Nas últimas semanas, muitas notícias mostram um clima de tensão entre a França e Turquia. Líderes dos dois países trocaram ofensas, ameaças e palavras ácidas.

Mas você sabe o motivo disso? E mais: como isso pode afetar a economia global?

Hoje, o BE e eu te contamos mais sobre a tensão entre os países. Ainda mais, como ela surgiu, como se espalhou e como pode nos afetar.

França e Turquia batalhando pelo Mediterrâneo?

Anteriormente, em agosto de 2020, os dois países foram capas dos jornais internacionais. O motivo foi a disputa por influência no Mar Mediterrâneo Oriental

Antes de mais nada, é preciso entender que o conflito original não envolve a França, mas sim a Turquia e a Grécia.

Nos últimos anos, reservas de gás natural foram descobertas no Mediterrâneo Oriental. Desde então, Grécia e Turquia competem por influência na região marítima. Tudo isso na expectativa de explorar a commodity como fonte de riqueza.

Grécia França Turquia Mediterrâneo
Fonte: Google Maps 2019.

Pela escalada da tensão entre Grécia e Turquia, a França passou a apoiar o governo grego, contra as ações militares turcas na região. Com isso, a Turquia se posicionou, acusando a França de manter uma postura de “mestre” e “valentão” na área.

Dessa forma, desde então França e Turquia enviam navios militares para o local. A escalada do conflito continua assim: quanto mais navios um país envia, com mais países o outro tende a retalhar. 

Falamos mais sobre esse caso nesse post.

O caso do professor decapitado e os ataques terroristas

Ainda mais, uma outra situação contribuiu para a piora do quadro. Em outubro, o professor Samuel Paty mostrou, em sala de aula, uma charge sobre o profeta Maomé. A aula era sobre liberdade religiosa e de expressão.

No entanto, no islamismo, desenhar o profeta dessa forma é considerado ofensa. Por isso, Paty foi decapitado no dia 16 de outubro por um extremista religioso.

Logo depois, em uma cerimônia de homenagem ao professor, o presidente francês, Emmanuel Macron se pronunciou:

“Nós continuaremos, professor, nós defenderemos a liberdade que você ensinava tão bem e nós levaremos a laicidade. Nós não renunciaremos às caricaturas e aos desenhos”, disse Macron.

Logo após o discurso de Macron, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, disse que o francês precisava de um “exame de saúde mental“:

“Qual o problema dessa pessoa chamada Macron com muçulmanos e o Islã? Macron precisa de tratamento mental“, disse Erdogan.

Uma charge de jornal pode ter piorado tudo?

Na última semana de outubro, o jornal Charlie Hebdo publicou uma charge na qual o presidente turco Erdogan estava de cueca. Ainda mais, com uma cerveja na mão, levantando um hijab de uma mulher muçulmana e gritando: “Oh! O profeta!”

Momentos depois, a Turquia abriu uma investigação sobre insulto ao chefe de Estado. Ainda mais, prometeu que retalharia com diplomacia.

Com isso, o Ministro da Cultura turco postou em seu Twitter uma ofensa ao jornal Charlie Hebdo:

Tradução: “Charlie Hebdo, vocês são uns bastardos… Vocês são filhos de uma p***…”

O tweet original, no entanto, não possui a mesma censura que a tradução do BE.

Ainda mais, Erdogan pediu aos líderes do mundo islâmico que fiquem “de olho” em Macron. Da mesma forma, disse que os líderes europeus deviam pedir a Macron que ele pare a campanha de ódio contra o Islã. 

Como retalhação, a França retirou seu embaixador da Turquia.

De volta ao Mar Mediterrâneo

Mais uma vez, o mar voltou a ser palco das tensões. A Turquia, nos últimos dias, tem perfurado águas do Chipre, membro da Comissão Europeia. O motivo foi ele: o famoso gás natural.

gás natural, turquia

Ainda mais, a Comissão Europeia (CE) tomou o lado da França, emitindo avisos à Turquia. Na última semana, a presidente da CE disse que “se Ancara (Turquia) continuar com suas ações ilegais, usaremos todos os instrumentos à disposição“.

Ainda mais, a França está sob estado de atenção. Os ataques, atribuídos como terrorismo religioso, têm sido constantes.

Na última quinta-feira, três pessoas morreram em Nice, por um ataque à faca. De acordo com autoridades francesas, os ataques tiveram cunho extremista.

Por fim, nenhuma nova declaração foi dada. Desse modo, os presidentes não se alfinetaram mais no Twitter. A partir de agora, é preciso esperar as futuras ações, e saber se o aviso da Comissão Europeia terá efeito.

Como isso afeta a economia global?

Em primeiro lugar, é importante lembrar que conflitos geopolíticos, geralmente, geram sanções econômicas.

Por isso, a preocupação a princípio pode ser com o comércio internacional. Embora França e Turquia façam parte da OTAN (uma organização militar do Atlântico Norte) e da OMC, as tensões podem superar os acordos.

Em setembro, o presidente turco pediu às empresas e cidadãos turcos que parem de comprar da França. Agora, a situação se repetiu, e Erdogan pretende dificultar as trocas entre os países.

Com isso, é possível, ainda, que a Comissão Europeia se baseie nisso para impor futuras sanções à Turquia. 

Fonte: AFP
Fonte: AFP

É necessário lembrar, também, que o comércio internacional é uma rede de trocas entre os países.

A danificação de algumas pequenas redes podem afetar o todo. Uma diminuição grandiosa nas exportações da França pode, por exemplo, danificar o Balanço de Pagamentos do país.

Da mesma forma, a escalada do conflito, dos atentados terroristas e das ameaças pode sombrear a cooperação internacional estabelecida na OTAN e entre os países do mediterrâneo.

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