O Banco Central nessa última quarta-feira (29) fez o anúncio do lançamento da nova nota de real: a nota de R$ 200,00.

Desde então o assunto tomou conta das redes sociais e dos noticiários, e pior, pode ter ativado aquela velha lembrança do que foi a hiperinflação.

Nesse post nós vamos te mostrar o verdadeiro motivo para a implementação da nova nota de real e suas consequências na nota de 200 reais para a economia.

Qual foi o anúncio do Banco Central?

O anúncio repentino do Banco Central (BC/Bacen) deixou o ambiente das redes sociais bem agitado. Do mesmo modo, a nova nota de R$ 200 dividiu a opinião das pessoas.

Enfim, o que sabemos até o momento com a surpresa é que o Banco Central começará a produção de novas cédulas no valor de R$ 200 reais em agosto.

Como de costume, as notas de real estampam animais da fauna brasileira, e dessa vez não foi diferente. O lobo-guará foi o escolhido para ser homenageado.

Nota de 200 reais

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A princípio, vão entrar em circulação 450 milhões de notas novas até o final do ano. Essa medida foi aprovada pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), e a medida não tem impacto na base monetária do país.

Qual o reflexo na política econômica?

Antes de falar das consequências da nota de 200 reais, precisamos dar uma pequena volta nos bons e velhos economês.

Existem basicamente três políticas econômicas: políticas fiscais, monetárias e cambiais. Agora, vamos focar no que são políticas monetárias.

Políticas monetárias são aquelas tomadas pela autoridade monetária (no Brasil, o Banco Central) para controlar a quantidade de moeda na economia.

Dessa forma, essas políticas utilizam de várias ferramentas para estabilizar a inflação e viabilizar o investimento.

Na década de 80 era comum o BC anunciar novos notas com valores cada vez mais altos.

Uma moeda de valor mais alto tem um efeito psicológico na população, que remete aos tempos da hiperinflação. Naquela época era comum sair com uma nota de Cr$ 1000 (cruzeiros) para ir à padaria comprar pães.

O dinheiro perdia seu valor muito rapidamente e era então necessária a criação de notas com valores mais altos para facilitar a impressão delas.

toilet paper money GIF by Petter Pentilä

Logo após a redemocratização do país, um dos maiores desafios para o governo era controlar a alta desvalorização da moeda devido à hiperinflação. Esse período em que o país conviveu com a hiperinflação se estende da década de 80 até o início da década de 90.

Assim, em 1994 e 1995, após a implementação do Plano Real, o Brasil finalmente conseguiu estabilizar a inflação.

A nova cédula pode trazer inflação?

Portanto, a implementação da nova cédula de real pode parecer uma tentativa do BC de controlar uma possível inflação. De fato, a volta da hiperinflação é o medo da população.

Acontece que o Banco Central anunciou que essa medida não tem impacto na base monetária do país. Ou seja, não faz parte de uma medida para controlar a inflação brasileira.

Ou aumentar a quantidade de moeda que ele emite.

Na verdade, o último relatório de mercado FOCUS  mostra que as expectativas de inflação estão abaixo dos 2%. Isso acontece devido à pandemia do novo coronavírus.

As consequências da nota de 200 reais, portanto, não envolvem a hiperinflação.

Os reais motivos do anúncio da nova nota

Até agora não respondemos a principal pergunta: por que o Banco Central anunciou a nota de R$200? 

Nota de 200

Conforme o que foi dito pelo BC, a nova cédula vem em um contexto de aumento da demanda por moeda física. A ocorrência disso é explicada pela pandemia do coronavírus.

Situações de crise, como é a que vivemos, fazem com que o uso da moeda física aumente significantemente.

As pessoas preferem dinheiro físico nessas situações por que representa uma “maior segurança” para o pagamento de dívidas, entre outras utilizações.

Dessa forma, com grande influência da emissão do auxílio emergencial do governo na demanda por moeda, a quantidade de dinheiro vivo com a população que era R$ 216 bilhões até março, hoje contabiliza R$ 277 bilhões.

Além disso, por temerem uma maior crise, muitas pessoas tiraram suas poupanças do banco e estão “entesourando” em casa, e as notas não circulam tanto mais.

Por isso, a nova cédula de R$ 200 é uma estratégia de logística do BC, que em vez de ter de imprimir duas notas de R$ 100, irá imprimir apenas uma de R$ 200.

Isso, claro, para acompanhar a emissão do saque emergencial, que não se sabe até quando vai se estender.

Isso também evidencia o fato de que um terço da população brasileira não possui contas bancárias, daí a grande quantidade de moeda física em circulação.

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