Como a Bielorrússia mantém viva a União Soviética?

Talvez você nunca tenha ouvido falar da Bielorrússia, já que quase não chegam notícias sobre os países do Leste Europeu aqui no Brasil.

Pensando nisso, vamos atualizar vocês sobre a atual situação da última ditadura da Europa e sobre a luta do seu povo por liberdade.

Então agarrem suas bandeiras, preparem o coração e vem com a gente!

Bielorrússia

Em primeiro lugar, onde fica a Bielorrússia? Junto com a Ucrânia ambos formam o cinturão que separa o oriente e o ocidente europeu.

Assim, devido a sua posição estratégica, esta sempre foi uma região disputada por outros povos ao longo de sua história, isso até a criação do bloco soviético.

Posição global da Bielorrússia

Dessa forma, apenas com o fim da União Soviética em 1991, Belarus como também é chamada, se tornou uma nação livre.

Então, agora que já nos achamos no mapa, vamos entender a série de eventos.

Aleksander Lukachenko

Logo depois do fim da União Soviética, elege Aleksander Lukashenko com presidente. Ele está no poder desde então.

Devido a sua posição como militar soviético, iniciou sua carreira política como um deputado do conselho supremo erguendo a bandeira do combate a corrupção em 1990.

Por esse motivo chegou a presidência em 1994 e assumiu as rédeas do país com punho de ferro.

Mudou a constituição, ampliou os salários dos seus apoiadores e prendeu todos os seus opositores para se manter no poder. Hoje ele é tido como o último ditador da Europa.

Há pouco tempo seu nome voltou a ter espaço na mídia global, quando sugeriu vodca e sauna no combate ao COVID-19, confira:

Eleições

Em primeiro lugar, quando falamos sobre eleições em Belarus, temos que lembrar que os veículos de mídia estão sob controle do governo e isso garante sua reeleição desde 1994 com mais de 80% dos votos.

Dessa forma, grupos de oposição surgem para em 2020 buscar novas alternativas eleitorais. E como resultado, Lukashenko manda prender todos os seus líderes e os qualifica como terroristas.

Um dos líderes presos foi o blogueiro Sergei Tikhanovsky e, devido a isso, sua esposa Svetlana Tikhanovskaya decide concorrer as eleições em seu lugar, unindo as três linhas da oposição.

Svetlana e seu apoio nas eleições

Assim, Lukashenko em sua visão machista de mundo, acha que concorrer com uma mulher era um desafio pífio e permite que Svetlana concorra.

Sobretudo eles elaboram uma sagaz jogada com o intuito de evitar possíveis fraudes eleitorais: Todos os votos a favor da Svetlana seriam postos dobrados na urna, pois ela sendo transparente permitiria o registro visual.

Em suma vimos esse resultado:

Urna Eleitoral Bielorrussa em 2020

E apesar da foto que vemos acima, Lukashenko é declarado reeleito com mais de 80% dos votos.

Resposta do povo

Com isso, a clara fraude eleitoral revolta o povo que decide ir às ruas pedindo, em um ato pacífico, por novas eleições.

Lukashenko se nega e essa é sua resposta:

Segundo relatam as notícias, o ditador chegou inclusive a sobrevoar o evento armado com um fuzil, bem como denúncias de tortura, violência e até estupros são feitas contra a polícia pelo povo.

Assim, Svetlana declara fraude nas eleições e precisa se exilar na Lituânia. Alguns líderes da oposição são presos de forma suspeita por forças militares ilegítimas como mostram os links abaixo:

Reflexos no mundo

O que vimos ocorrer na Bielorrússia não é um fato isolado. Anos atrás, a Ucrânia passa por esse mesmo tipo de conflito e mais recente o Quirguistão iniciou uma onda de protestos com o objetivo de tentar firmar sua democracia.

Aliás, os conflitos vistos na Ucrânia deram origem a um documentário muito bom no Netflix, o Winter on Fire:

Trailer do documentário Winter on Fire

Assim, a apatia que se vê da Europa em relação ao que ocorre em Belarus em muito se dá pelo contato de Lukashenko com Vladimir Putin e o governo russo.

Outro ponto chave é que por Belarus corre 1/5 de todo gás natural gerado pela Rússia para a Europa e também por lá passam uma das importantes rotas de comércio com a China.

Dessa forma essas tensões acabam por “esfriar” a força da União Europeia no conflito. Lukashenko em mais de uma chance mostrou a intenção de unir outra vez Rússia e Bielorrússia.

Contexto atual

Assim, e por conta do que já mostramos ao longo de toda a matéria, poucos efeitos causaram impactos, a pouco Lukashenko inclusive impediu um atentado contra si.

Por isso, ele ampliou o poder do Conselho de Segurança para que, em caso de sua morte, assuma o poder no país. Seu filho é considerado o líder informal do conselho.

Aleksandr Lukashenko e seu filho

Assim, Svetlana continua lutando…

Mesmo exilada na Lituânia, ela propôs novo diálogo com Lukashenko.

Não colocamos nenhuma condição (…). Tanto pode ser com Alexander Lukashenko como com os seus representantes“.

Então, o que achou dessa história? Diz pra gente nos comentários! E até a próxima!

#FREEBELARUS

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8 comentários
  1. Surreal,analise muito bem acurada para os dias atuais!! Analise que permeia do âmbito economico ao geopolítico de forma precisa e fluida!

  2. Show de bola, o artigo é muito bom e mostra que, mesmo com o fim da antiga URSS, o leste europeu continua bastante conturbado do ponto de vista geopolítico!!

    Parabéns pelo trabalho!!

    1. Obrigado Cláudio! Certa vez eu escutei o termo “extremo ocidente” para nos configurar e gostei bastante justamente pelo fato desse tempo “extremo” em partes refletir essa assimetria do nosso conhecimento sobre o que ocorre no oriente.

  3. Maluco no poder desde o final da Guerra fria?! Essa não tinha reparado ainda . Gostei da análise geopolítica, rota comercial para a China…

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