Os nossos queridos hermanos estão com um novo governo, e isso tem sido noticiados em todos os canais de comunicação.

Alberto Fernández é formado em direito e um veterano na política argentina. Eleito em 27 de outubro de 2019, o novo presidente peronista levanta dúvidas.

O que acontece agora na Argentina? Como fica a política exterior do país? E como isso afeta o Brasil? O BE te conta, vem com a gente!

Fernández e Kirchner: o que é o Peronismo?

O Peronismo é um movimento político argentino nascido na década de 1940. Na época, a Argentina vivia algo muito parecido com a Era Vargas no Brasil.

Os dois movimentos também eram muito parecidos. O Peronismo, normalmente localizado à esquerda, defendia pautas políticas, sociais e econômicas similarmente ao presidente brasileiro.

Sob o mesmo ponto de vista da CLT de Vargas, Perón criou o décimo terceiro, as férias remuneradas e aumentava continuamente o salário argentino.

Devido a estes fatores, o movimento se tornou o maior foco popular da Argentina. Desde então, políticos de centro e esquerda estampam o Peronismo com orgulho. E Perón se tornou um dos maiores símbolos polísticos do país.

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Atualmente, dois destes políticos são Alberto Fernández e Cristina Kirchner, que formam a chapa vencedora das eleições de 2019.

O Peronismo voltou pela primeira vez à Argentina?

Definitivamente: não.

O movimento criado por Perón sempre esteve presente no comando do país. O marido de Kirchner, Néstor, foi presidente entre 2003 e 2007. Logo após seu mandato, a própria Cristina assumiu o cargo, até 2015.

Logo após 14 anos de forte Peronismo, a Argentina elegeu Mauricio Macri, membro da centro-direita liberal do país. Macri, que pegou uma Argentina já em crise, aprofundou mais ainda os problemas econômicos e sociais, sendo duramente criticado.

O país vive uma crise há alguns anos. Atualmente, a inflação chegou a 55% e o desemprego passou de 10%. Além disso, a moeda dos argentinos, o peso, tem sofrido constantes desvalorizações.

Desta forma, a raiva da população argentina por Macri deu ao Peronismo uma nova chance na política, levando Alberto e Cristina à vitória nas urnas.

Quais as possíveis posturas argentinas agora?

Acima de tudo, é preciso notar a reação internacional à eleição de Fernández. Donald Trump, peça chave do comércio internacional, parabenizou o candidato eleito pela vitória.

“Parabéns pela vitória, assistimos pela televisão. Você vai fazer um trabalho fantástico. Espero poder conhecê-lo imediatamente. Sua vitória foi comentada no mundo todo.”

Além disso, Trump instruiu o FMI a ajudar a Argentina em todas as questões econômicas. “Não hesite em me ligar”, completou o presidente americano.

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Na sexta-feira (26 de outubro) o FMI aprovou um empréstimo de 56 bilhões de dólares para a Argentina.

Por outro lado, mesmo com o novo empréstimo e a aprovação de Trump, o mercado está desconfiado. Logo após a eleição de Fernández e Kirchner o peso argentino voltou a ser desvalorizado.

Em seguida, um dólar americano foi de 62 pesos para 65. A inflação continua a aumentar. Da mesma forma, as expectativas para a bolsa de valores argentina nessa próxima semana são ruins.

Consequentemente, a confiança dos empresários para o investimento direto na Argentina também caiu.

Eventualmente, outros números pioraram. Economistas argentinos preveem que a moeda do país, assim como a confiança no governo continuem desequilibradas até que todos saibam o que o futuro presidente pretende.

O que esperar de Fernández e Kirchner na Argentina?

Antes de mais nada, é preciso citar que Fernández, há alguns anos, foi um ferrenho crítico de Kirchner. Quando Cristina estava no poder, Alberto criticava-a abertamente em vários assuntos políticos e econômicos.

Devido a este histórico e outros assuntos, a vice tentou ao máximo não roubar o protagonismo do presidente, que fez campanha quase sozinho.

Embora Alberto seja considerado um pouco mais “liberal” que Cristina na área econômica, a presença dos movimentos sociais em seus discursos é grande.

Além disso, tem procurado deixar exposto com quais países quer ter relação mais próxima.

Criticou Jair Bolsonaro dizendo que o brasileiro “É racista, misógino e violento. Em termos políticos, eu não tenho nada a ver com Bolsonaro. Comemoro enormemente que fale mal de mim”.

Bolsonaro se recusa a parabenizar o novo presidente argentino. O grande problema, é que a Argentina é o terceiro maior parceiro comercial do Brasil. Na América Latina, é o primeiro.

E o Mercosul?

Ainda mais, segundo internacionalistas e economistas o Mercosul pode estar ameaçado. Enquanto Bolsonaro quer um Mercosul mais alinhado à direita, Fernández segue a linha da centro-esquerda.

Para a Argentina o Mercosul é importantíssimo, principalmente pelo novo acordo com a União Europeia.

Por outro lado, para Bolsonaro o Mercosul se tornou moeda de barganha com outros países da América Latina.

Como resultado, espera-se uma América do Sul fragmentada, com futuras dificuldades para a cooperação entre os dois maiores comerciantes do continente.

Dessa forma, precisamos esperar as primeiras ações do novo presidente argentino. A Argentina espera que Fernández e Macri façam uma boa transição governamental, protegendo a Argentina.

Enquanto isso, o Mercosul espera que as tensões entre Brasil e Argentina se acalmem.