Conheça as revoluções pós-soviéticas: Ucrânia

Para a história, a queda do muro de Berlim em 1989 aponta o início do colapso da antiga União Soviética. Como sabemos, esse colapso só ocorre de fato em 1991.

Contudo ao longo do século XXI já houveram diversos conflitos, conhecidos como pós-soviéticos, entre os novos Estados que foram criados após o fim da URSS.

Dessa forma, hoje vamos te mostrar alguns desses conflitos que ocorreram na Ucrânia, e tentar mostrar os contextos e a sua atual situação. Esperamos que gostem. Vamos nessa!

Pan-Eslavismo

A princípio vemos que os eslavos ou etnia eslava, são o grupo étnico que compõe boa parte do Leste Europeu além de algumas etnias específicas como o povo da Finlândia e os povos bálticos.

Inclusive o motivo dessa extensão se dá pelo processo de expansão do império russo, que sem dúvidas, foi o principal motivo da dispersão espacial dos eslavos pelo globo, como vemos abaixo:

Distribuição dos Eslavos

Dessa forma com a queda do Império Russo e o início do século XX. A URSS torna-se a herdeira natural do império e, somente com sua queda, há a criação dos novos estados e países, mais ou menos como vemos nos mapas hoje.

Países que compunham a antiga União Soviética

Depois disso, vem os terríveis os anos 90, muito tensos para a economia da região até que chega de Vladimir Putin. Devido a alta do petróleo que ocorria na época, Putin recupera a economia russa e a traz de volta ao cenário global.

A partir desse momento a Rússia tentar recuperar a sua posição entre as potências globais, perdido após o fim da guerra-fria. Daí surge o conceito do pan-eslavismo como justificativa para a interferência da Rússia em países com a presença de eslavos.

Ucrânia

Sobretudo a Ucrânia é um país que até hoje padece de conflitos pós-soviéticos, sendo o mais recente a Crise da Criméia e a Guerra Civil Ucraniana. Mas estes são apenas reflexos do Euromaidan, que aliás é muito bem retratado no documentário da Netflix, Winter on Fire.

De verdade, assistam, é muito bom.

Russificação

Em resumo no início da União Soviética, houve um processo de “russificação” em boa parte dos países. Por causa disso houve uma grande migração de russos para essas regiões fazendo com que aos poucos o número de russos em alguns países comece a superar o de nativos em alguns lugares, como no leste da Ucrânia.

Dessa forma, alguns fatores vitais foram trazidos aos grupos étnicos locais, como o ensino do idioma russo e da própria cultura e identidade russa.

Além disso a tragédia em Chernobil, que é o maior desastre nuclear da história, é um reflexo do início da queda do regime soviético sobre a Ucrânia. Esse evento contaminou não só o Leste Europeu como parte da Europa oriental com radiação.

Dessa forma, com o fim da União Soviética o povo da Ucrânia ficou dividido entre apoiar a Rússia (ao leste e mais próximo da Rússia) ou apoiar o novo Estado Ucraniano (centro e Oeste) com um governo pró-Europa.

Assim em 1992 a Rússia exige o retorno da Criméia ao mapa russo. Ela foi cedida a Ucrânia durante a URSS, como forma de estreitar laços entre os países, esse também é um dos fatores que desencadeiam uma série de conflitos modernos.

Isso se dá pois a Criméia é um o ponto chave para Rússia no Mar Negro, onde importantes bases militares russas estão instaladas.

A Revolução Laranja

Nesse sentido em 1994 Leonid Kutchma que elege como seu primeiro ministro o Viktor Yushchenko, visando se aproximar cada vez mais o país do ocidente. Guarde este nome pois ao longo da história ele torna-se o pivô de um desses grandes conflitos: a Revolução Laranja.

Seguimos até 2004 quando o resultados das eleições para presidente acende conflitos ainda não resolvidos dentro da Ucrânia. Nesse momento vemos, a disputa entre Viktor Yushchenko e Viktor Yanukóvitch.

