Caos na Colômbia: como a economia criou uma crise social?

Recentemente está passando nos diversos meios de comunicação o caos social que está ocorrendo na Colômbia, envolvendo vários protestos no país que até resultou em mortes e vários feridos.

Ademais, o prefeito da cidade de Cali, Jorge Ospina, declarou estado de emergência por três meses, além de bloqueio de estradas que resultou no desabastecimento de gasolina e medicamentos.

Isso tudo por conta de medidas do governo que está desagradando os colombianos.

Mas você sabe quais condutas são essas? Quer entender de maneira fácil? Então continue lendo!

QUAL O MOTIVO DO ATUAL CAOS COLOMBIANO?

Manifestantes tomaram as ruas da Colômbia para protestar contra o projeto de reforma tributária apresentado pelo presidente Iván Duque, na semana passada no parlamento.

Assim sendo, eles desafiaram as forças de segurança do governo e as medidas protetivas contra o avanço da Covid-19 no país.

A cidade de Cali foi o epicentro do protesto, mas houve protestos também nas cidades de Bogotá, Barranquilla e Medellín.

Fizeram parte da manifestação as organizações civis, sindicatos trabalhistas, professores, pequenas comunidades locais, dentre outros inconformados com a vontade do governo.

Proposta de reforma tributária causou onda de violência nas ruas Colômbia |  VEJA

Além disso, as primeiras manifestações foram feitas no dia 28 de abril. Carreatas e grandes marchas foram perceptíveis em diversas cidades, mas também foi notado alguns casos de violência e vandalismo, além de confrontos contra as forças armadas do governo.

Unidades policiais foram incendiadas e o governo acredita que isso pode estar ligado a grupos terroristas como o ELN (Exército de Libertação Nacional) e pessoas da gangue FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). 

Ademais, as autoridades já anunciaram mais de 20 mortes de protestantes, além de mais de 800 feridos, tirando de conta ainda os desaparecidos.

Vale ressaltar que a indignação da população colombiana não se restringe apenas aos impostos abusivos apresentados pela proposta de reforma tributária, mas também pelo comportamento violento das forças de segurança nacional.

A apresentação do projeto da reforma tributária apenas intensificou os protestos e o caos social, pois os colombianos já estavam manifestando-se em 2019 em busca do cumprimento de demandas sociais por parte do governo; como na melhoria da educação, previdência, proteção de indígenas e outras pequenas comunidades, reforma policial, etc.

Leia depois: CENSO DO IBGE DE 2021 SUSPENSO E POSSÍVEIS IMPACTOS NO BRASIL

COMO FOI A PROPOSTA DA REFORMA TRIBUTÁRIA APRESENTADA PELO GOVERNO COLOMBIANO?

A proposta que o presidente Duque apresentou tinha como objetivo arrecadar em média US$ 6,3 bilhões de 2022 a 2031

Para alcançar o objetivo supradito, seria necessário aumentar impostos tanto diretos quanto indiretos e reduzir o valor de isenções fiscais.

Sendo assim, o projeto inicial prevê ampliar a base de cobrança de impostos entre as categorias que hoje em dia já são cobradas, isto é: 

  • Atualmente os contribuintes tributados ganham mais que US$ 1.000,00 mensais (que equivale a R$ 5.465,60);
  • Com essa proposta de reforma, passa a contribuir pessoas que recebem mais que US$ 656,00 mensais (que equivale a R$3585,43). 

Vale ressaltar que o salário mínimo na Colômbia é de US$ 248,00 (R$ 1345,57).

Com isso, especialistas acreditam que a classe média poderá ser a mais afetada com a reforma.

presidente colombia ivan duque -

Além disso, a reforma original tem o intuito de criar tributos sobre a riqueza de pessoas físicas, uma vez que seus ativos líquidos excederem US$ 1,3 milhão (R$ 7,11 milhões).

O  QUE MAIS CONSTA NA PROPOSTA DA REFORMA TRIBUTÁRIA?

Ademais, no projeto do governo colombiano também consta o aumento de imposto sobre o IVA (Imposto sobre Valor Agregado).

Dessa forma, o IVA da gasolina que hoje em dia é de 5%, passaria para 19%. Além do mais, os demais impostos indiretos em serviços básicos também aumentariam em locais de classe média alta. A taxação é aumentada até mesmo para realizar um funeral.

A situação de empresas também não ficaram fora do projeto reformista do governo, pois nela consta a criação de uma sobretaxa de 3 pontos percentuais sobre o imposto de renda, além de uma alíquota menor para os pequenos negócios. 

Em seguida, o governo achou necessário aumentar o investimento social como uma forma de equilibrar o saldo.

O auxílio financeiro para as famílias carentes passaria a ser estendido (a depender do número de pessoas) para quem tem renda entre US$ 22 e US$ 100 (R$ 120,24 e R$ 546,56).

NO QUE OS PROTESTOS RESULTARAM ATÉ ENTÃO? 

É importar destacar que com as intensivas manifestações, que gerou caos e muita repercussão na mídia internacional pela violência e repressão policial, Duque anunciou no dia 30 de abril que irá fazer uma nova análise no projeto de reforma tributária. 
 
Além disso, o presidente Duque pediu que o texto fosse retirado de tramitação no Legislativo, já que os protestos ainda perduravam.
 
E no dia 03/05, Alberto Carrasquilla (ministro da Fazenda) pediu demissão do cargo. 
 
Para saber mais, acesse aqui.
 
 
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Até a próxima!! 🙂
 
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2 comentários
  1. Excelente matéria. Nossos vizinhos latino-americanos possuem um caldeirão político transbordante. O enfrentamento ao poder estatal é perigoso, porém necessário. Talvez aprendamos algo com a Colômbia!

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