Seja para defendê-la ou atacá-la, é inegável que todos têm uma opinião sobre o uso da Cannabis. Porém, opiniões à parte, existe um mercado de Cannabis em expansão a ser explorado, como mostraremos a seguir.

O primeiro uso da Cannabis de que se tem registro é datado há cerca de 10.000 anos. Ainda mais, o registro é de civilizações localizadas nos continentes asiático e africano. Assim, estes povos já faziam o uso das capacidades psicoativas, medicinais e têxteis.

Porém, sua proibição ao nível global ocorreu em meados do século XX, suprimindo qualquer finalidade de uso e plantio. 

Com isso, para podermos entender quais impactos econômicos a legalização da Cannabis pode trazer, devemos levar em consideração diversos fatores sociais e econômicos.

Portanto, destacam-se vários impactos como receita tributária, criação de empregos e combate ao narcotráfico. Do mesmo modo, a maior fiscalização na produção e distribuição e do controle de qualidade.

Atualmente, mais de 40 países regulamentam de alguma forma a Cannabis para o uso medicinal, além de 33 estados estadunidenses.

Cannabis: um mercado em ascensão?

O Canadá foi primeiro país do G7 a legalizar o uso recreativo e medicinal da Cannabis em seu território. Dessa forma, o tornando o maior mercado mundial e líder na exportação de plantas e óleos.

Em vista disso, estão situadas no país seis das dez maiores companhias do setor, sendo as três principais, Canopy Growth, Aurora Cannabis, e Tilray.

Anteriormente, em 2018, a chamada “indústria da maconha” foi avaliada em 8,6 bilhões de dólares canadenses, ou cerca de 0,3% do PIB do país.

Deste modo, em maio de 2018, a produtora  Canopy Growth consagrou-se como a primeira empresa do setor a ser listada na Bolsa de Valores de Nova York. Após seis meses, o preço de suas ações havia dobrado, atingindo 54,50.

Weed market

A companhia já contava com suas ações negociadas em Toronto sob o código WEED, e seu valor de mercado avaliado ao final de 2019 era de U$ 7,3 bilhões, com uma receita de quase US$ 58 milhões ao ano.

Ainda mais, o mercado de Cannabis está subdivido em 3 setores:

  • Os produtores a exemplo da Canopy Growth, especializados no cultivo, colheita e distribuição,
  • Empresas farmacêuticas de biotecnologia, como a britânica GW Pharmaceuticals,
  • Os fornecedores de produtos e equipamentos para cultivo.

Diante disso, é possível analisar que diversos empregos são criados conforme novas funções e tecnologias no setor surgem.

A maior potencia mundial e a Cannabis

Nos EUA, a legalização da planta em estados como Colorado e Califórnia gerou oportunidade única para uma nova commodity, tornando-se matéria-prima de uma indústria bilionária em ascensão.

Segundo pesquisa do Arcview Market Research, o mercado legal de maconha movimentou US$ 6,7 bilhões em 2016 e deve totalizar US$ 20 bilhões em 2021.

Em cada um dos cinco maiores mercados legais – Califórnia, Colorado, Oregon, Washington e Nevada – a receita de varejo cresceu pelo menos 10% ao ano em relação a 2019.

No Colorado, por exemplo, só o uso medicinal gerava em torno de US$ 150 milhões por ano. Quando o uso recreativo foi legalizado, tornou-se uma indústria de US$ 1,5 bilhão.

Ainda mais, outro fator importante, é a receita tributária no estado de US$ 223 milhões, destinados à construção de escolas públicas em 2019.

Os gastos legais nos EUA foram aproximadamente US$ 10 bilhões no ano passado, enquanto as companhias atraíram US$ 14 bilhões em financiamento, de acordo com a BDS Analytics.

O dinheiro da indústria da maconha

Por outro lado, atividades ligadas à industria de Cannabis empregam 300 mil pessoas em território americano, em comparação ao setor de cervejas, na qual empregam 69 mil trabalhadores.

Fundo de Investimento Canábicos

Atualmente, existem 5 ETFs (fundos de investimento listados na Nasdaq), que aplicam, exclusivamente, na indústria de maconha. Os principais são HMMJ, no Canadá e o MJ, nos EUA, sendo essa a maneira mais indicada para investir na área.

O fundo investe globalmente em ações de empresas relacionadas direta ou indiretamente com o processo de cultivo legal, produção, ou distribuição de produtos de Cannabis para fins tanto medicinais ou não.

Empresas de três países são responsáveis por concentrar 90% do capital investido pelas ETFs. Em primeiro lugar está o Canadá com 55%, EUA com 27% e Inglaterra com 10%, sendo 2/3 dos investimentos para o setor farmacêutico.

Atualmente, estão aplicados US$ 1 bilhão nos fundos de maconha listados nos EUA, indicam dados da Ultumus. Isso o coloca à frente do Canadá, que tem US$ 530 milhões em seus ETFs.

Quarentena e o impacto positivo:

Com o agravamento da pandemia no mundo, diversas empresas registraram prejuízos devido a paralisação da economia, porém não foi o que ocorreu no mercado canábico Norte Americano.

