De exemplo econômico regional a protestos contra o sistema atual. Chilenos foram às urnas para, então, pôr fim à constituição do ditador Augusto Pinochet.

Em 25 de outubro, a população chilena aprovou, por meio de um plebiscito, o processo de criação de uma nova constituição do Chile.

Desta forma, o cidadão chileno respondeu suas perguntas: “Você quer uma nova Constituição?” e “qual órgão deve redigi-la?”. Com isso, 78% dos eleitores aprovaram a ideia sobre a criação de uma nova Carta Magna.

Além disso, ficou definido que o país criará uma Assembleia Constituinte, formada por 155 representantes. Todos eleitos diretamente.

Paridade de gênero, sendo 50% homens e 50% mulheres, além de assentos destinados aos povos indígenas, serão pontos relevantes da assembleia.

A população, no entanto, rejeitou a participação dos atuais congressistas no processo.

Assim sendo, após mais de um ano desde o início dos protestos históricos, os chilenos terão a oportunidade de redigir o tipo de sociedade que desejam.

Cronologia dos protestos:

Historicamente no Chile, grande parte dos serviços públicos são privados. Por isso, há uma forte demanda da população reivindicando prestação gratuita de serviços básicos, como educação, saúde e previdência.

Foi em uma desses protestos que o levante popular chileno começou, em 18 de outubro de 2019. A população era contra o aumento no valor das passagens do metrô de Santiago.

Após isso, o Governo de Sebastián Piñera decretou estado de emergência e convocou o exército a ir às ruas. A partir disso, houve uma forte repressão policial.

Até o momento, o Chile registrou 20 mortes, mais de 2.500 feridos. Desses, 26 manifestantes perderam a visão em um dos olhos.

Dada à violência nas ruas, a situação pelo país andino ficou ainda mais insustentável. A população aderiu aos atos, incorporando diversas outras pautas e mostrando sua insatisfação com o sistema atual.

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Protestos no Chile em 2019

O movimento feminista, pautado na igualdade de gênero, foi um importante marco nos protestos.  A performance contra o feminicídio, “El violador eres tú”, surgiu em Valparaíso e ganhou o mundo.

Por fim, o direitista Piñera cedeu e ofereceu concessões a fim de apaziguar a relação com os cidadãos e chegar a um consenso.

Então, o governo propôs a suspensão dos aumentos da tarifa do metrô, reforma ministerial, melhora nas aposentadorias e, finalmente, a criação de uma nova constituinte.

Possíveis mudanças na nova Constituição do Chile?

A atual constituição do Chile é a mesma desde 1980, redigida ainda no período Pinochet, fortemente influenciada pelos Chicago Boys. E, por muito tempo, foi tida como fator principal do crescimento econômico no país.

Como resultado, obteve a maior renda per capita da América do Sul e tornou-se o único país do continente a fazer parte da OCDE. Ainda, manteve um crescimento médio de 4,3% ao ano.

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Embora ostente indicadores macroeconômicos invejáveis, o Chile é um dos países mais desiguais do mundo. Dessa forma, segundo levantamento do Relatório da Desigualdade Global, 1% da população chinela é responsável por 23,7% de toda a renda do país.

Com um elevado custo de vida, grande parte da população chilena vive com menos de um salário mínimo brasileiro. Enquanto isso, a constituição não garante o acesso universal e gratuito à educação, saúde e seguridade social.

Com isso, ainda restam muitas dúvidas sobre como será de fato a nova Carta chilena. Porém, é esperado que haja novas garantias sociais, gratuidade nos serviços básicos e fim do sistema econômico vigente.

O que vem a seguir?

Entre os próximos passos que virão estão a eleição dos 155 membros em abril de 2021. Aqueles eleitos terão um mandato de 9 meses para a elaboração da nova Constituinte. Por fim, em 2022, haverá um novo plebiscito, onde ocorrerá a aprovação ou não do novo texto.

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