História e Economia

O texto de hoje é um pontapé inicial para a coluna que me dedicarei. Cristina Yang diz em um episódio qualquer de Grey’s Anatomy, que deve ser resolvido um tamponamento cardíaco de cada vez. Ela estava realizando uma cirurgia no coração de um paciente que estava apresentando várias complicações inesperadas. Mas o que ela queria dizer é que devemos resolver as demandas em uma ordem, mesmo que existam muitas!

Assim, todas as ideias e propostas que já tenho pensadas para essa coluna, devem seguir uma ordem. Acho que a o entusiasmo, nesse momento, deve dar lugar a uma visão lógica das coisas. Desta forma, sigamos Yang, ela definitivamente era uma das melhores personagens na série!

Acesso em: 06 nov. 2021

De acordo com essas ideias, precisamos partir do começo! Logo, vamos pensar sobre o nome desse “espaço” no jornal. Em suma, “Francine Brandhuber e o Mundo”, não é algo aleatório. Mas o oposto disso, “se liga”!

A Universidade e “O Menino e o Mundo”

Como provavelmente o leitor sabe, curso História, Licenciatura e Bacharel, quero ser professora e pesquisadora. Ainda no início do curso, uma professora chamada Daniela Lopes Rodrigues nos convidou à assistir uma animação.

A disciplina se chamava: “Leitura e Escrita”. Naquela cadeira, iríamos refletir sobre esses atos cada vez mais cotidianos na nossa vida universitária: a leitura e escrita. Talvez essas duas coisas nos ajudem a “ler o mundo” de forma mais crítica e expressar essas visões.

Observei o nome da obra e confesso que não sabia que se tratava de uma animação. Imaginei que fosse um filme cheio de emoção. Bom, de fato, “O Menino e o Mundo” é quase tudo isso. A questão é: não é um filme, com atores reais e etc, mas uma animação.

Para entender o nome da coluna e a sua motivação, preciso explicar essa produção audiovisual. Isso pois, a coluna surgiu também, a partir de certa inspiração que a obra me despertou. Mas também, preciso apontar outras coisas que estimularam essa ideia!

Para entender um pouco mais sobre a produção, veja o trailer.

Acesso em: 06 nov. 2021.

Um certo padrão de cores

Em síntese, a obra conta a história de um menino que está a procura do pai. Assim, nessa trama, essa criança com um claro objetivo vai conhecendo o mundo ao seu redor nesse caminho que faz.

A proposta é simples mas nos deixa envolvidos. De certa maneira, ficamos na expectativa, do início ao fim da jornada.

A animação inicia com um foco em pequenos padrões de cores. A câmera se afasta, e se formam novos padrões. Novamente, acreditamos que estamos nos afastando, vendo as cores de maneira mais distante, contudo, percebemos que ainda estamos muito próximos dos desenhos. Isso vai se repetindo. Parece uma coisa boba! No entanto, isso explica a proposta da produção!

Em resumo, durante todo o filme existe um diálogo sobre a história desse garoto e a Economia, sociedade, política, cultura, educação. Ou seja, como esses “pontos grandes” sempre afetam a vida dessa criança protagonista dessa obra. Em analogia, o menino representaria o padrão de cores pequeno, mas que nesse jogo de imagens, se relaciona com aquele grande, que seriam as estruturas. Em suma, as estruturas são esses itens acima apontados: Economia, sociedade, política, cultura, educação. Ou seja, representa como o sujeito é impactado pelas grandes coisas, e vice-versa, como nós também afetamos essas estruturas!

Afinal, que “Menino” e que “Mundo” é esse?

A história é contada por meio de desenhos simples, com risquinhos, círculos. Pode parecer algo infantil! Mas na realidade, usa de todas essas cores e simplicidade para realizar várias críticas. Mas afinal críticas em relação a quê/quem?

Kalina Silva é doutora em História pela UFPE. Já Maciel da Silva, é doutor em História Social pela UFBA. Os dois, juntos, escreveram o Dicionário de Conceitos Históricos. De acordo com os historiadores, o profissional da História passou a notar que toda produção carrega a visão, críticas e ideias daquele a produz. Em , não necessariamente, é algo proposital. Por vezes, o produtor de um filme, por exemplo, mostra questões daquele tempo em que ele produz, sem mesmo notar!

