Você sabe o que é lastro da moeda?

Alguma vez você já se sentiu confuso ao ouvir a palavra “lastro”? Ou até mesmo “moeda lastreada”? Caso a resposta seja sim, esse texto pode te ajudar!

Mas, antes de tudo, um pequeno spoiler: de forma simples, o lastro é uma garantia.

Dessa forma, o BE irá trazer o conceito histórico do lastro e mostrar como ele é aplicado ao mercado financeiro. Ainda mais, vamos discutir a respeito do padrão-ouro e descobrir o que foi a Conferência de Bretton Woods.

O conceito histórico de lastro

De antemão, agora você é capaz de ligar o lastro a uma referência de valor. Diante disso, pode imaginar qual era a garantia séculos atrás?

Bem, caso tenha pensado em metais preciosos, você está certo!

Pode-se dizer que o conceito histórico do lastro se refere ao valor de ouro, em depósito, de um país. Dessa maneira, sua função era servir como garantia para a moeda.

Em outras palavras, a quantidade de moeda que cada país emitia tinha como base o volume de sua reserva de ouro. Ou seja: a moeda era lastreada no preço do metal. A partir daí, surge o 1º Sistema Monetário Internacional, o padrão-ouro.

Muito ouro! Inshalá!
  • Se você deseja ler mais sobre o assunto, aqui está uma dica: o Boletim tem um texto só para a explicação do padrão-ouro. Assim, você pode acessar:

Nos dias atuais, o ritmo de emissão de moeda de cada país não mais depende do ouro, pois tem como parâmetro a dívida pública.

Porém, quando vamos ao banco com o intuito de fazer um empréstimo, a instituição ainda pede uma garantia para o negócio. Isto pode, por exemplo, te ajudar a conseguir uma linha de crédito mais em conta.

Nesse sentido, o lastro da operação poderá ser: o próprio dinheiro, ativos, veículos, máquinas, imóveis, etc.

Em resumo, o lastro torna as transações irrefutáveis do ponto de vista do seu valor e também de sua aceitação.

Bretton Woods e o papel do dólar

Após a 2ª Guerra Mundial, na procura de estabilizar o sistema econômico internacional, surge a urgência de controlar os preços internos, ou seja, a inflação; e os preços externos por meio da taxa de câmbio.

Tais questões foram discutidas no que é conhecido como Acordo de Bretton Woods. Dessa maneira, ao final do processo, três ferramentas foram colocadas em prática:

Conferência de Bretton Woods, 1944.

Desse modo, todos os países fixaram sua taxa de câmbio em paridade ao dólar dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, o último deveria seguir o padrão ouro-dólar.

Por conseguinte, quando a Europa se recuperou – relevante aumento das exportações -, os EUA, com menor exportação e maior importação, tiveram uma balança comercial deficitária.

Diante de uma maior saída de dólares seria necessária a emissão de mais moeda. Contudo, como não era possível, visto que sua reserva de ouro permanecia a mesma, o desempenho econômico do país ficou comprometido.

Assim, o país abandonou o padrão ouro-dólar e o acordo de Bretton Woods chegou ao fim em 1971. Em 1973, houve uma adesão coletiva ao novo regime de taxas de câmbio flutuantes.

Neste cenário, tem-se a mudança do padrão monetário lastreado no ouro para o da moeda fiduciária (papel-moeda). Em outras palavras, moeda fiduciária corresponde àquela que não está ligada a um lastro físico, como era o caso do ouro.

Nesse contexto, os países passam a vincular suas moedas ao Banco Central. Dito isso, eles tomam como papel a intervenção no mercado e a coordenação das transações entre si.

Em suma, desde então, o dólar americano não está mais ligado a um metal precioso, mas sim a uma relação de confiança com o Federal Reserve (FED), banco central do país.

O lastro e o mercado financeiro

Novidade ou não, o lastro com certeza possui uma forte presença no mercado financeiro. Isto porque como as partes não se conhecem e não mantêm contato direto, a necessidade de segurança é encerrada no lastro.

Este cenário é encontrado em diversas operações, como:

  • Investimentos;
  • Ações negociadas na bolsa de valores;
    • A relação é bem simples. Ao se tornar sócio do negócio, sua ação tem na própria empresa o lastro necessário. Por isso que tanto se fala que uma vez que o negócio falir, sua ação vai junto!
  • Posições no mercado futuro;
  • Títulos privados, etc;

Nesse sentido, seu papel é gerar mais segurança para as operações, pois só assim a “outra parte” poderá saber que a mesma será concluída.

Já em relação às criptomoedas existem algumas curiosidades, pois mesmo as moedas digitais precisam de um nível de segurança, como o seu próprio algoritmo.

Como exemplo, iremos analisar o caso do Bitcoin. Por ser uma moeda descentralizada em sua natureza, o Bitcoin não possui lastro, mas isso não significa que não seja seguro.

Antes de mais nada, temos que notar que o lastro “convencional” existe para garantir a escassez da moeda. Porém, no caso do Bitcoin, a previsão de escassez já é feita pelo próprio algoritmo.

Isto é, pela estrutura que determina a programação do código do Blockchain – tecnologia responsável por registrar o número de transações na moeda virtual. Sendo assim, a oferta do BTC é pré-determinada e totaliza 21 milhões de unidades.  

Portanto, vale destacar que mesmo as moedas digitais precisam ser baseadas em alguma forma de segurança.

Por fim, espero ter te ajudado a entender o conceito de lastro! Deixe sua opinião nos comentário e envie para os amigos!

Obrigada, e até a próxima!

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