Após sucessivas quedas, a insegurança alimentar volta a crescer no Brasil e atinge o mesmo patamar registrado em 2004, segundo o IBGE.

Com isso, o país pode estar mais próximo que nunca de voltar ao mapa da fome.

Quer entender mais sobre? Continue lendo nosso texto!

O que diz o IBGE sobre a fome no Brasil?

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou na quinta-feira (17), através da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), números referentes ao avanço da insegurança alimentar no país.

Sendo assim, o levantamento mostra que entre junho de 2017 e julho de 2018, a fome atingiu cerca de 5% da população, trazendo de volta o Brasil ao mapa da fome.

Deste modo, a insegurança alimentar grave esteve presente no lar de 10,3 milhões de pessoas. Além disso, 36,7% dos domicílios no Brasil, ou 25,3 milhões de domicílios, apresentaram algum grau de insegurança alimentar, alcançando 84,9 milhões de brasileiros. Ainda mais, a conta não inclui pessoas em situação de rua.

Especialmente entre as crianças, a pesquisa aponta que 6,5 milhões de crianças entre 0 e 17 anos vivem sob alguma condição de restrição alimentar.

Como são ranqueados os graus de insegurança alimentar?

Antes de mais nada, o índice de insegurança alimentar é separado em três níveis: leve, moderado e grave.

Por sua vez, a insegurança alimentar leve abrange as famílias que tiveram de abrir mão da qualidade dos alimentos, a fim de manter a quantidade necessária. Estas famílias que em 2013 correspondiam a 14,8%, em 2018 corresponderam a 24% dos domicílios listados.

Fome no Brasil

Além disso, a insegurança alimentar moderada comporta famílias que sofrem com a falta de alimentos, mas não passam fome. Os dados recentes do IBGE apontam que a restrição moderada aos alimentos esteve presente em 8,1% dos domicílios em 2018, ante a 4,6% em 2013.

Assim sendo, a insegurança alimentar grave está associada a acentuada privação no consumo de alimentos, inclusive para crianças. A pesquisa mostra que este índice subiu de 3,2% em 2013 para 4,6% em 2018.

Crescimento da fome após sequência de quedas?

O Brasil vinha registrando crescimento significativo da segurança alimentar ao longo dos últimos anos, chegando a sair oficialmente do mapa da fome em 2014.

Segundo o IBGE, em 2004 a insegurança alimentar era presente em 34,9% dos lares. Após isso, o índice caiu para 30,2% em 2009 e 22,6% em 2013.

Porém, a tendência apresentada entre 2017-2018 é de crescimento da insegurança e diminuição da segurança alimentar.

Fome no Brasil atualmente de acordo com o IBGE

A desigualdade regional acentua a insegurança alimentar?

Ainda mais, nota-se um nível maior de restrição alimentar em lares localizados nas regiões rurais do Brasil. Nestes locais o índice de insegurança alimentar grave é de 7,1%.

Enquanto isso, os dados evidenciaram também, as desigualdades entre as regiões do país. Principalmente com o Norte e o Nordeste portando os piores níveis de insegurança alimentar.

Na região Nordeste, 7,1% dos lares estão em situação de gravíssima fome, o que equivale a 1,3 milhão. Já na região Norte, 10,2% dos domicílios encontram-se nesta situação.

O que vem provocando a volta da fome?

É de se espantar que o terceiro maior produtor de alimentos do mundo, com mais de 240 milhões de toneladas produzidas no ano passado, ter elevada taxa de fome em seu país.

Porém, estes alimentos, em sua maioria, são destinados às exportações, qualificados como commodities, comprados, principalmente, pela China e países da União Europeia.

Além disso, o Brasil vem encontrando sérias dificuldades na recuperação de sua economia, desde a recessão vivida de 2014 a 2016. Havendo, portanto, elevadas taxas de desemprego e perda da renda,

Por fim, o retorno do Brasil ao mapa da fome representa um grave retrocesso no combate às desigualdades no país, que tendem a se agravar com a crise econômica causada pela pandemia do novo Coronavírus.

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