Atos de 7 de setembro: entenda o que aconteceu

O feriado de 7 de setembro é muito simbólico para nós brasileiros.

A data sempre traz um sentimento de amor à nação, ou quase sempre.

Mas, nesse ano, esse dia teve algumas particularidades que prometem fazer parte da história do Brasil.

Quer saber de tudo que aconteceu?

A gente conta pra você.

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História do 7 de setembro

Primeiramente, sempre é importante lembrar do motivo desse dia ser tão importante para o Brasil.

O dia é comemorado todos os anos, em nosso país, por ser o Dia da Independência.

Em 7 de setembro de 1822, Pedro de Alcântara, mais tarde conhecido como Dom Pedro I, declarou a independência com o famoso grito do Ipiranga.

“INDEPENDÊNCIA OU MORTE!!”

Ok, sabemos que o evento não foi tão fabuloso assim e que, na verdade, foi pautado por diversos interesses da burguesia portuguesa da época.

Mas, não é esse o nosso foco aqui.

Vamos viajar a 199 anos depois.

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Contexto

O que teve de tão diferente no feriado de 2021?

Para entendermos, é importante destacar o contexto político e social que o Brasil vem enfrentando.

Um país polarizado politicamente e que vive uma crise econômica intensificada pelo período de pandemia.

Em meio a esse momento conturbado, o governo do presidente Jair Bolsonaro vem perdendo popularidade. Devido, também, às suas inúmeras declarações polêmicas e decisões controversas.

Assim, o dia da independência ganhou um significado ainda maior para aqueles que apoiam o presidente e, também, para os que são contra.

7 de setembro de 2021

Atos pró Bolsonaro

Tudo teve início com a mobilização dos apoiadores do governo, que passaram a perceber um aumento da oposição.

Em suma, pessoas de vários lugares do Brasil se organizaram para fazer uma manifestação em prol do presidente. Desse modo, pediram a defesa à família tradicional e aos valores morais.

Em alguns locais, também houveram pedidos de criminalização do comunismo e de intervenção militar.

Além desse apoio a Bolsonaro, seus seguidores também protestaram contra o STF. Principalmente contra os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso.

Moraes é responsável por investigações e prisões de pessoas próximas ao presidente. Enquanto Barroso é presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e defensor das urnas eletrônicas.

A questão das urnas foi outro ponto que intensificou as manifestações. Pois, o fracasso do voto impresso acabou incendiando ainda mais os apoiadores de Bolsonaro e o próprio presidente, que responsabilizou Barroso pelo resultado.

Desse modo, no dia 7 de setembro, pessoas saíram para protestar, em diversas cidades, a favor do presidente e de seu governo.

Atos pró governo 7 de setembro
Manifestação pró governo Bolsonaro em Curitiba – Foto: Roger Pereira/Gazeta do Povo
Atos contra Bolsonaro

Mas, não foram só os apoiadores de Bolsonaro que saíram às ruas durante o feriado.

Em resposta, a oposição também se organizou, juntando inúmeras pessoas, de diferentes ideologias e partidos, para protestar contra o atual governo.

Os manifestantes pediram respeito à democracia e ao povo. Além de defenderem a vacina e melhores condições para um país que vive um momento terrível de fome e inflação.

Também ocorreram muitos protestos pedindo o impeachment do presidente.

Em suma, as manifestações ocorreram em diversas cidades do país, com destaque para as capitais.

manifestações - 7 de setembro - esquerda
Manifestação contra Bolsonaro no Rio de Janeiro – Foto: André Coelho/EFE
Discurso de Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro se aproveitou de toda a situação do 7 de setembro para tentar reverter sua queda de popularidade.

Assim, em diversos momentos, convocou os seus eleitores para irem às ruas.

Além disso, durante as manifestações, ele discursou para seus apoiadores, em Brasília.

“Não mais aceitaremos que qualquer autoridade, usando a força do Poder, passe por cima da nossa Constituição. Nem qualquer ação que venha de fora das quatro linhas da Constituição. Não podemos continuar aceitando que uma pessoa específica, da região dos Três Poderes, continue barbarizando a nossa população. Não podemos aceitar mais prisões políticas. Ou o chefe desse poder enquadra o seu, ou esse poder pode sofrer aquilo que não queremos.”

Em São Paulo, Bolsonaro elevou o tom de seu discurso, o que não seria bem visto pelo STF, nos dias seguintes.

“Quero dizer àqueles que querem me tornar inelegível em Brasília: só Deus me tira de lá.”

“Só saio preso, morto ou com vitória. Quero dizer aos canalhas que eu nunca serei preso.”

“A paciência do nosso povo já se esgotou! Nós acreditamos e queremos a democracia! A alma da democracia é o voto! E não podemos admitir um sistema eleitoral que não oferece segurança.”

Dólar dispara após atos de 7 de Setembro e discurso de Bolsonaro

Bloqueio dos caminhoneiros

O discurso de Bolsonaro no feriado serviu para inflamar ainda mais seus apoiadores.

Desse modo, nos dias 8 e 9 de setembro, caminhoneiros bloquearam diversas rodovias federais em mais da metade dos estados brasileiros. Como uma forma de ameaça de greve pró-governo.

Mas, o bloqueio não durou muito tempo. Pois, o próprio presidente pediu, em um áudio gravado, para que as rodovias fossem liberadas.

Na gravação, Bolsonaro diz que a ação “atrapalha a economia” e “prejudica todo mundo, em especial, os mais pobres”. 

Reação do STF

O Supremo Tribunal Federal não gostou nada das acusações e declarações feitas pelo presidente.

Em suma, o discurso de Bolsonaro soou com um caráter golpista e ditatorial para os ministros do Supremo e para uma grande parcela da população.

Diante disso, o presidente do STF, Luís Fux, no dia 8 de setembro, afirmou que Bolsonaro cometeu crime de responsabilidade e que o Supremo jamais aceitaria esse tipo de ameaça.

“Se o desprezo às decisões judiciais ocorre por iniciativa do chefe de qualquer dos poderes, essa atitude, além de representar atentado à democracia, configura crime de responsabilidade, a ser analisado pelo Congresso Nacional ”, disse Fux.

Linha do tempo: a escalada da tensão entre STF e Bolsonaro em um mês | CNN  Brasil

Carta de recuo

Diante das declarações do STF, Bolsonaro foi aconselhado, após encontro com Michel Temer, a diminuir o tom de seus discursos e acabou recuando em suas declarações.

Assim, divulgou um texto, no dia 9 de setembro, com o nome de “Declaração à Nação”.

Em resumo, ele buscou se retratar com o STF, dizendo que nunca teve “intenção de agredir quaisquer dos poderes”.

Além disso, afirmou que “as pessoas que exercem o poder, não têm o direito de ‘esticar a corda’, a ponto de prejudicar a vida dos brasileiros e sua economia”.

Se quiser ler a declaração na íntegra:

ELEIÇÕES 2020: Bolsonaro desmente candidato Nicoletti | Amo Roraima

Dessa forma, fica fácil entender o porquê do dia 7 de setembro de 2021 ter sido tão impactante e específico.

Afinal, não é todo ano que vemos tantas movimentações políticas, de todos os lados possíveis, como foi nesse último feriado de independência.

Mas, será que isso tudo realmente parou por aí?

Em um país tão polarizado, fica difícil prever o que pode vir a acontecer.

Só nos resta esperar o último capítulo dessa jornada, que será em 2022.

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