Se você acompanha as notícias, com certeza já ouviu falar sobre a privatização dos Correios, assim como as greves que estão acontecendo na empresa nos últimos tempos.

Sendo assim, por entender que este assunto é tão importante, o Boletim Econômico hoje traz os principais pontos da greve dos funcionários dos Correios. Da mesma forma, vamos falar sobre o mais importante deles: a possível privatização da empresa estatal.

Quer saber mais sobre? Continue lendo nosso texto!

Por que os Correios estão em greve?

No dia 11 de setembro os Correios entraram em greve nacional.

De acordo com a Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (Findect) e o Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios Telégrafos e Similares de São Paulo, 82% da frota da empresa continuou trabalhando, e a greve era opcional.

Greve dos Correios

Desse modo, muito se foi questionado o motivo da paralisação. De acordo com os funcionários e os sindicatos, as razões são muitas. Dentre elas, estão:

  • Reposição do salário conforme a inflação, para que os trabalhadores não percam quantias reais;
  • Reparação de danos pelos cortes de custos que a empresa realizou e prejudicou muitos empregados que foram demitidos e/ou tiveram benefícios retirados;
  • Melhores condições de trabalho e menos sucateamento da empresa;
  • Melhores condições para enfrentar a pandemia de coronavírus — segundo os funcionários, a empresa forneceu pouco amparo e segurança;
  • Reposição do Acordo Coletivo que deveria ir até 2021 mas, segundo os funcionários, foi quebrado pela empresa neste ano;
  • Não à privatização dos Correios.

Com isso, os funcionários paralisaram suas atividades. Acima de tudo, a última pauta é a que mais levanta questionamentos, já que as opiniões acerca dela divergem muito fora e dentro da própria empresa.

Por isso, o Boletim decidiu falar hoje sobre as implicações de uma possível privatização dos Correios. Sendo assim, vamos mostrar os pontos daqueles que defendem, assim como os pontos daqueles que são contra.

*A greve dos funcionários dos Correios teve seu fim no dia 24 de setembro, dois dias antes da publicação deste post.

Os prós e contras da privatização dos Correios

Antes de mais nada, é preciso ressaltar que há muito tempo a privatização dos Correios é amplamente discutida no país. Conhecida por ser uma das maiores empresas estatais do Brasil, a entidade arrecadou críticos ao longo dos tempos, assim como defensores.

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Porém, antes de mostrarmos as duas versões, é preciso quebrarmos um mito histórico no Brasil. Os Correios não possuem o monopólio das entregas de produtos aos brasileiros. 

Ao contrário da crença popular, a empresa possui monopólio apenas sobre a entrega de correspondências do país.

Privatização dos Correios

Isso ocorre devido à segurança nacional, já que, para a Constituição, muitas correspondências trocadas entre líderes de governo precisam ser reguladas, assim como as correspondências de detentos, por exemplo, precisam ser revistadas.

Evidenciado isto, vamos às duas visões sobre o futuro dos correios.

O que defendem aqueles a favor da privatização?

Os críticos aos Correios, que atualmente estão insatisfeitos com o serviço estatal e querem a privatização, defendem principalmente que:

  • Agência deficiente — para os críticos, os Correios são uma agência deficiente que não entrega o serviço de forma correta e eficiente;
  • Falta de cuidados com as entregas — muitos alegam que, por não precisarem agradar constantemente o consumidor, os Correios nem sempre tratam a entrega com o cuidado merecido, fazendo com que os produtos sofram danos;
  • Demora nas entregas;
  • Engano nas entregas — aqueles a favor da privatização argumentam que existem muitos enganos nas entregas, fazendo com que muitas vezes o produto não chegue ao destinatário.

Com isso, os críticos à agência defendem que a privatização do setor geraria maior concorrência, o que traria padrões mais altos de serviço.

Ainda mais, existe uma forte argumentação acerca dos preços dos fretes, que poderiam ser menores com a maior concorrência. Bem como o aumento de investimento direto externo no país.

Por outro lado, os defensores rebatem os argumentos a favor da privatização.

O que dizem aqueles que defendem a empresa estatal?

De acordo com vários funcionários da empresa, o Estado vem sucateando o serviço dos Correios há anos. Sendo assim, o sucateamento impede que a performance entregue pela estatal seja satisfatório.

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Segundo os funcionários e os sindicatos, na década de 2010 as coisas começaram a, de fato, piorar. E muito disso se deve ao aumento do e-commerce, como é chamado o comércio que ocorre via internet.

Correios e-commerce

Consequentemente, com o aumento das compras à distância, a demanda por entregas dos produtos via Correios ficou alta. Dessa forma, para suprir essa demanda, seriam necessários novos funcionários.

No entanto, desde meados de 2010 não existem concursos em larga escala para contratar novos funcionários. Ainda mais, com a aposentadoria de muitos antigos trabalhadores, a frota dos Correios diminuiu consideravelmente.

De acordo com o Ministério do Planejamento, entre 2010 e 2017 os Correios reduziram mais de 6% da sua capacidade total, e quase 10 mil funcionários foram demitidos.

Atualmente, os Correios contam com 100 mil funcionários.

Ainda mais, os funcionários alegam que a privatização poderia significar o fim do atendimento a locais de maior risco e mais rurais.

Quem quer comprar os Correios?

Atualmente, a certeza de que os Correios serão privatizados aumentou consideravelmente, dado ao viés liberal do governo. O governo começou a planejar a venda da estatal, sondando possíveis compradores.

Até o momento, quatro empresas estão na disputa pela estatal e mostraram interesse sólido. São elas:

  • Magazine Luiza;
  • Amazon;
  • FedEx;
  • DHL.

Para essas empresas, a compra dos Correios seria positiva e traria muitos avanços e lucros. Agora, resta saber quem ficará com a estatal.

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