O mercado futebolístico

Se você acompanha futebol, com certeza já ouviu, ou disse, a frase “não é só futebol”, e realmente, quando pensamos nos lindos momentos que o esporte pode nos proporcionar, a frase faz sentido. Mas quero trazer essa frase para um outro contexto. Não é só futebol, é também um mercado que movimenta bilhões e bilhões de euros só na Europa todo ano. É o mercado mais globalizado do mundo dos esportes.

Não é só futebol. É dinheiro.

Alguns valores do mercado do futebol

Como eu já disse, o futebol provavelmente é o esporte que mais movimenta dinheiro em um único ano no mundo. Embora finais específicas como o Super Bowl gerem mais renda em um único evento, nenhum outro esporte tem tantas transações milionárias ao longo de todo um ano.

Somente na Europa no último ano, foi movimentado mais de 25 bilhões de euros. O que equivale a mais de 160.447 bilhões de reais, na cotação atual. Alguns clubes, como o Manchester City e o Paris Saint-German já são avaliados em torno de 1 bilhão de euros, isso sem contar com o valor da marca em si que os escudos desses clubes representam.

Alguns recordes

Embora as transações milionárias já sejam o padrão europeu a um bom tempo, algumas delas se destacam. O Neymar, por exemplo, em 2017 foi protagonista da transferência mais cara da história, 222 milhões de euros foram pagos para o Barcelona pelo atacante.

No ano seguinte o time francês abriu a carteira novamente e comprou o atacante da francês Mbappé por 145 milhões de euros do Monaco FC.

Jogadores de linha, e principalmente atacantes, historicamente são negociados por valores mais altos, e isso pode ser melhor visto nas duas negociações mais caras da história dos goleiros.

Kepa Arrizabalaga e Alisson Becker são os dois goleiros mais caros do mundo, e ainda assim os dois foram transferidos por menos de 90 milhões de euros. Mesmo que o valor seja absurdo para dos outros esportes do mundo, as transferências estão num valor baixo para jogadores de alto nível na Europa.

Quem controla o mercado do futebol?

Os últimos anos marcaram uma fase de transição pro mercado do futebol. Antigos acionistas e grupos financeiros, que antes agiam de forma um pouco mais discreta passaram a comprar de forma clubes em todo o mundo.

Quem acompanha futebol provavelmente já ouviu uma piada ou outra sobre um sheik comprando um time, ou “abrindo o barril de petróleo” para contratar jogador X ou Y. Embora exista um exagero considerável, os ricaços árabes realmente tem sido os pivôs de compra de clubes em todo mundo.

Atualmente, os maiores clubes do mundo são controlados de alguma forma por esses multimilionários árabes. Como exemplo podemos cita o PSG, o recém adquirido Newcastle, e o Manchester City.

O caso City

O Manchester City não é apenas controlado por um fundo de investimentos árabe, mas existe todo um conglomerado de clubes sob a tutela desse fundo. O City Group é dono de 10 times ao redor do globo, incluindo um na América do Sul, o Montevideo City Torque, que recentemente disputou inclusive a Copa Sulamericana.

Uma característica dos clubes sob a tutela do City Group é que reconhecidamente eles são clubes de apoio ao Manchester City. Embora exista um incentivo para o crescimento do clube em suas divisões nacionais, todos também são bases de formação de jogadores para o Manchester City. Portanto o City tem prioridade de compra de basicamente qualquer jogador do grupo.

Essa tendência de criar clubes de apoio não é muito bem vista por torcedores, que em geral acusam a prática de destruir a identidade dos times locais. Porém, ser adquirido pelo City Group pode a diferença entre uma história de ostracismo nas ligas mais baixas de um país e a relevância continental.

Times como o Torque, que passaram anos disputando a segunda divisão uruguaia, ganham a chance de disputar torneios continentais devido aos investimentos em pessoal e qualidade do Centro de Treinamento.

O futebol europeu

Para se explicar a diferença entre o futebol europeu do resto do mundo existem diversas possibilidades. Contudo, visto o número de estrangeiros inscritos em ligas europeias, não parece ser a qualidade dos europeus em si no esporte.

Na verdade, a diferença parece estar mais nos níveis de investimento. E isso gera consequências em diversas áreas, gramados melhores, melhores estádios, qualidade da estrutura dos Centros de Treinamento. Além é claro, de garantir que os jogadores que atuam na Europa continuem no continente até o fim do seu alto nível de rendimento.

O mercado brasileiro

No Brasil o futebol é uma parte considerável do PIB, certa de 2% em 2019. Além da paixão nacional, é uma indústria importante para a economia do país.

Porém o futebol aqui funciona de uma forma um pouco diferente da Europa. Com exceção de alguns poucos clubes, não existem grandes investidores por trás das receitas, por isso os times apostam em empréstimos para montar elencos competitivos.

As consequências disso são clubes com dívidas infinitas, com múltiplos credores e fadados a crises financeiras cíclicas. É praticamente impossível apontar um clube que tenha ganho títulos relevantes no Brasil nos últimos 20 anos que não tenha, em um momento ou outro se afundado especialmente em dívidas.

Ainda assim, a distância do futebol brasileiro para o resto da América do Sul é gritante, fato visto mais facilmente pelas finais dos campeonatos continentais organizados pela CONMEBOL, todos os finalistas são brasileiros, e favoritos desde o começo das competições.

De um esporte das massas pobres para um negócio que gera bilhões de receita todo o ano, o futebol é hoje um mercado caro, mas ainda assim extremamente lucrativo para aqueles que já detêm os poderes e meios financeiros do mundo. Futebol não enriquece os pequenos, mas ajuda aos ricos a ficarem ainda mais ricos.

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