Com certeza você já ouviu falar no Mensalão: um dos maiores esquemas de corrupção do Brasil. Mas você sabe quem participou, quem recebeu ou quem investigou?

Hoje, o Boletim Econômico vem te contar detalhes desse esquema e quais foram os prejuízos políticos e financeiros para o nosso país.

Ficou curioso? Vem com a gente!

O que foi o Mensalão?

O esquema consistia em repasses de fundos de empresas ao Partido dos Trabalhadores (PT) para apoio dos políticos ao governo de Lula. Tinha esse nome, pois era espécie de uma mesada paga a vários deputados para votarem a favor dos projetos .

Começou em 2002, mas só foi descoberto em 2005 devido a uma gravação às escondidas e a delações dos envolvidos.

Quem ofereceu e quem recebeu o dinheiro?

Nessa gravação, Maurício Marinho, então chefe do departamento de Contratação dos Correios, foi flagrado recebendo propina de três mil reais em nome do deputado federal Roberto Jefferson, do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).

Após a divulgação do material gravado, Marinho detalhou o esquema e afirmou que não envolvia só os Correios e o partido PTB, mas também o PT e o PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro).

Após o flagrante, Jefferson delatou que o então tesoureiro do PT, Delúbio Soares, pagava 30 mil reais por mês a vários deputados para que eles votassem a favor do partido na Câmara dos Deputados do Brasil e consequentemente apoiar o governo do Lula.

Os fundos supostamente vieram dos orçamentos de publicidade das empresas estatais, canalizados através de uma agência de publicidade de propriedade de Marcos Valério.

Outros nomes também estavam envolvidos no esquema:

José Dirceu (então ministro da Casa Civil) e José Genoino (então presidente do PT) faziam a manipulação política para que novos partidos se aliassem ao PT, por meio de repasse de dinheiro, em outras palavras propina.

Marcos Valério desviava dinheiro público para cúmplices do PT por meio da parceira do governo com suas agências de publicidade.

Cristiano Paz, Rogério Tolentino, Simone Vasconcellos e Ramon Hollerbach tinham ligação com essas agências de publicidade, seja por meio de sociedade ou com cargos de diretoria.

Kátia Rabello (dona do Banco Rural) e José Salgado (diretor na época) faziam empréstimos ilegais para os políticos envolvidos no Mensalão, para que em troca Marcos Valério defendesse os interesses do Banco no meio político.

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Investigação

Em 2005 foi criada a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Mensalão. Porém falhou por falta de parlamentares na votação. Em novembro do mesmo ano a CPI foi finalizada sem obter nenhuma conclusão.

Dois anos depois, em 2007, o Supremo Tribunal Federal (STF) instituiu a Ação Penal 470 e os 11 ministros responsáveis começaram a averiguar de vez o caso.

Assim, essa Ação Penal investiga o processo do Mensalão, desde seu início, quando as ações criminosas foram denunciadas, até de fato o julgamento no STF.

Em 2012, os suspeitos foram julgados, mas só em 2013 ocorreram as primeiras prisões.

Dessa forma, quatro pessoas cumpriram suas penas por meio de prestação de serviços comunitários, 20 foram condenadas à prisão, sendo que sete delas foram mantidas em regime aberto e outras cinco em semiaberto.

Henrique Pizzolato (diretor de marketing do PT na época), condenado a prisão, fugiu para a Itália para não ser preso. Sua fuga não funcionou,  já que em 2014 ele foi detido e condenado a 12 anos e sete meses de prisão, prestando a pena em regime semi aberto no Brasil.

Assim, foi Joaquim Barbosa, presidente do STF na época (2012-2014), que deu sequência às prisões dos envolvidos no Mensalão. Os primeiros a serem detidos foram José Genoino e José Dirceu. Ambos cumpriram as penas de suas casas.

Mensalão

Após o Mensalão

Os políticos e figuras poderosas foram punidas pela primeira vez. Tal atitude foi aplaudida por especialistas. Consequentemente, a população começou a olhar seus governantes com um olhar mais crítico, esperando mudanças.

Por causa de manifestações da sociedade, em 2010 surgiu a Lei da Ficha Limpa. A população ganhou mais espaço no debate realizando as manifestações de 2013 e apoiando o impeachment de Dilma Rousseff em 2016.

Dessa forma, o PT foi o partido que mais sofreu impacto por causa do Mensalão. Foi “crucificado” pela população, perdendo 60% das prefeituras em 2016 comparado com 2012.

Segundo a BBC, a economia não foi afetada pelo escândalo do Mensalão.

A Globo fez uma cobertura completa do Mensalão, clique aqui para ler.

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