Segundo os dados do Banco Central, emitidos nesta sexta-feira (30), a dívida pública do Brasil, contabilizada em R$ 6,5 trilhões, é a maior desde 2006. 

Tal valor, que corresponde a setembro de 2020, representa 90,6% do PIB. 

Diante disso, o post de hoje abordará os motivos e as consequências disso. 

Vamos lá?

Bacen: O que é e como funciona o Banco Central do Brasil? dívida pública

O recorde da dívida pública do país 

Devido às consequências da pandemia que ocasionaram a desaceleração do comércio, países do mundo inteiro têm se deparado com o aumento de suas dívidas públicas. 

Assim, esse cenário se repete no Brasil ao apresentar:

  • Aumento de 90,6% do PIB da dívida pública bruta (R$ 6,5 trilhões);
  • Aumento de 61,4% do PIB da dívida pública líquida (R$ 4,4 trilhões)

Esse valor de 90,6% do PIB representa um acréscimo de 1,8 ponto percentual em relação ao mês anterior (agosto). 

Você sabia que o Ministério da Economia tem estimado que a dívida pode chegar a 94% do PIB até o final do ano? 

Logo, vejamos os motivos disso: 

Os motivos 

  • Dívida bruta 

Segundo o chefe do departamento de estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, a dívida bruta tem se mantido em trajetória de crescimento, o que é um reflexo da situação fiscal do país.

Situação fiscal? Com a pandemia, o governo teve um grande aumento nos gastos com 

  • programas emergenciais;
  • linha de crédito para empresas.  

Estatísticas de impacto financeiro | Foto Premium

Dessa forma, para financiar esses gastos, o governo elevou a emissão de títulos públicos e este aumento, em específico, foi o responsável pelo acréscimo de 1,4 ponto percentual em relação ao mês anterior. 

Como assim? Com os títulos, o governo consegue arrecadar capital para financiar seus gastos.

Entretanto, ao mesmo tempo, este também entra em dívida com aqueles que “emprestaram” tal capital por um certo tempo a uma taxa de juros. 

Entenda como funciona os títulos públicos. 

Nesse sentido,

  • 0,4 ponto percentual se deu pela incorporação dos juros (para que os títulos sejam mais atrativos)
  • 0,2 ponto percentual da alta do dólar. 
  • Dívida líquida 

Do mesmo modo, a dívida pública líquida (desconta os ativos do governo) teve um acréscimo de 0,6 ponto percentual em relação a agosto. 

Assim, a dívida que contabiliza débitos e créditos do governo teve um aumento, principalmente, pela contas públicas.  

Dessa forma, o crescimento do rombo nas contas públicas representa 0,9 ponto percentual e os juros, 0,5.

Por outro lado, com o aumento do valor do dólar no período, a dívida líquida foi puxada 0,6 ponto percentual para baixo.

Como assim? Com a valorização do dólar, é necessário menos dólares para 1 real. Assim, a dívida líquida que é contabilizada em reais, é descontada das reservas nacionais que são mensuradas em dólar. 

Sendo assim, as reservas (dólar) são capazes de cobrir mais a dívida (real). 

Contas Públicas 

Não obstante, as contas públicas somaram um rombo no valor de R$ 635, 9 bilhões desde o início do ano até setembro. 

Similarmente, se contabilizado os últimos 12 meses, o valor está em R$ 655,3 bilhões (9,08% do PIB).

Com a diferença entre a despesa e a receita (D > R), o BC afirma que este é o maior déficit primário desde 2002 do país. 

OBS: lembrando que não são contabilizadas os gastos com o pagamento dos juros da dívida pública.  

• Leia também: déficit nominal e primário: o que são e como calcular.

Todavia, o resultado do déficit em setembro (R$ 64,6 bilhões) é o menor dos últimos 6 meses com o início da pandemia.

Isso se dá pela maior flexibilização das medidas restritivas que vem acontecendo ultimamente, permitindo uma maior arrecadação pelo governo e o pagamento de impostos que estão sendo pagos

Logo, a receita vem aumentando, viabilizando uma diminuição do rombo. 

Você sabia que antes da pandemia a meta para 2020 era que o déficit não superasse R$ 118, 9 bilhões?

Quais as consequências da dívida? 

Dessa forma, as grandes consequências desse resultado da dívida são que o país se torna menos atrativo para investidores. 

Assim, os prazos da dívida se encurtam (para tentar compensar a desconfiança), complicando o processo de pagamento do governo que às vezes necessitará de outros empréstimos para cumprir o prazo. 

Além disso, os juros são muito altos para empréstimos que poderiam ser investidos no país, aquecendo a economia. 

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Assim, o Estado tem menos recursos para investir na sociedade, afetando a qualidade de vida da população.

Não obstante, o governo necessita aumentar sua receita, dependendo em grande parte da população para esses recursos, como por meio dos impostos.

Veja a nota de impresa do Banco Central. 

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