A crise imobiliária de 2007 e 2008 é considerada a pior crise econômica desde 1929. O problema, que começou nos Estados Unidos, se espalhou de forma rápida pelo resto do mundo.

Mas você sabe o que foi a chamada crise do subprime? E como ela começou? Vamos conversar um pouco sobre.

Lar doce lar: as hipotecas subprime

Para entender a crise de 2007 e 2008, precisamos entender antes de mais nada o que são as hipotecas subprime. Este tipo de hipoteca foi criado, primordialmente, para atender pessoas que não conseguiam comprar casas próprias.

O projeto foi criado pois após a falência do setor tecnológico no início dos anos 2000, os Estados Unidos precisavam que os cidadãos consumissem para suprir a falta de investimento das empresas.

O cálculo segue a função de demanda agregada, a qual já tratamos sobre aqui, para saber mais, clique no botão abaixo.

Dessa forma, o governo dos Estados Unidos deu permissão à várias imobiliárias para que concedessem empréstimos a pessoas sem renda suficiente para quitar as dívidas no futuro. Ainda mais, abaixou a taxa de juros a níveis mínimos, permitindo que as famílias conseguissem usar cartões de crédito na compra.

Diante disso, várias famílias americanas financiaram sua primeira casa. Com cartões de crédito, hipotecas de altíssimo risco e empréstimos bancários.

crise

O super boom das hipotecas: um sonho bom demais para ser verdade?

Logo após as medidas serem adotadas, bancos de todo o mundo se empolgaram com a promessa americana. Com a oportunidade de fazer vários empréstimos e gerar lucros com futuros juros, muitos bancos e seguradoras entraram no projeto.

Dentre eles estão:

  • Lehman Brothers (quarto maior banco dos EUA à época)
  • AIG (maior seguradora de empréstimos da época)
  • Goldman Sachs (grupo financeiro multinacional e líder em investimentos e seguros)

Durante muito tempo, estas instituições ganharam dinheiro por meio das hipotecas subprime. No entanto, após alguns anos, tudo deu errado.

Como a bolha imobiliária estourou?

Desde 2007 os bancos americanos vinham alertando sobre a alta taxa de inadimplências. Isto é, a maior parte das pessoas não quitavam seus empréstimos.

Ao fazer empréstimos de alto risco no cartão de crédito para pessoas de baixa renda, os bancos, seguradoras e agências imobiliárias dos Estados Unidos não apenas deram “um tiro no próprio pé”, como a bala também atingiu toda a população mais pobre.

Dessa forma, a bolha imobiliária americana (como é chamada a área de imóveis), estourou. 

bolha imobiliária

Os bancos foram seriamente atingidos, as ações despencaram no índice Dow Jones (a bolsa de Nova York) e todos aqueles que investiram nestas instituições perderam milhões de dólares.

Isso inclui pessoas comuns, investidores, empresas, o próprio governo dos Estados Unidos e governos de outros países, que utilizavam os bancos para empréstimos, juros e investimentos.

Cidadãos que possuíam dinheiro em cadernetas de poupança também perderam tudo. 

A segunda-feira negra e o ápice da crise

Após meses de tentativas frustradas para conter a crise, a apelidada “segunda-feira negra” chegou. E algumas de suas consequências foram:

  • No dia 15 de setembro de 2008, o Lehman Brothers, quarto maior banco de investimentos dos EUA, declarou falência.
  • O banco quebrou de forma jamais vista na história. Assim, o Índice Dow Jones caiu ao seu menor ponto desde o 11 de setembro de 2001. 
  • Bancos internacionais como o Goldman Sachs e J.P. Morgan precisaram injetar US$ 75 bilhões na AIG, seguradora que cobria todos os empréstimos dos bancos mais afetados. 

Além disso, o governo dos Estados Unidos criou uma linha de crédito para os bancos, cedendo cerca de, ao total, US$ 125 bilhões. O objetivo era impedir que, além do Lehman, mais bancos quebrassem e arrastassem toda a população e o país com eles.

Assim, os bancos começaram a se recuperar, e a economia americana conseguiu, após anos, retomar seu crescimento, sem que o episódio subprime fosse um dos maiores desafios.

E o resto do mundo?

Antes de mais nada, é preciso relembrar que, embora em 2020 a China tenha assumido o posto de maior economia mundial, os Estados Unidos ainda possuíam o título em 2008.

Quando uma grande potência sofre um golpe tão forte, o resto da economia mundial também sente a dor.

A Europa foi o continente mais atingido, já que muitos dos países da União Europeia, na época, investiam toneladas nos bancos americanos. A crise da Zona do Euro, que teve seu auge em 2010, foi um dos reflexos do estouro do subprime.

Quando a poeira dos desabamentos abaixou…

Portanto, após 12 anos, os Estados Unidos se recuperaram do susto imobiliário. A Europa também começou a se recuperar da Crise da Zona do Euro, e, em 2020, quase não é possível mais ver os vestígios do estrago causado pelas hipotecas de alto risco.

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