Em março deste ano, o Ministro da Economia Paulo Guedes disse que o real poderia desvalorizar e o dólar chegar a 5 reais caso fizesse “muita besteira”. No entanto, ele não contava com o agravamento da crise causada pelo coronavírus somado a escândalos políticos.

A desvalorização da moeda não está sendo uma exclusividade brasileira. Atualmente, esse fenômeno tem afetado diversas economias emergentes. Países como o México registraram avanço de 29% do dólar frente a sua moeda, já a Turquia, 17%, e a África do Sul, 32%.

Porém, a combinação entre a menor taxa básica de juros da sua história, hoje a 3% e baixo crescimento, e o alto risco político e queda na confiança, agravam a situação brasileira.

Por sua vez, a taxa de juros neste patamar contribui para a fuga de capitais estrangeiros. Nos últimos 4 meses os mercados brasileiros de renda fixa registraram saída de US $44 bilhões, motivados pela falta de rentabilidade dos títulos brasileiros.

Expectativa x Realidade

A princípio, havia um otimismo em relação ao desempenho brasileiro em 2020. Esperava-se o crescimento de 2% do PIB, atrelado ao andamento das reformas ambiciosas defendidas pelo governo.

Contudo, o que vimos foi o Real obter o pior desempenho do mundo este ano, alcançando o pior patamar de sua história, com o dólar à R$ 5,90 em maio, resultando uma desvalorização de 32%, em 2020. O FMI espera que a economia encolha 5,3% neste ano

Além disso, o Credit Default Swap (CDS), uma forma de medir o risco-país, subiu 255% este ano, ultrapassando a casa dos 400 pontos. Antes da crise, o Brasil operava entre os 95 pontos.

Atualmente, o real, moeda brasileira, foi considerada pelo banco Credit Suisse como moeda tóxica, listada como sendo politicamente exposta. Segundo o banco, a expectativa é que o dólar comercial chegará a R$ 6,20, no curto prazo.

A forma de lidar com o COVID-19 piorou as coisas?

Do mesmo modo, outro ponto agravante para a situação atual, tem relação com o fator externo e o poder destrutivo que o vírus possui, intensificando a queda nas exportações brasileiras.

Ainda mais, isso se soma à forma em que o presidente Jair Bolsonaro tem lidado com o combate à pandemia, contrariando as recomendações de isolamento social, vindas da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O Brasil hoje é o segundo país com maior número de casos de coronavírus, atrás apenas dos EUA. Ademais, conta com uma alta taxa de subnotificação.

Ainda mais, tensões recentes entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, formaram outro fator de impulso para a desvalorização neste ano. Dessa forma, os diversos pedidos de impeachment do presidente no Congresso Nacional elevam ainda mais as incertezas no país.

Real desvalorizado, entenda:

Dessa forma, os fatores citados em adição à troca constante de ministros e o caos político, geram uma fuga de capitais, que gera a desvalorização do real. Ademais, a desconfiança do setor financeiro no país contribui para o caos econômico.

🇧🇷💸 O Boletim Econômico é uma iniciativa de estudantes para estudantes. Por isso, se gostou do post, compartilhe com seus amigos e deixe-nos saber!