Já em outras ocasiões, pode trazer esse mundo real, as suas dúvidas e inquietações pessoais, de maneira proposital. Assim, o historiador pode usar um jogo, filme ou livro, para notar como determinado tempo via certos temas. Tudo isso pode servir de Fonte Histórica para o historiador. Ele deve seguir uma série de procedimentos, não é coisa fácil! Para melhor entender sobre o tema,

Em síntese, tendo em vista que “O Menino e o Mundo” foi produzido por alguém que está inserido em um determinado contexto, talvez, muito daquilo representado por “risquinhos”, pode mostrar críticas pessoais do diretor do filme em relação à nossa sociedade. E ao analisar a obra, afirmo que os produtores fazem isso constantemente.

A criança assiste e interage com o trabalhador que é substituído pela máquina, a desigualdade social, a exaustão dos seres humanos. Além disso, mostra a qualidade de vida comprometida dos sujeitos com menor quantia financeira. A animação é brasileira, lançada em 2013.
Mas afinal, esses assuntos bem reais, não é mesmo? Andamos na rua, vamos ao mercado, vamos para a escola, vamos trabalhar, e lá estão essas coisas. Talvez elas estejam até mesmo dentro de casa! Mas o filme discute sobre esses e outros assuntos de maneira sutil, delicada.

“O Menino e o Mundo” e “Francine Brandhuber e o Mundo”

Ou seja, “O Menino e o Mundo” fala de questões reais, problemas ligados à Economia, como por exemplo, a produção industrial, o uso das máquinas, as exportações, importações, mas de maneira lúdica. Seguindo essa lógica, a intenção dessa coluna é falar desses aspectos ligados ao econômico, mas da maneira mais tranquila possível.

Entretanto, mais do que isso, de acordo com aquela analogia do padrão das cores, que falei anteriormente, é mostrar como “algo grande”, que imaginamos que não nos afeta, como as grandes indústrias, por exemplo, na realidade está presente o tempo todo em nossas vidas.

Um bom exemplo quanto à isso é o trânsito na cidade! Ele está ligado à grande produção de carros, à exportação de produtos que produzimos nas fazendas, indústrias, entre outros. Aqueles caminhões gigantes nas estradas não estão lá “atoa”.

No mercado, os produtos com agrotóxicos, não é algo ingênuo, tem a razão para aquilo! Para saber mais,

A História e Economia

Em suma, a criança do filme sai à procura do pai, mas acaba entendendo o mundo que está ao redor dele! A proposta aqui é parecida! Assim, o tempo todo, caro amigo, dialogaremos sobre coisas que estão presentes no nosso cotidiano, mas que relacionam a História e a Economia!

Contudo, como sabemos, as áreas do conhecimento, as várias ciências, se relacionam. Em suma, a área da saúde, Ciências Humanas, Exatas, todas elas, são formas de ver o mundo. Cada uma delas, se dedicando a perceber o planeta de uma certa maneira. Mas juntas, nos auxiliam a observar as coisas de uma forma mais completa, ampla. Em vários momentos pretendo trazer isso, mesclando essas áreas!

Para aqueles que gostam de spoiler, o próximo texto dessa coluna discutirá sobre o nosso cinema nacional e a Economia. Você já se perguntou porquê as nossas produções são centradas em comédias? Em termos econômicos e sociais, qual a relevância dessa área do entretenimento?

Acesso em: 06 nov. 2021.

“Estranhamento do familiar” e visão crítica

Para construir essa coluna, me inspirei também na Antropologia e nas crônicas! No Dicionário de Conceitos Históricos que mencionei anteriormente, existe uma parte que discute sobre isso! Usarei aqui também, Gilberto Velho. Na obra, “Individualismo e Cultura: notas para uma antropologia da sociedade contemporânea“, o autor pensa sobre o “estranhamento do familiar”. Em resumo, isso significa observar de maneira crítica, aquelas coisas que são tão banais no dia a dia da cidade.

O trânsito, os ônibus lotados, os moradores de rua, a presença ou ausência de pessoas negras em uma empresa, as redes sociais… Tudo isso é uma coisa cotidiana no nosso Brasil e mundo. Entretanto, utilizando a ideia do carioca, cientista social e antropólogo, talvez seja interessante “estranhar” essas coisas normalizadas.

Eu entendo, estamos sempre “correndo”, exaustos fisicamente e psicologicamente. Em certos dias, queremos apenas ligar a TV e ver alguma coisa para relaxar.

No entanto, talvez problematizar essas coisas seja o primeiro passo para pensar estratégias para a mudança. Assim sendo, a proposta dessa coluna é justamente isso, pensar de maneira crítica, “estranhando o familiar”, mas também, se sensibilizando em relação ao outro sujeito. E para mudar, é necessário conhecer a fundo o problema.

