Belarus intercepta avião e pode criar tensões internacionais?

Na última quarta-feira, a Belarus deteve um avião civil em rota, que passava sob o seu espaço aéreo. Logo depois, quando ele pousou, o governo prendeu um jornalista e ativista do país, que estava exilado na Lituânia.

Quer entender o que aconteceu, e o impacto internacional disso? Vem com a gente.

Qual o contexto político?

Em primeiro lugar, Belarus tem um governo autoritário. Seu presidente, Alexander Lukashenko, foi um oficial da União Soviética, e ele ainda mantém fortes laços com a Rússia.

Ele está no comando do país desde 1994. Além disso, com frequência a mídia o chama de “o último ditador da Europa“.

Ano passado, o país teve vários protestos contra o governo. Isso porque a oposição o acusou de ter fraudado o resultado das eleições de 2020. A UE também contestou o resultado, e pediu novas eleições, além de condenar a repressão aos protestos.

Por isso, graças a esse cenário, o jornalista Roman Protasevich, crítico do governo atual, vivia exilado na parte ocidental da Europa. De lá, ele comandava uma rede de informação no Telegram.

  • O BE tem um post sobre a trajetória política da Belarus desde o fim da URSS, que você pode ler aqui.

Como isso aconteceu?

Assim sendo, ele embarcou em um avião no domingo (23/05), saindo da Grécia para a capital da Lituânia. Mas o avião foi abordado por Belarus.

Logo ao entrar no espaço aéreo da Belarus, o avião foi interceptado. Os pilotos foram informados de que haveria uma bomba no avião. Em seguida, um caça MIG-29 escoltou o avião até Minsk, a capital da Belarus. E isso mesmo sem ela ter o aeroporto mais próximo do local.

Avião interceptado em Belarus
Trajeto do avião. Fonte: The Economist

Assim que o avião pousou, Protasevich e sua namorada, Sofia Sapega, foram presos. Ela é cidadã russa. Revistando o avião, não acharam nenhuma bomba.

O jornalista foi condenado a 15 anos de prisão, porque foi co-fundador de um canal (Nexta) que cobriu e até ajudou a organizar os protestos de 2020.

Em seguida, em um vídeo liberado pelo governo, ele apareceu dizendo que seu tratamento está sendo “correto e legal”, e que confessa ter promovido protestos em massa em Minsk. Mas ativistas da oposição avisam do risco de que ele possa ser torturado.

O pai de Protasevich diz que acredita que a confissão parece ter sido resultado de coerção.

“Pirataria aérea”?

O CEO da Ryanair, a linha aérea que fez esse voo, disse que isso foi um ato de “pirataria aérea”, e um sequestro promovido pelo Estado. Mas o governo da Belarus diz que recebeu um aviso de bomba do Hamas.

Além disso, pela declaração da empresa sobre o número de passageiros do voo, 126 saíram de Atenas e 121 chegaram ao destino. Isso quer dizer que 3 pessoas saíram em Minsk. Assim, pode ser que a operação tenha tido auxílio de espiões desde a Grécia.

A primeira-ministra da Lituânia disse que isso foi “um ato de terrorismo de estado contra cidadãos da UE e de outros países”. Líderes da UE já demandaram que a Belarus libere os dois, e cortaram os voos para lá. A indicação é evitar o espaço aéreo da Belarus. A Ucrânia, por sua vez, chegou a banir a importação de energia elétrica do país.

Para mais, o Reino Unido, a UE e os EUA vão tomar sanções econômicas contra a Belarus.

Relações com a Rússia

Por outro lado, a resposta russa foi de apoio à medida. O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse que “a Rússia nunca vai deixar a Belarus em apuros (…), e sempre vai vir em socorro do nosso vizinho e aliado estratégico. Temos uma história comum e os mesmos valores”.

Vale lembrar que quando os protestos contra Lukashenko tomaram o país, Putin ofereceu ajuda. Ele prometeu auxílio econômico, e ajuda com forças militares, caso fosse preciso. Mas isso é uma forma de reforçar a sua influência na Belarus, que ainda é um ponto estratégico, tendo em mente as suas tensões com o resto da Europa.

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  • E nesse ano, essas tensões só aumentam. Você pode ler aqui sobre a crise diplomática entre Rússia e UE.

De costume, a Belarus faz uso da situação para conseguir mais ganhos, tanto nas negociações com a Rússia como nas com o resto da Europa. Mas nos últimos dois anos, Putin vem pressionando por uma união mais forte entre os dois países. A princípio, Lukashenko resistiu, mas agora está precisando rever essa posição por causa da sua situação doméstica.

E você, o que achou dessa situação? Deixe sua opinião nos comentários!

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