Atualizações mensais das vendas domésticas no Canadá, registraram um aumento de 19% das vendas de Cannabis durante o mês de março, em relação ao mês anterior. Contando com uma receita de US$ 181 milhões, segundo a Statistics Canada.

Embora muito disso seja motivado pelo comportamento de “estocagem” adotado entre os consumidores da planta, é possível notar o impacto do mercado.

Segundo a Deloitte, as vendas legais de maconha no Canadá devem chegar a US$ 4,3 bilhões este ano. Do mesmo modo, nos Estados Unidos, houve também uma maior procura por maconha recreativa durante a quarentena, uma média de 46%, respectivamente.

Com isso, o Líbano decidiu legalizar a produção de maconha durante a crise causada pelo coronavírus, induzidos por estudos que o país pode lucrar até até US$ 1 bilhão, ajudando a salvar a economia.

O caso do Uruguai e outros países da América Latina

Assim como o Canadá, o Uruguai foi o primeiro país a legalizar o uso recreativo da planta, contundo, o país restringe a venda apenas aos residentes.

Seis anos depois de aprovada a Lei da Maconha, o governo registra a redução em 18% de crimes relacionados ao narcotráfico.

Dessa forma, a regulamentação não só fez que 50% dos usuários acessassem a Cannabis através de canais legais e fiscalizados, mas também iniciou carreira para ter seu lugar no novo mercado internacional.

O mercado internacional da Cannabis

Com mais de mil hectares ao ar livre e 22 mil metros quadrados em ambientes fechados destinados para o cultivo, em 2019 foi alcançada a primeira exportação de seis toneladas da planta.

Contando com o mercado doméstico, de quase 40 mil usuários cadastrados que compram em farmácias, oito empresas estão autorizadas a produzir cannabis para usos não médicos.

Segundo dados do IRCCA, a indústria da cannabis poderia gerar entre 3 mil e 4 mil novos empregos nos próximos 4 anos. O Instituto de Regulação e Controle da Cannabis (IRCCA) foi criado pela Lei nº 19.172, com o objetivo de regular o plantio, cultivo, colheita, produção e distribuição de cannabis.

Colômbia

Por outro lado, a Colômbia se tornou o primeiro país da América Latina a exportar Cannabis medicinal para o mundo. Sendo assim, o país prevê que o negócio pode chegar a render bilhões.

No país, a Cannabis para uso medicinal é produzida por 270 empresas com licenças concedidas pelo governo, autorizadas a produzir ou industrializar, tanto para exportação quanto para o mercado interno.

Devido ao seu clima equatorial favorável, além de esbanjar 12 horas de luz solar durante todo ano, grandes empresas norte-americanas do ramo estão investindo no país cada vez mais.

Eventualmente, o clima tropical colombiano é melhor para as plantações que o clima gélido da América do Norte. Com isso, os colombianos podem produzir um grama por algo entre US$ 0,50 e US$ 0,80, enquanto no Canadá custa cerca de US $ 2, diz o Colômbia Cannabis Investor.

Anteriormente, a canadense Canopy Growth gastou cerca de US $ 60 milhões para criar a Spectrum Cannabis Colômbia, um local de cultivo no sul do país.

O Brasil e o debate conservador

Ao final de 2019, a Anvisa aprovou a venda em farmácias de remédios à base de maconha no Brasil, em contrapartida, o cultivo próprio segue proibido.

De acordo com a Anvisa, a indicação e forma de uso dos produtos à base de Cannabis caberá ao médico. Atualmente, 4 milhões de brasileiros podem se beneficiar dos remédios com canabinoides.

O mercado de Cannabis

Porém, apenas 0,2% dos médicos brasileiros prescrevem o CBD aos pacientes. Ainda, o potencial econômico brasileiro a respeito do uso medicinal se mostra enorme.

Hoje, apenas a receita com medicamentos de dor crônica movimenta R$ 10 bilhões entre a compra de remédios, os empregos gerados e as ações de laboratórios.

Com isso, espera-se que a Cannabis medicinal atenderá 2 milhões de pacientes logo que seu uso seja regulamentado, gerando R$ 1,9 bilhão em receitas.

Quais as expectativas para o futuro?

Atualmente, a maconha é a substância ilícita mais usada do mundo. Dessa forma, na maioria dos países do Ocidente, os usuários representam mais de 10% da população adulta.

Com isso, há uma grande expectativa de crescimento para o mercado de Cannabis no mundo, por sua alta demanda.

Sob o mesmo ponto de vista, é importante frisar a distinção entre usos recreativo e medicinal. Contudo, a indústria medicinal da planta está mais suscetível à validação científica.

No mercado recreativo, a validação significa o surgimento de marcas de consumo em que os usuários confiam. Tanto os ensaios clínicos, quanto o desenvolvimento de marcas conceituadas, são processos caros e demorados.

Segundo as análises do Banco de Montreal, o mercado contando com apenas países que regulamentaram a Cannabis, chegará a US$ 194 bilhões até 2026.

Em vista disso, é possível afirmar, então, que o mercado está nos estágios iniciais de uma fase de crescimento. Desse modo, caso os países percebam o potencial econômico, ele poderá crescer mais, sendo legalizado em vários lugares.

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