Afinal, o que é a COP-26?

A COP-26 ou Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, começou em 31 de outubro e acontece até o dia 12 de novembro.

Sediada pelo Reino Unido na cidade de Glasgow, Escócia, tem como objetivo principal o controle das mudanças climáticas no mundo. A COP-26 também marca o terceiro encontro entre os 195 países assinantes do Acordo de Paris.

O aquecimento da terra, em decorrência da queima de combustíveis fósseis e da ação humana, fez da década passada a mais quente já registrada.

As mudanças climáticas já são percebidas, de forma significativa, em todos os países do mundo. Elas não se resumem apenas a furacões e enchentes, mas podem ser observadas nas mudanças no solo e nos aumentos de temperatura, por exemplo.

No gráfico a seguir é possível observar o aumento da temperatura média da terra desde 1800 até os anos 2000.

Observa-se que há um aumento crescente da temperatura, com pequenas quedas apenas antes dos anos 2000. Contudo, após esse período há uma tendência somente crescente de temperatura. O gráfico ilustra a preocupação de economistas e cientistas por todo o mundo.

Os efeitos do aquecimento global

Mas afinal, que diferença 2º ou até 3ºC a mais fariam no mundo? O The Economist lançou um pequeno documentário denominado “See what three degrees of global warming looks like”. Nele o jornal de economia britânico, apresenta problemas como o dos pequenos agricultores, da superlotação nas capitais, da escassez de recursos naturais e até mesmo do desaparecimento de cidades e países.

Documentário “See what three degrees of global warming looks like” do Jornal The Economist

O documentário deixa claro a necessidade de uma tomada de decisão, antes que mudanças já não sejam mais possíveis. Os problemas causados pelo aumento na temperatura da terra, passam por todas as áreas de conhecimento sejam elas sociais, econômicas e até mesmo biológicas.

Essas mudanças afetariam a capacidade de sobrevivência das grandes cidades. A distribuição dos recursos naturais também seriam afetadas, impactando, portanto, a nossa própria sobrevivência. Por isso, omundo que vivemos hoje pode se tornar um lugar no qual não gostaríamos de viver.

Lacuna de Emissões de 2021: O Aquecedor está Ligado

Este é um ano decisivo, a pandemia conseguiu deixar os líderes do mundo assustados com os efeitos do mal uso do meio ambiente. Além disso, o relatório anual do PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) mostra que os compromissos atuais, entre os países, terminam em um caminho para o aumento da temperatura global de 2,7°C até o final do século.

O PNUMA, publicado em 2021 com o título “Lacuna de Emissões de 2021: O Aquecedor está Ligado”, aponta também que os novos e atualizados NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas) apresentados por 120 países em 30 de setembro de 2021 terão uma redução de apenas 7,5% nas emissões esperadas para 2030. Contudo, é necessário uma redução de 55% para atingir o objetivo das metas de 1,5°C firmadas no acordo de Paris. Compromissos de emissões líquidas zero podem ajudar, podendo diminuir mais 0,5°C destes 2,7°C.

De acordo com o mesmo relatório, os próximos oito anos serão determinantes e os problemas já não são mais futuros, mas sim do agora. A indicação é uma redução pela metadade dos gases estufa o quanto antes. O que na prática, significa o equivalente a uma redução de mais de 28 gigatoneladas anuais.

A pandemia ajudou a reduzir essas emissões, no entanto, apenas de forma temporária. Esse mesmo relatório do PNUMA, cita o gás metano como perigoso ao aquecimento global. Ele é mais prejudicial ao efeito estufa do que o conhecido dióxido de carbono.

O Acordo de Paris

O Acordo de Paris, assinado em 2016, é caracterizado como um conjunto de medidas para a redução de emissão de gases estufa a partir de 2020, com o objetivo de desacelerar o aquecimento global.

Então, utilizando uma modelagem estatística, eles descobriram que o planeta só teria 5% de chance de ficar abaixo dos 2ºC nos padrões de emissão da época. No acordo os 195 países assinantes se comprometeram a reduzir em 1,5% a.a. a emissão desses gases. 

ONU News “Como Funciona o Acordo de Paris sobre o Clima?”

No entanto, os cientistas afirmam que isso não é o suficiente para conter, de forma significativa, o aquecimento global.

O ideal seria uma meta de 1,8% a.a., diferente da firmada no acordo. A China determinou a meta mais ousada entre os países, uma redução de 60% de 2005 até 2030. Enquanto isso, os Estados Unidos se comprometeram com a queda de 1% a.a. até 2026.

Esses países, assim como o Reino Unido, conseguiram reduzir suas emissões. Contudo, países como Coreia do Sul e Brasil aumentaram as emissões desde a assinatura do acordo.

Os próximos capítulos da COP-26

Fica, portanto, claro que o problema climático é um problema econômico e também o grande desafio do século XXI. O aquecimento global compromete a qualidade de vida da população e a capacidade de existirem recursos suficientes para a sobrevivência da próxima geração.

Embora os líderes tenham assinado acordos e se comprometido com a causa ao longo dos anos, é necessário o cumprimento das metas.

A Organização das Nações Unidas espera que até o dia 12 de novembro, último dia da COP-26, todos os acordos propostos sejam assinados pela grande maioria dos países. Estabelecer metas mais ousadas e cumprí-las é importante.

A luta pela desaceleração do aquecimento global, deve ser de todos os países, afinal os efeitos negativos já estão sendo sentidos por todos.

Por isso, ser um país que não se compromete com acordos relacionados ao clima e sustentabilidade é ir se isolar aos poucos, de forma política, ao mundo.

Sendo assim não conseguir cumprir as metas prometidas também é ruim para o país, pois demonstra que o mesmo possui uma liderança fraca. Liderança essa que não consegue sequer cumprir os acordos que ela mesma propõe.

Os próximos capítulos da COP-26 prometem ser no mínimo intrigantes. Será que os países conseguiram cumprir as metas firmadas no acordo de Paris e na COP-26? Quais serão as novas metas definidas ? Acompanhem por aqui as próximas cenas. 

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