Se você acompanha o Boletim Econômico, essa certamente não é a primeira vez que você nos vê falando sobre o conflito China x EUA. E com certeza, não será a última. Ao longo dos últimos 2 anos, o conflito entre a potência mundial e o gigante asiático passou por várias fases.

Anteriormente, assistimos a uma das mais intensas guerras comerciais já ocorridas no cenário internacional (que, inclusive, foi um dos meus primeiros posts aqui no Boletim. Clique aqui para ler!)

Ainda mais, lemos sobre as constantes denúncias norte-americanas na OMC contra as práticas comerciais chinesas. Da mesma forma, a China denunciou os Estados Unidos várias vezes por interferências políticas em Hong Kong.

China x EUA

A chegada do coronavírus agitou ainda mais os ânimos, e os países trocaram diversas agressões verbais – vindas, em grande parte, dos Estados Unidos, que culpam a China diretamente pela pandemia.

Donald Trump chegou até mesmo a romper com a Organização Mundial da Saúde, justificando o ato com uma “aproximação” entre a OMS e a China.

No entanto, na última semana de julho, um novo episódio foi adicionado ao conflito China x EUA. 

Por que China e EUA ordenaram fechamento de consulados?

Na terça-feira, 21 de julho de 2020, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos acusou a China de patrocinar hackers que visavam invadir laboratórios que desenvolvem vacinas para a COVID-19, além da tentativa de roubo de propriedade intelectual.

Tradução: “Dois hackers chineses que trabalham com o Ministério de Segurança da China são acusados por campanha global de invasão de computadores que visava a propriedade intelectual e informações assuntos confidenciais, incluindo pesquisas sobre a COVID-19.

Ainda mais, os Estados Unidos acusaram a China de espionagem que, segundo as autoridades, chegaria ao nível das operações durante a Guerra Fria. Com isso, os norte-americanos ordenaram o fechamento do consulado da China em Houston, no Texas.

Por outro lado, a China respondeu que o ato era “uma escalada sem precedentes”. “Escalada de conflito” é como nos referimos a um conflito que cresce cada vez mais, se tornando mais complexo e de difícil reparação.

Qual foi a retaliação chinesa?

Assim sendo, o jornal estatal chinês Global Times lançou uma pesquisa ao público para decidir qual consulado americano no país deveria fechar, em resposta à ordem dos Estados Unidos.

Durante o final de semana os empregados chineses deixaram o consulado no Texas e se prepararam para voltar para casa.

Na segunda (27) pela manhã, a China determinou o fechamento do consulado dos EUA na cidade de Chengdu. 

“Alguns funcionários do consulado dos Estados Unidos de Chengdu se dedicaram a atividades que vão além de suas funções, imiscuindo-se nos assuntos internos da China, e têm colocado em perigo a segurança e os interesses chineses”, disse o porta voz chinês Wang Wenbin.

A China optou por uma “resposta gradual”, tomando a mesma atitude de seu rival, e não por uma retaliação mais brusca, que poderia levar a uma contra-retaliação dos EUA.

Outras arenas de conflito

A acusação de espionagem mútua e ultrapassagem diplomáticas não são os únicos motivos para a escalada das tensões entre os países.

Outros motivos que contribuem para a troca de ofensas entre os dois países são o coronavírus, o comércio internacional e a lei de segurança em Hong Kong.

Quais as consequências econômicas do conflito?

Antes de mais nada, o conflito China x EUA é econômico por si só. A princípio, a rivalidade começou após a China se estabelecer como potência comercial há alguns anos.

Com isso, a guerra comercial travada pelas duas nações rendeu manchetes jornalísticas durante meses. Os Estados Unidos acusaram a China na OMC por práticas desleais de comércio, e impôs várias sanções econômicas ao país asiático.

Do mesmo modo, os EUA exigiram, em 2019, o fechamento de várias filiais de empresas norte-americanas que atuavam na China.

Por este motivo, países do mundo todo se envolveram. Inclusive o Brasil, uma vez que a cotação do dólar era influenciada pelas sanções.

China x EUA

Do mesmo modo, em 2020 as ações políticas das duas potências interferem diretamente na economia. 

Nos últimos dias, os índices acionários das empresas chinesas caíram consideravelmente. Os investidores temem que, com a escalada do conflito entre Washington e Pequim, as empresas da China percam valor e acarretem prejuízo.

A queda do mercado se deve principalmente às preocupações sobre a escalada das tensões sino-americanas”, disse Zhang Gang, analista do China Central Securities.

Por que o Brasil deve se preocupar?

O Brasil é um grande aliado comercial, tanto dos EUA, quanto da China. Atualmente, a China é o principal parceiro comercial do Brasil, tanto em termos de importação quanto exportação de bens e serviços.

Até agora, em 2020, o Brasil exportou mais de 34 bilhões de dólares para o país asiático.

Logo depois, vem os Estados Unidos, que já rendeu 10 bilhões de dólares para o Brasil, apenas em exportações, no primeiro semestre de 2020.

Dessa forma, a intensificação do conflito e a possibilidade de fechamento de multinacionais e menores níveis de exportações, poderiam comprometer seriamente o balanço de pagamentos brasileiro, que é muito dependente de ambos países.

Ainda mais, o governo atual é mais propenso a apoiar os Estados Unidos unilateralmente, sem fazer pontes diplomáticas, o que poderia causar um estranhamento maior com a China.

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