Estratégias e mudanças

Atenção, não é planejar “mais ou menos” o que fazer, mas pensar os mínimos detalhes. Isso pois, caso contrário, o resultado pode ser, por exemplo, aquela obra na sua cidade que gastou um “dinheirão” e sequer foi finalizada. Dinheiro, tempo e espaço desperdiçados.

Toda mudança deve ser feita com anterior análise aprofundada! Poderia ser utilizado um capital misto para terminar aquela obra? Um mutirão com a população? Talvez outra saída?

Sensibilização do leitor e Economia

Para além desses objetivos, essa coluna tentará fazer o leitor se sensibilizar diante das coisas. Somado a isso, se interessar por Economia, de maneira que você entenda o seu papel de cidadão.

Ainda de acordo com o Dicionário antes listado, a cidadania foi se alterando ao longo do tempo. No final do século XX e início do XXI, mulheres, negros e indígenas passaram a ter seus direitos de cidadão garantidos por lei no Brasil. Ou seja, são considerados cidadãos. Mas será que temos uma cidadania efetiva? Será que nós participamos das decisões na nossa sociedade? De que maneira contribuímos para uma mudança no mundo em que vivemos?

Conversas de “ponto de ônibus”

Talvez essa coluna seja justamente isso, um espaço para discutir sobre Economia, História e sociedade. Mas de maneira a pensar mudanças reais.

Se me permite dizer, amigo leitor, estou um pouco cansada daquela conversa de “ponto de ônibus”. Confesso que está no meu “top 10” coisas que odeio.

Eu tenho um problema com ônibus! Sempre quando chego, o transporte público acabou de passar! Então, encontro outras pessoas que chegam e “puxam papo”. E a mais frequente frase que ouço é: “não tem jeito não, isso não resolve”. Eu sei, é um pouco de implicância minha! Eu sei. Talvez a pessoa só esteja se sentindo sozinha, querendo ser agradável. Ou talvez esteja sem esperança na humanidade! Mas me incomoda a ideia de que nada vai mudar.

Acesso em: 06 nov. 2021.

E essa coluna busca ser o avesso disso. Também não significa dizer que está tudo perfeito, propor soluções e discussões irreais, impraticáveis.

Quero falar de mudanças, propor melhorias, tratar de assuntos relevantes que falem do seu cotidiano, mas que se encontram em uma ponte entre a Economia e História. Por trazer temas da nossa atualidade, do nosso cotidiano, caro amigo, tentarei ser o mais justa e transparente possível, sempre usando de teóricos, pesquisas acadêmicas. Não são palavras aleatórias, mas um texto feito com atenção e embasamento, como já venho fazendo.

As crônicas e “Francine e o Mundo”

Arnaldo Niskier, doutor em educação ligado à UERJ, escreveu um texto para o site da Academia Brasileira de Letras. Olha só o que ele disse sobre as crônicas:

“A crônica não é um gênero maior” já escreveu Antônio Cândido. Graças a Deus, completou o próprio crítico, porque, “sendo assim, ela fica perto de nós”. Na sua despretensão, humaniza. Fruto do jornal, onde aparece entre notícias efêmeras, a crônica é um gênero literário que se caracteriza por estar perto do dia a dia, seja nos temas, ligados à vida cotidiana, seja na linguagem despojada e coloquial do jornalismo. Mais do que isso, surge inesperadamente, como um instante de alívio para o leitor fatigado com a frieza da objetividade jornalística.”

Em suma, talvez a proposta dessa coluna, em muito se aproxime de uma crônica. Talvez, em um formato um pouquinho maior, adaptado à internet, mas que fala do humano, da sensibilidade, de um olhar mais atento e crítico em relação ao nosso cotidiano.

História, Economia, Antropologia, entre outras áreas do conhecimento, juntas, para ajudar o cidadão a pensar em soluções para o mundo real! É refletir sobre esse mundo ágil, veloz. Não são ideias para um mundo de risquinhos, como aquele da animação: “O Menino e o Mundo”. Por mais que a obra fale também do nosso dia a dia. É aqui um espaço de discussão de temas reais.

Agradeço à professora Daniela Lopes Rodrigues, pós-doutora na área de Letras, em Lille 3, França. Ela me apresentou a animação aqui apontada, me ofertou um pontapé inicial. Mas agradeço também, a todos os outros professores que contribuíram para essa inquietação, busca por mudança! É relacionar aquele “padrão de cores”! Um até logo, querido leitor!

O que você achou do texto? Tem sugestões para futuras matérias? Comenta aí!
Total
0
Shares
Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Anterior

Biden está deportando refugiados do Haiti?

Próximo

O que são produtos bancários