Conheça os 10 pilares do Fascismo

Por mais que o tema fascismo seja visto em livros de história, ele está vivo no nosso dia a dia e é muito mais atual do que parece em nossas vidas.

O professor Jason Stanley, mostrou em seu livro “Como funciona o fascismo – a política do nós e eles”, os principais sintomas que mostram a ascensão dessa ideologia dentro das sociedades modernas.

Vem com a gente para conhecer!

Jason Stanley

Antes de mais nada, vamos conhecer o autor.

Jason Stanley é filósofo e professor na universidade de Yale nos Estados Unidos onde pesquisa o neofascismo moderno. Especialista em filosofia da linguagem, aborda áreas como a linguística e a ciência cognitiva com ênfase na ciência política.

Jason Stanley

Além disso, Stanley é filho de judeus que fugiram regime nazista alemão e isso o impulsionou a ser um dos grandes nomes no estudo da ascensão do fascismo em sociedades modernas.

Além disso um dos seus livros mais celebrados é o “Como funciona o Fascismo – a política do nós e eles”. Nesse livro ele descreve os principais indícios que definem o fascismo com estratégia política na atualidade e seus perigos iminentes.

Inclusive o Brasil é referenciado por Stanley como um dos exemplos dessa ascensão devido as ações do atual governo.

10 pilares do fascismo

Nesse sentido, em seu livro Stanley elenca os 10 pilares do fascismo e estes se erguem dentro dos grupos sociais modernos. São eles os principais responsáveis pelo crescimento da ideologia nas sociedades atuais.

Assim, é válido conhecê-los e com isso fazer tristes analogias com a nossa própria sociedade. Então vamos lá.

Passado Mítico

A princípio o passado mítico reflete a justificativa de todo o argumento fascista. Isso se dá pois, ela é a motivação maior do seu ideal: resgatar uma versão idealizada do passado que existe apenas na sua cabeça.

Assim, o fascismo sempre deseja regressar a um passado mítico que fora perdido em algum momento da história. Um tempo em que mundo era grandioso, segundo Stanley, para Mussolini era o império romano por exemplo. Dessa forma, o objetivo é olhar para o passado e fazer o grupo dominante achar que perdeu algo.

Ou seja, o objetivo é gerar uma sensação de perda em relação a um passado que sequer existiu. Isso faz com que reflexões como “houve um tempo em que você era respeitado apenas por ser branco” ganhem força, e a partir daí fica fácil imaginar os desdobramentos envolvidos nesse tipo de entendimento.

No Brasil

No Brasil, vemos esse mesmo tipo de reflexão num país que defende o retorno da ditadura militar, idealizada com uma época de prosperidade e progresso. Ou seja, eles usam a democracia para atacar a democracia…

Propaganda

A propaganda é considerado o segundo pilar do fascismo. Historicamente foi uma das grandes ferramentas utilizadas por esses movimentos no início do século |XX|.

Sobretudo o próprio professor Jason Stanley comentou sobre a propaganda como ferramenta do fascismo no Brasil.

“O modelo de Bolsonaro não é Trump, é Goebbles. Fascistas acusam seus adversários do que eles são e de mentirem o tempo todo, mas são eles quem mentem.”

Jason Stanley

Não por acaso os nazistas acusavam a imprensa de mentir o tempo todo. Isso soa familiar?

No Brasil

Anti-intelectualismo

Para Jason Stanley: “Investe-se muito em atacar universidades porque é onde está a maior liberdade de expressão“. O terceiro pilar do fascismo é o anti-intelectualismo, ou seja, o combate a tudo que estimule o livre pensamento

O perigo do livre pensando é que a população passa a discordar dos absurdos propagados pela propaganda desses regimes. Muito desse pilar é amplamente caracterizado no livro 1984, escrito por George Orwell e até hoje atual.

Como resultado, as universidades e os intelectuais são atacados e taxados como criminosos, a mídia se inclui nesse grupo como já vimos no pilar anterior, apenas reforçando a teoria.

Dessa forma, qualquer coisa que se desvie das narrativas oficiais do regime são atacadas de forma direta.

No Brasil

Dessa forma, se há dúvidas se esse pilar já foi erguido no Brasil, é bom relembrarmos o incisivo posicionamento do ex-ministro da educação do governo.

Irrealidade

Continuando nossa abordagem o quarto pilar do fascismo é a irrealidade, nesse contexto o fascista cria cenários irreais que confundem a própria realidade. Dessa forma, perde-se completamente qualquer referencial com a realidade. Assim, sua principal ferramenta é a teoria conspiratória que coloca a prova até os mais bem fundamentados conceitos científicos.

Funciona dessa forma: Primeiro você diz que a mídia pertence a forças obscuras, e a prova disso é que a mídia nunca diz que pertence a forças obscuras. Irônico não? Mas infelizmente funciona.

