Anarquismo

O movimento anarquista

O anarquismo é uma forma de pensamento tão velha quanto os primeiros grupos humanos, mas hoje é apenas uma pequena parte do que já foi. Quase tudo que há de básico sobre a história e filosofia do anarquismo, você confere aqui comigo.

Significado de Anarquia (O que é, Conceito e Definição)
A bandeira preta é o símbolo do anarquismo

O que significa anarquismo?

Anarquia significa, basicamente, “sem autoridade superior”. Então, isso é dizer que não existe uma força superior que dite as regras de convivência.

Embora seja conhecido como sinônimo para caos, anarquia não significa bagunça ou desordem. Um exemplo que eu pessoalmente gosto muito de dar é em relação ao conjunto de países do mundo. Não existe um país que tenha uma autoridade sobre os outros, não existe um “governo da terra”, e ainda assim vivemos um mundo mais ou menos organizado, não muito mais conflituoso que um país normal, com autoridade central.

Se os Estados são indivíduos, é uma questão que podemos debater por muito tempo, e inclusive deixo o convite para que opine nos comentários abaixo. Mas, de qualquer forma, serve de um exemplo bom o bastante para entender que anarquia não é bagunça.

Os primeiros pensadores

Como eu já disse antes, a ideia da anarquia é tão velha quanto a primeira pessoa que se chamou de rei. Pensadores gregos, incluindo o famoso Sócrates, podem ser chamados, de certa forma, pensadores anarquistas.

David - The Death of Socrates.jpg
A morte de Sócrates, por Jacques-Louis David

Porém, com certeza, exige um certo esforço. Um esforço tão grande que minha amiga historiadora, que também é uma redatora aqui, Francine Brandhuber, provavelmente me puxaria a orelha se eu desse essa relação como um fato.

Portanto, para ficarmos em alguns nomes realmente anarquistas, posso citar quatro grandes nomes. Os dois ingleses William Godwin e Max Stirner, além do francês Pierre Joseph Proudhon, e o favorito de todos, o Mikhail Bakunin.

Bakunin, teórico anarquista
Mikhail Bakunin

Bakunin é um dos maiores nomes do anarquismo moderno. Um homem um tanto problemático, tem uma fama por ter sido expulso da Primeira Internacional por discordar da ideia de uma transição socialista para o comunismo.

Em uma pequena nota, dizem que Bakunin chegou às vias de fato contra Marx durante a Primeira Internacional. Porém os registros são, para dizer no mínimo, escassos demais para que os levemos muito a sério.

Mas nem só de socos e expulsões se faz um pensador. Bakunin é o autor de um dos pilares de quase todas as teorias anarquistas modernas.

Deus e o Estado é uma obra fundamental do pensamento de Bakunin e do pensamento anarquista moderno. Não podendo ser descartada por completo nem pelos marxistas.

Algumas experiências anarquistas

Embora as chances de anarquias nos seus moldes mais modernos tenham sido poucas e muito esparsas, podemos citar duas interessantes.

A Comuna de Paris foi uma das primeiras, na Europa. Surgida em 1871, já com apenas 71 dias ela foi um exemplo para da viabilidade de um mundo sem governo. E também da força com a qual os governos atacariam as tentativas de se libertarem do jugo do Estado.

Porém, houve um segundo movimento anarquista na Europa que teve um pouco mais de sucesso. O movimento anarco-sindicalista espanhol conseguiu, durante a Guerra Civil Espanhola (1936-39), não só declarar a independência de Barcelona, como conquistou também um grande número de seguidores.

Os espanhóis eram atraídos para o movimento primariamente por causa de Buenaventura Durruti, um anarco-sindicalista que embora não fosse o maior fã de criação de teorias, possuía excelência em executar a prática.

Buenaventura Durruti, em 1936.

O grupo da bandeira preta e vermelha lutou contra o regime fascista de Franco, e mesmo sendo derrotados, ainda assim servem de exemplo de como executar na prática as teorias.

Anarco-sindicalismo na Espanha, anarquismo
Bandeira da CNT-FAI

A experiência brasileira

No final do século 19 e começo do século 20, o Brasil viveu sua era de ouro. Muito por conta da migração europeia promovida pelo Brasil para branquear o país.

Porém, essa migração trouxe consigo mais do que a pele branca que o Brasil queria. Ela trouxe também uma experiência sindical nova no país, principalmente entre os imigrantes italianos.

Esses novos imigrantes tiveram grande sucesso em organizar greves, motins e outras formas de revolta que buscavam conscientizar a população da luta de classes e da opressão ao proletariado.

Durante os primeiros anos do século 20, a maioria dos grandes nomes anarquistas brasileiros eram filiados a partidos como o PCB. Porém, constantes brigas internas e perseguições do governo fizeram com que o grupo fosse isolado, com integrantes expulsos do partido.

Os anarquistas, em especial, sofriam uma perseguição de dois fronts. Por buscarem abolir toda a forma de governo e opressão, possuíam rachas com outros integrantes da esquerda e eram alvos fáceis pelo governo, já que eram isolados.

Esse isolamento não só acabou por minar boa parte da força anarquista, como também acabou abrindo caminho para que boa parte da produção do século 20 fosse destruída, deixando o movimento com um grande vazio teórico.

Por isso, ainda hoje os anarquistas buscam compensar a perda teórica. Porém talvez seja uma corrida fadada ao fracasso.

O anarquismo hoje

O século 21 e as novas formas de comunicação viabilizaram uma expansão do pensamento anarquista nunca antes vista.

Principalmente entre os jovens, a ideia de abolição de toda forma de opressão, seja de gênero, cor, classe ou religião vem ganhando tração. Então, com isso, vêm novas formas de se pensar a anarquia.

Existem diversas novas bandeiras hoje em uma luta pelo fim da opressão de poucos contra muitos. Se elas conseguirão seus objetivos, só o tempo dirá. Mas mesmo que falhem em destruir o Estado, se conseguirem abalar as estruturas do controle, já terão caminhado para o objetivo final de uma vida sem o jugo de outrem.

E aí, o que você achou do texto? Já conhecia o movimento anarquista? Deixe um comentário aqui embaixo!

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