisco Sagasti

Com isso, Francisco Sagasti é o novo presidente do Peru. O terceiro a ocupar o cargo em menos de uma semana possui uma longa carreira política.

Sagasti possui 76 anos e é engenheiro. Já trabalhou no Banco Mundial e se considera de centro-liberal.

Ele ocupará o cargo até julho de 2021, quando novas eleições serão feitas. Ainda mais, espera-se que Sagasti consiga acalmar o povo do Peru, dando fim aos protestos.

E quanto ao Brasil e a América Latina?

Na última quarta-feira (18) o Itamaraty reconheceu a posse de Sagasti. Sendo assim, por meio de uma nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores apoiou o novo chefe de Estado do Peru.

É esperado que as relações entre os dois países se mantenham comuns, agora que um presidente com viés liberal ocupa o cargo no Peru. Além disso, outros líderes mundiais reconheceram Sagasti, o que não aconteceu com Merino.

No entanto, a crise no Peru não acontece isoladamente. Nos últimos cinco anos, a política da América Latina sofreu grandes reviravoltas e discussões. 

No Brasil, o impeachment em 2016 deu início à uma polarização da população. Logo após, o Chile, a Argentina e a Bolívia também se viram em turbulências políticas. 

Na última semana, a Guatemala começou a presenciar esse cenário, quando o Congresso do país foi queimado pelo povo, após discussões econômicas.

A instabilidade política na América Latina não é de hoje. E com certeza não acabará em pouco tempo. A nós, cabe observar e analisar como isso pode se estender. 

E você, o que achou da crise no Peru? Comente sua opinião abaixo e envie esse post para seus amigos!