Ao passo que no período Eleitoral as pesquisas mostram uma vitória clara para Yushchenko, seu opositor vence a disputa com 3% de vantagem. O que inicia uma crise da população contra a corrupção, as mentiras e fraude eleitoral que se consolida no país.

Mapa eleitoral a disputa a presidência de Ucrânia em 2004

Dessa forma, no dia seguinte ao resultado, o povo vai as ruas e inicia uma série de protestos contra as fraudes nas urnas. A campanha de Yushchenko havia adotado a cor laranja e, da mesma forma, o povo adere a cor no protesto, o que define seu nome na história como a Revolução Laranja.

Tal qual a sua posição pró Rússia, o comitê eleitoral do país, pivô dos esquemas de corrupção eleitoral declaram Yanukóvitch presidente eleito da Ucrânia e com isso os protestos aumentam inflamados por discursos do, agora derrotado, Yushchenko.

Viktor Yushchenko

Somente após muita pressão a suprema corte reconhece a fraude e anula as eleições, e para isso muda o sistema de governo no país convocando novas eleições. Dessa vez Yushchenko é eleito e são eleições limpas.

Euromaidan

Nesse ínterim, Yanukóvitch trabalha suas bases políticas e cresce dentro do cenário político da Ucrânia e acaba ser eleito presidente em eleições justas. Seu contato com Vladimir Putin resgata o pan-eslavismo com leis como a Lei de línguas que torna o russo uma língua oficial no país.

O ponto alto se deu quando Yanukóvitch prende Yulia Timoshenko, sua opositora política.

Além disso, o oeste quer um país próximo a Europa. Com a decisão da União Europeia de não concluir o acordo com a Ucrânia devido ao seu cenário político, inflama o povo outra vez em busca de justiça para Yulia.

Porém em 21 de novembro de 2013 Yanukóvitch desfaz de vez o acordo com a União Europeia e alega que isso prejudica as relações com o CEI, um grupo de países da ex-URSS que mantém acordos comerciais. Isso por influência direta de Putin.

A resposta

Contudo Kiev, a capital do país, fica no oeste onde existe maioria pró-Europa. Com isso no mesmo dia em que o acordo é suspenso o povo vai as ruas mais uma vez.

O nome Euromaidan inclusive é uma junção de Europa e Maidan, o nome da popular praça da independência da Ucrânia. Populares ocupam essa praça e exigem a assinatura do acordo e a renúncia do presidente.

Ao passo que o movimento crescia os próprios membros passam a ser chamados de “Maidans”, mantendo-se firmes mesmo em meio ao frio do inverno. Com isso os protestos foram ganham cada vez mais força, ao mesmo tempo em que a repressão e violência sobre eles crescia em ritmo maior.

A partir de 2014 as ações de repressão começam a fazer dezenas de mortos e centenas de feridos,com o governo alegando ações anti-terrorismo.

Porém em resposta a corrupção e autoritarismo do governo o movimento cresce.

No fim mesmo contrário a Rússia, um acordo é firmado entre governo e Maidans onde são convocadas novas eleições, ainda naquele ano, e trazia de volta a constituição de 2004 que reduz os poderes do presidente.

Contudo isso não foi suficiente. Os Maidans exigiam a renúncia de Yanukóvitch e, caso contrário, um conflito armado se iniciaria:

Discurso na Euromaidan

Por fim a polícia recua e os Maidans vencem o conflito, Yanukóvitch e seus aliados fogem para a Rússia, o parlamento o depõe no dia seguinte e um governo pró-europa assume até as eleições. Yulia Timoshenko foi solta.

Hoje em dia, os reflexo do Euromaidan na Ucrânia ainda são vistos nos conflitos da Crise da Criméia e a Guerra Civil Ucraniana em Donetsk e Lugansk, a divisão no país continua. Mas essa é outra história.

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