Todos os dias nos jornais você deve estar acostumado a escutar a palavra que é o terror da equipe econômica do governo: “Déficit”.

Como resultado da enxurrada de números, comentários e estatísticas, você ficou sem entender nada?

Relaxa!

Nós vamos te ajudar a entender o conceito econômico de déficit primário e déficit nominal, e principalmente, vamos te falar por que é importante você conhece-los. 

O que é Déficit?

A princípio, o significado da palavra déficit é “aquilo que falta para completar determinada quantidade de numerário ou determinada conta“.

As finanças do governo funcionam basicamente como as finanças das empresas e das pessoas. Dessa forma, ele possui sua receita e suas despesas como qualquer um.

Bem como, é necessário todo final de ano contabilizar suas finanças para tomar decisões que garantam a sua saúde financeira. Daí a preocupação do ministério da economia, com o aumento dos gastos diante da pandemia.

Em síntese, déficit é o valor que falta para o governo encerrar seu período (período em que é calculado, anual ou trimestral) com as despesas no mesmo nível da sua receita, ou acima dele.

Dessa forma, temos o contrário de déficit, o superávit, que é quando o governo encerra o período com o nível de gastos mais baixo que suas receitas. 

Déficit primário e nominal

De onde vem então o déficit primário e nominal?

Déficit Primário

O déficit primário é o resultado do exercício do governo, ou seja, o “caixa” do governo naquele ano.

Na economia, utilizamos os conceitos de fluxo e estoque. Imagine uma banheira: fluxo é a água que sai da torneira e estoque é a água que já está armazenada na banheira.

Assim, podemos afirmar que o déficit primário é o fluxo. Ele contabiliza os gastos e as receitas do ano base. 

Déficit Nominal

Por outro lado, o déficit nominal, naquele nosso exemplo, representa a banheira.

Ou seja, ele é o estoque da dívida pública. Isso por que é o resultado do déficit primário somado da dívida do período anterior, mais os juros.

Podemos então perceber a importância do déficit primário.

Uma vez que existe uma dívida do período anterior, é necessário que haja um superávit para diminuir essa dívida. Ou pelo contrário, a dívida do período vai ser acrescida do montante anterior, tornando cada vez mais difícil diminuir essa dívida.

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Muitos países tomam medidas como privatizações e reformas administrativas para reduzirem a dívida total.

Colocando no papel

É importante falarmos sobre o conceito econômico por trás dessa expressão. Ou seja, o bom e velho Economês. 

Qualquer graduando em economia já se deparou com a nossa querida  “Contabilidade Social”.

Essa matéria cai na ANPEC, viu?

Pra você que não sabe. ANPEC é a Associação Nacional dos Centros de Pós-Graduação em Economia. É o exame que você faz depois que forma na faculdade (qualquer curso) para entrar numa pós-graduação ou mestrado em economia. 

Voltando um pouco, estávamos falando sobre a contabilidade social na macroeconomia. Dessa forma, ela nada mais é do que o estudo dos dispêndios.

Dispêndio só quer dizer “gasto”. 

As contas nacionais

Diante disso, a contabilidade social estuda todo o conjunto de gastos da economia. Ela nos dá as contas nacionais, que utilizamos para encontrar o Produto Interno Bruto (PIB). 

Se simplificarmos as coisas, temos então:

Y = C + I + G + NX

  • Entenda mais sobre o que é o PIB clicando aqui

Onde:

  • Y = Produto Interno Bruto
  • C = Consumo 
  • I = Investimento
  • G = Gastos do governo 
  • NX = Balança comercial

Como nosso assunto é sobre as contas públicas, vamos focar apenas nos Gastos do Governo. Esses incluem saúde, educação, obras públicas, folha salarial, etc. Adicionamos ainda as transferências governamentais (Tr), tudo que sai dos cofres públicos. 

Da mesma forma, o governo também arrecada. A receita do governo vem em forma dos tributos (T), os impostos que as pessoas e as empresas pagam.

Numa conta simples, podemos afirmar que receitas menos despesas resultam na renda líquida. Logo, temos que a receita líquida do governo é:

Receita líquida = T – G – Tr

Se adicionarmos o investimento feitos pelo governo, I(g), temos:

Receita líquida =  T – G – Tr – I(g)

Do mesmo modo, se rearranjarmos os termos, temos então:

Déficit primário = G + Tr -T + I(g)

Como resultado, chegamos no déficit primário do governo, que nada mais é do que o resultado do período. Ele representa a torneira (o fluxo).

Matematicamente temos que se o resultado for positivo, o governo gastou mais do que arrecadou.

Se adicionarmos o conceito de déficit público e juros da dívida, temos o déficit nominal:

Dg t – Dg (t-1) = [G + Tr -T + I(g)] + iDg (t-)

Onde:

  • [Dg t – Dg (t-1)] = Déficit público
  • Dg t = Dívida pública no período
  • Dg (t-1) = Dívida pública no período anterior
  • iDg (t-1) = Juros da dívida do período anterior

Ou Seja, o déficit nominal, ou Necessidade de Financiamento do Setor Público (NFSP), mede a variação da dívida total do governo em termos nominais. 

Qual a importância desse conceito?

Lembra que na introdução eu te falei que ia explicar a importância disso? Então, vamos lá.

O cálculo do déficit tem a mesma importância para o governo quanto tem para as famílias e as empresas. O que no caso, significa fazer o balanço das suas receitas e despesas pra ver se está gastando muito ou se tem dinheiro sobrando. 

Ou seja, o resultado dessa conta é colocado na balança sempre que algum político pensa em aumentar ou diminuir os gastos. 

Da mesma forma, os índices de endividamento do governo servem para que os investidores e os bancos internacionais vejam se vale a pena ou não investir no país.

No caso de financiamentos internacionais, o nível da dívida pública serve para calcular a taxa de juros a ser cobrada. Como você pode ter imaginado, os juros da dívida aqui no Brasil são bem altos. 

Esse conhecimento é essencial para quando você analisar alguma proposta dos seus candidatos, considerar os dados da dívida do governo. Vale ou não a pena gastar mais agora?

Existem diversas situações em que o governo tem que aumentar seus gastos, como é o caso da pandemia, por isso cada análise tem de ser feita individualmente.

Isso também vale para as contas da sua casa e da sua empresa. 

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