Desde as últimas eleições o assunto que vem tomando conta das pautas principais dos candidatos é a diferença entre esquerda e direita. Ainda mais, a população se torna cada vez mais atenta ao cenário econômico em volta delas.

Esse post tem o objetivo de analisar a diferença do pensamento econômico entre candidatos de direita e esquerda. Além disso, discutir as principais ramificações dos dois movimentos.

O que são direita e esquerda?

Antes de mais nada, é importante estabelecer a diferença entre aqueles que se posicionam como direita ou esquerda. Podemos criar um espectro de características que vão diferir os dois.

Direita e esquerda podem ser sintetizados da seguinte maneira:

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Fonte: Boletim Econômico. Não copiar ou repostar sem os devidos créditos.

Essa tabela é apenas um guia sobre as duas principais linhas de pensamento dos diferentes espectros políticos. Ou seja, policy makers (criadores de políticas públicas), por mais que sejam de direita ou esquerda, podem escolher qualquer uma dessas políticas.

Dessa forma, podemos dizer que aqueles que se dizem de esquerda são mais favoráveis a um sistema de planejamento com o governo no centro. O pensamento também defende que o mercado não deve funcionar livremente e precisa da regulação do governo.

Do mesmo modo, se defende os meios de produção nas mãos das coletividades (Estado, cooperativas, sindicatos e comunidades).

Por outro lado, podemos também afirmar que aqueles que se dizem de direita são mais inclinados a ter uma visão em que o governo não deve interferir tanto nos assuntos econômicos.

Assim, o pensamento de direita defende que o mercado deve funcionar com menor influência possível do governo, e as trocas devem ocorrer livremente.

Semelhantemente, a direita defende que os meios de produção sejam privados e controlados por indivíduos.

Com isso, podemos entender os principais movimentos dentro das duas posições. São eles:

  • Conservadorismo
  • Liberalismo
  • Social-democracia
  • Socialismo
  • Comunismo

Conservadorismo

A princípio, o movimento conservador tem como seu anfitrião Edmund Burke, escritor respeitado que trabalhou com o raciocínio conservadorista na Irlanda.

Edmund Burke e a economia
Edmund Burke

O conservadorismo econômico, assim como o político, defende, antes de mais nada, a preservação das instituições nacionais. O conservadorismo econômico tende a ser protecionista, ou seja, as instituições e indústrias nacionais devem ser preservadas a partir do Estado.

O Estado precisa regular o mercado de forma a não deixar que fatores externos atrapalhem a funcionalidade dele, e preservar a indústria nacional. Porém, as regulamentações devem ocorrer de acordo a preservar o capitalismo.

Conservadores defendem uma indústria nacional forte, de forma que as empresas do país consigam competir internacionalmente e multinacionais não tenham tanta influência nacional.

Liberalismo

Logo após, está o liberalismo. Este movimento é o mais comum e conhecido dentro da direita econômica.

Nomiaeco - Economia: Adam Smith
Adam Smith

O liberalismo se faz perante as fortes leis de mercado do capitalismo

Em vista disso, para os indivíduos desta ramificação, o
mercado deve ser livre, sem regulamentações governamentais
e baseado nas leis de oferta e demanda.

Ademais, os liberais defendem um Estado mínimo, onde cada indivíduo deve ser responsável por si mesmo e políticas públicas devem dar lugar à iniciativa privada. Por isso, os impostos tendem a ser menores e a liberdade das empresas maior.

Do mesmo modo, para os liberais o comércio entre países deve ser livre, as tarifas baixas e as empresas multinacionais devem possuir liberdade operacional.

Assim, dentre os principais pensadores liberais estão Adam Smith, John Stuart Mill e Milton Friedman.

Social-democracia

A princípio, é comum pensarmos que a social-democracia está à esquerda. No entanto, o movimento social democrata está exatamente ao centro das duas vertentes, e se coloca como uma ponte entre a direita e a esquerda.

Deste modo, a social-democracia defende que o Estado precisa suprir as necessidades básicas dos cidadãos (segurança, saúde e educação).

John Keynes e a social-democracia
John Keynes

Com isso, os indivíduos desse movimento acreditam que deve haver um acordo entre Estado e mercado.

Dessa forma, o Estado deve promover o bem estar social e ajudar o mercado a prosperar, e o mercado deve devolver a ajuda de forma a prover bem estar econômico para os cidadãos, gerando empregos e pagando impostos que serão revertidos em políticas públicas.

Os social-democratas tendem a seguir economistas e pensadores como John Maynard Keynes, o pai da macroeconomia, e John Locke, o criador da democracia representativa liberal.

A democracia representativa liberal é de suma importância para o movimento, pois os social-democratas acreditam que todas as classes (empresários e operários) devem ter representações políticas democráticas, por meio do voto. E, através da política e das instituições democráticas, as classes deverão chegar a um consenso.

Socialismo

O socialismo foi uma proposta política criada por Karl Marx, e deveria preceder o comunismo.

O socialismo tem sua base totalmente feita na esquerda, e entende que o Estado, as instituições e os meios de produção devem ser tomados pelo proletariado, ou seja, os trabalhadores.

Assim, o socialismo acredita em um Estado forte, formado por operários, que coloca o bem estar social à frente do mercado.

O mercado deve ser controlado pelo Estado e as instituições privadas devem ser reguladas. O Estado deve fornecer uma grande lista de serviços, não se privando apenas à segurança, saúde e educação. Por isso, os impostos devem ser altos, e revertidos em políticas públicas.

Comunismo

Logo após, Karl Marx propõe a última fase da revolução do proletariado: o comunismo.

A esquerda e a economia
Karl Marx

É preciso fixarmos que o comunismo é oposto ao capitalismo e, desta forma, os meios de produção devem ser totalmente tomados pelo proletariado.

Assim sendo, o comunismo se diferencia do socialismo ao ponto que o comunismo conta com o desaparecimento das classes sociais e do próprio Estado.

Enquanto isso, o socialismo é uma fase da história que tem como objetivo levar a sociedade ao comunismo. No entanto, no socialismo o Estado e as classes sociais ainda se mostram presentes.

Os comunistas acreditam que “se a classe operária tudo produz à ela tudo pertence”. A propriedade privada se torna propriedade pública, e a comunidade deve gerir aquilo que é necessário para sustento. 

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