Conforme os nazistas clamavam, os judeus eram os donos da mídia, e o que provava isso era o fato da mídia não dizer que pertencia aos judeu.

No Brasil

Atualmente, quando os incêndios da amazônia tornaram-se impossíveis de negar, o presidente disse que essas eram obras das ONG’s. Como prova de que as ONG’s colocaram fogo na amazônia era o fato de não haver provas que foram elas quem colocaram fogo na amazônia. Sim.

Hierarquia

Antes de mais nada, os fascistas definem um conjunto de hierarquias que devem estar no topo da sociedade, e essa hierarquia em geral se expressa em termos raciais ou em questões de gênero, segregando a sociedade.

Assim, para eles os homens devem estar acima das mulheres. Mais uma vez, e infelizmente, o Brasil é um dos exemplo claros do professor Stanley:

“É como o presidente Bolsonaro ao dizer que teve quatro filhos e na quinta vez deu uma “fraquejada” e veio uma mulher.”

Jason Stanley

No Brasil

Dessa forma e não por acaso, no Brasil existe uma corrente influente no Governo que define a divisão da sociedade em “castas”, isso mesmo.

Por exemplo, esse é um dos pensadores do atual pensamento do governo brasileiro.

Vitimização

Ao passo que para o professor Stanley, na política fascista o grupo dominante é vítima do que ele chama de uma “igualdade invasiva”. Não por acaso o Mein Kampf escrito pro Hitler é uma celebração da vitimização alemã.

Ou seja, sempre que um negro entra numa universidade, para o fascista uma vaga foi roubada de uma pessoa branca. Da mesma forma se uma mulher ocupa uma posição de liderança essa mesma oportunidade foi roubada dele.

No Brasil

Lei e Ordem

De acordo com Stanley o sétimo pilar do fascismo é chamado de “Lei e Ordem” onde o fascismo define um discurso de punição a todo e qualquer dissidente das suas ideias.

Ou seja, qualquer um fora do grupo dominante merece ser punido, apenas por não estar alinhado com as leis e ordens da ideologia fascista e apenas por não pertencer ao grupo hegemônico.

“O grupo descriminado é tido como criminoso e preguiçoso”

Jason Stanley

No Brasil

Ainda no passado essa política permitia a morte indiscriminada nas favelas, mas ganhou força quando o então candidato a presidente sugeria a morte de seus opositores políticos.

Tensão Sexual

Segundo Jason Stanley, o oitavo pilar do fascismo é a tensão sexual, onde o fascista ergue o medo do estupro, e acusa todos os seus opositores de estupradores, tarados e degenerados.

Além disso esse medo é útil ao líder fascista, uma vez que esse medo induz a população a recorrer a proteção do líder fascista.

“Todos os líderes fascistas estimulam o medo ao estupro. Os estupradores seriam estrangeiro ou membros de grupos descriminados.”

Jason Staley

Assim, o líder fascista torna-se a alternativa para a proteção das mulheres da sociedade.

No Brasil

De acordo com a ministra dos direito humanos: “Menino veste azul e menina veste rosa”. O próprio presidente enquanto candidato defendeu o combate a um kit gay que sequer existiu.

Sodoma e Gomorra

O nono pilar do fascismo impõe que o povo do campo é nobre e puro, enquanto o povo da cidade, em especial nos guetos e favelas são marginalizados e bestializados. Assim, são nesses lugares vive “gente do mal”.

Com isso, Jason Stanley afirma que o o poder maior do fascismo se encontra em especial nas áreas rurais. Isso porque nessas regiões ainda não ocorreu a “infestação de estrangeiros”.

No Brasil

População marginalizada das periferias são constantemente rechaçadas por forças policiais e do estado.

Arbeit Macht Frei

Em referência ao portão de entrada de Aushwitz, que significa “o trabalho liberta”, um cenário marcante do holocausto judeu. A ideia é sugerir que todos os opositores do fascismo são preguiçosos, diante desse contexto, o regime fascista pode obrigar seus opositores a executar trabalhos forçados.

Dessa forma, tragédias humanitárias podem se iniciar com simples discursos. Exemplos diários são notáveis como americanos brancos sugerindo que “negros ou latinos são preguiçosos”. Isso é arbeit macht frei.

Em resumo, todos os opositores do fascismo são considerados sedentários e preguiçosos, e pior, usam o estado para “sugar” aqueles que são trabalhadores e pagam impostos. Apesar de um contexto muito visível ao redor do mundo, conseguimos encontrar exemplos no Brasil? Sim e é conhecido como “acabou a mamata”.

entrada de Aushwitz

No Brasil

Pasmem. O atual presidente se refere a negros de comunidades com as mesmas referências usadas para medir o peso do gado, arrobas.

Não é agradável, mas é necessário conhecer essas pequenas nuances, esses movimentos são sutis e repentinamente assumem o controle. É aí que mora o perigo.

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