Hong Kong e Taiwan: entenda a tensão entre os dois

Você sabia que existem duas Chinas? Ou que existem áreas administrativas quase independentes dentro da China? Vem comigo que enquanto te conto sobre as últimas tensões na Ásia, te explico isso.

Taiwan e Hong Kong

Taiwan e China: Dois governos, um país?

Atualmente a China possui duas Zonas Administrativas Especiais: Macau e Hong Kong. Devido a como foram colonizadas e por quanto tempo, essas duas zonas recebem certos benefícios de autonomia quanto ao sistema econômico e político, sendo elas quase independentes.

Hong Kong Flag GIF | All Waving Flags

Porém além dessas Zonas, a China também tem uma reivindicação bem grande. A soberania total sobre a antiga ilha de Formosa, atual Taiwan.

Taiwan Flag GIF | All Waving Flags

Mas Taiwan tem um governo próprio e se considera um país, então como pode isso ocorrer?

Uma breve história chinesa

Um breve Relembrar É Viver: quando os socialistas ganharam a Guerra Civil Chinesa, em 1949, o antigo governo se mudou para a ilha de Taiwan e fundou a República Democrática da China.

Note que a China que conhecemos mais comumente hoje é a República Popular da China.

Temos aí um impasse então: quem é a China verdadeira? Para a ONU e para o resto do mundo, a China legítima era aquela sediada em Taiwan. E assim foi até a 1971, quando o crescimento econômico da China socialista fez com que Taiwan perdesse seu assento nos principais fóruns do mundo.

E aí se intensificou uma guerra ideológica local bem antiga. Só existe uma China. Nenhum dos dois governos está disposto a ceder nesse ponto. Não podem haver duas Chinas e quem reconhece um não pode reconhecer o outro.

Mas a economia da República Popular é grande, grande demais. Por isso, menos de 15 países hoje reconhecem Taiwan, e um deles é o Vaticano.

Taiwan rebelde e os protestos em Hong Kong

Atualmente a China diz que Taiwan é uma província rebelde, mas mantém relações relativamente amistosas com ilha, inclusive elegendo nativos, ou filhos de nativos, para ocupar cadeiras especiais no Congresso chinês.

E como isso se relaciona com Macau, Hong Kong e o atual corte de relações diplomáticas?

Embora Hong Kong seja um Zona Especial, e em teoria livre para tomar muitas decisões, na vida real a China mantém um pulso bem firme sob a cidade. Nos últimos anos, inclusive, dominando o sistema judiciário e os poderes legislativo e executivo.

Protestantes que se dizem pró-democracia fazem embates quase diários com as forças de segurança de Hong Kong, enquanto clamam pela independência da cidade, dizendo principalmente que os processos coloniais tão diferentes impedem a unificação total, e o governo central rebate acusando o movimento de ser financiado por forças estrangeiras.

Mas a China não está disposta a ceder, Hong Kong e Macau possuem data para perderem seus direitos de Zona Especial e o governo comunista não pretende desviar do plano e enquanto reprime os protestos, proíbe de forma bem direta que se comente sobre as ações chinesas.

Em assuntos de segurança interna, não cabe interferência de nenhum outro governo, dizem.

Porém Taiwan parece não ter recebido o memorando chinês, com a presidente do governo de fato da ilha fazendo declarações públicas de suporte aos manifestantes.

As reações da China e de Hong Kong

A reação chinesa foi dura, tropas militares agora basicamente envolvem a ilha, e em um movimento indireto, Hong Kong anunciou que estava fechando os escritórios de negócios em Taiwan, além de demitir todos os funcionários e prestar serviços para os nacionais de Hong Kong apenas para o retorno.

Efetivamente cortando todas as comunicações não essenciais.

Macau, a outra Zona Especial, e historicamente muito mais alinhada a China continental, já é dita como a próxima a cortar relações.

Embora nenhum dos dois digam que as ordens vieram do governo continental, especialistas em todo o mundo dizem que provavelmente houveram sim ordens e pressões.

E como Taiwan se defende?

O governo da ilha reiterou que sempre manteve relações neutras com Hong Kong e a China, que nunca atacou suas respectivas autonomias ou soberania, mas também não se retratou sobre o apoio aos manifestantes pró-democracia.

Agora o mundo assiste enquanto as tensões das duas Chinas voltam a crescer, com Hong Kong sendo basicamente um representativo de República Popular, que leva tropas para a fronteira com a ilha ameaçando um fino equilibro que existiu desde o fim da Guerra Civil.

Por fim, dizer certos e errados é complicado, tomar posições é fazer declarações de posicionamento político, e é cair em certas contradições.

Se quando se trata de política internacional não existe preto ou branco, mas sim um cinza, então quando falamos de soberania o cinza toma contornos muito mais pessoais.

O mundo é vasto. As razões são várias e todo mundo pode estar errado ao mesmo tempo.

E você, o que acha dessa situação? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe o texto com seus amigos!

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